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a tradição do novo e a novidade do velho

Há duas semanas assisti a uma apresentação do cantor adventista Leonardo Gonçalves no sábado à tarde. Muita gente veio assisti-lo também. Seus poemas e canções são fartamente conhecidos. Sua voz com melismas e agudos, também. O que, talvez, algumas pessoas ainda não conheciam era o modelo bastante espiritual de sua apresentação daquele dia. Quem foi assistir a um show acabou participando de um culto. O repertório alternava as canções com a leitura e comentários de trechos bíblicos. Aliás, a Bíblia esteve o tempo todo aberta em uma estante a frente do cantor. Antes da última música, ele falou/pregou à congregação, fez um apelo e terminou com uma oração cantada, o que inibiu completamente qualquer manifestação de histeria de fã. Sua capacidade de atração jovem é notável, porém, mais notável ainda foi sua postura de mensageiro da Palavra. Algumas palavras de um cantor às vezes têm mais repercussão na mente de um jovem do que o sermão inteiro de um pastor. É grande a responsabilidade dos ...

alan kardec no país das maravilhas

Carta de R. C. Cardoso à revista Veja sobre a matéria “Espiritismo de resultados” (4/8/10): “Apesar de a novela [Escrito nas Estrelas] apresentar fatos que divergem da doutrina kardecista, é muito bom que a televisão mostre programas que tratam do espiritismo com seriedade, e não como instrumento para deboche e críticas sem fundamento”. Alguém lembra de uma novela em que o cristianismo não foi pintado com deboche? Em novelas, o padre bom é o liberalizante e o padre mau é o negociante; já o personagem evangélico é o estereótipo do fanático que vocifera a Bíblia na praça, que é ríspido com a filha enamorada, que ouve gospel em som alto e por aí vai. Conflitos familiares, veleidades conjugais, banalização do ódio, tudo isso faz parte do cardápio noveleiro que, agora e na hora da queda de audiência, sempre apela para a violência física da troca de socos e pontapés entre rivais e casais. Mas a s novelas da Rede Globo nunca foram anticristãs no passado tanto quanto são pró-espiri...

Jesus é um plágio de mitos?

Mal Cristo tinha ascendido aos céus e já havia gente duvidando da história toda. Se na época era assim, dois mil anos depois parece muito mais fácil ser Tomé. Antigamente, duvidava-se da espiritualidade de Jesus (não, ele não era um ser divino, diziam). Mais recentemente, questiona-se a carnalidade de Jesus (não, ele nem mesmo existiu). Estão tentando inscrever Jesus no museu imaginário dos mitos da humanidade. Um vídeo intitulado Zeitgeist procura demonstrar que Cristo é um plágio de vários mitos da Antiguidade. No entanto, segundo o especialista Chris Forbes (enttrevistado no vídeo abaixo), a afirmação de que Jesus seria um plágio de um punhado de historinhas pra egípcio dormir não se sustenta. Ou seja, a tentativa de fazer do Cristo histórico uma lenda antiga é, na verdade, uma lenda moderna. Audioveja e entenda suas razões. Procure ler o que dizem outros especialistas a respeito da autenticidade do Jesus histórico, como o texto que indico logo abaixo do vídeo. Mais: Jesus, um plág...

o colapso do movimento evangélico

Dois pastores paulistas se fantasiam de Fred e Barney. Isso mesmo, fantasiados de Flintstone, entre gracejos ridículos, acreditam que estão sendo "usados por Deus para salvar almas". Na rádio, um apóstolo ordena que tragam todos os defuntos daquele dia, pois ele sente que Deus o "ungiu para ressuscitar mortos". Os jornais denunciam dois políticos de Minas Gerais, "eleitos por suas denominações para representar os interesses dos crentes", como suspeitos de assassinato. O rosário se alonga: oração para abençoar dinheiro de corrupção; prisão nos Estados Unidos por contrabando de dinheiro, flagrante de missionários por tráfico de armas; conivência de pastores cariocas com chefões da cocaína . Fica claro para qualquer leigo: O movimento Evangélico brasileiro se esboroa. O processo de falência, agudo, causa vexame. Alguns já nem identificam os evangélicos como protestantes. As pilastras que alicerçaram o protestantismo vêm sendo sistematicamente abaladas pel...

afasta de mim esse cale-se

Durante a ditadura militar, os compositores brasileiros buscavam na metáfora seu recurso para driblar a cerrada marcação da censura. Em 1973, uma música marcaria a "página infeliz da nossa história". Durante um evento realizado pela PolyGram, Chico e Gilberto Gil decidiram cantar uma canção previamente censurada, "Cálice". O refrão era: Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice de vinho tinto de sangue A referência à angústia de Jesus no Getsêmani era apenas de superfície, na escrita. Na fala, o "cálice" soava também como "cale-se". A referência era à angústia do artista e do intelectual, tesourados, amordaçados, silenciados. Quando Chico e Gil começaram a cantar essa música, o censor junto à mesa de som (era uma praxe a presença do censor nos shows) mandou desligar os microfones. Chico Buarque ia de um microfone a outro tentando cantar "cálice/cale-se", e sendo tragicomicamente ...

o ateísmo virou moda literária

À primeira vista, Terry Eagleton, filósofo e crítico literário britânico, parece atacar o biólogo evolucionista Richard Dawkins, autor de Deus, um Delírio. Em sua recente passagem pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Eagleton alfinetou-o à vontade diante do público. Mas nesta entrevista, vê-se que não é bem Dawkins o alvo das críticas, mas um ateísmo que virou voga literária, com vários representantes, e que não responde a uma pergunta crucial: afinal, por que Deus entrou na agenda? Católico desde o berço e marxista desde a escola, Eagleton se debruça sobre esta questão em O Problema dos Desconhecidos - Um Estudo da Ética , que chega agora às livrarias. "Alguns de meus amigos e leitores ficarão desolados ao me verem desperdiçar meu tempo com a teologia", ironiza o pensador formado nas boas universidades britânicas, a pura tradição "Oxbridge", mas ainda um enfant terrible aos 67 anos. Acha que o grande desafio do Ocidente, hoje, é lidar com um inimig...

a política do cristão

O cristão não é um ser apolítico. Primeiro, ninguém é apolítico. Todo posicionamento a favor, contra ou muito pelo contrário é um posicionamento político. Segundo, o cristão que verdadeiramente ama a Deus também ama seu semelhante. Isso implica reconhecer sua responsabilidade social. O pastor Bert Beach escreveu que o “cristianismo é uma religião de comunidade. Os dons e as virtudes cristãs têm implicações sociais. Devoção a Cristo significa devoção a todos os filhos de Deus, o que gera responsabilidade pelo bem-estar dos outros”. Isso não quer dizer que todo cristão agora tem que se filiar a um partido político. Em lugar de procurar denunciar estruturas socioeconômicas opressoras, em lugar de revoluções homicidas de direita/esquerda, o cristão deve trabalhar para mudar pessoas. O cristão também é um revolucionário. Mas do tipo que apresenta a paz e a vida em Cristo. Primeiro é preciso mudar o homem. O homem transformado muda a sociedade. O cristão espera novo céu e nova terra. M...