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Soul: onde está o coração do músico?

Em  Soul , a nova animação da Pixar, o personagem principal é Joe Gardner, um professor de música que se sente desmotivado na sua profissão, pois o que ele deseja mesmo é ser um pianista de jazz e brilhar nos palcos. Não há problema algum em querer ser um grande artista e buscar esse objetivo. Mas aqui é que mora o engodo: o de que um professor de música é um músico frustrado. Fora do palco, o músico seria um fracassado sem talento suficiente, um loser cuja falta de méritos o levou à suposta monotonia das salas de aula. Quando o professor Joe, convidado por um ex-aluno, consegue um teste para ingressar numa banda de jazz, ele tenta mostrar tudo o que sabe numa música só e acaba fazendo como aqueles músicos que, mesmo quando estão tocando em grupo, estão tocando sozinhos. Seu improviso interminável não passa de exibicionismo. Ele demonstra estar desconectado da arte de fazer música em conjunto. Curiosamente, seu ex-aluno lhe tem um enorme respeito, um sentimento de gratidão por tudo o q
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a bravura indômita e a graça excelsa

  Um dos melhores filmes cristãos deste século foi lançado em 2010 se chama  Bravura Indômita.  V ocê deve estar se perguntando como um filme dos irmãos Joel e Ethan Coen pode ser cristão? Não são estes os mesmos criadores de comédias debochadas e filmes policiais violentos, como Fargo , O Grande Lebowski e Ajuste Final ? Sim, são eles mesmos. Mas eles são também os autores de um drama policial sobre a passagem do tempo e o mistério da violência, como em Onde os Fracos Não Têm Vez , de um drama levemente cômico sobre a ilusão de controle que temos sobre nossas vidas, como em Um Homem Sério .   Desta vez, os irmãos Coen vão até o Velho Oeste e adaptam um livro de Charles Portis publicado em 1968. Aliás, esse livro já havia sido filmado em 1969, também com o título de Bravura Indômita . Aliás, foi por este filme que o maior astro dos faroestes, John Wayne, ganhou seu Oscar de melhor ator. Os irmãos Coen não fazem o tipo piegas. Eles não amolecem o coração para retratar os tempos viol

as canções de Alexandre Reichert

Alexandre Reichert Filho foi diretor musical do quarteto Arautos do Rei no período de 1972 a 1980. Exímio pianista, marcou época como arranjador e compositor do quarteto, mas pouca gente sabe que ele também é autor de cânticos para a juventude da década de 1970 que foram bastante populares. As canções jovens de Reichert primavam por dois aspectos: facilidade melódica e requinte harmônico. Combinando a simplicidade da melodia à sofisticação da harmonia, Reichert trouxe um sopro de novidade à música cantada pelos adventistas na época. Selecionei, aqui, apenas três amostras. O cântico Conversar com Jesus tem apenas oito versos. Sua melodia também aparenta simplicidade. Em 20 compassos, este corinho desprovido de refrão exibe maior desenvolvimento melódico-harmônico do que os cânticos estrangeiros que integravam as coletâneas adventistas até então. As canções jovens “importadas”, como “Estou seguindo a Jesus” e “Caminhando”, apresentavam a referência harmônica e a marcação rítmica da

o dia mais gospel dos reis do rock

Depois de estourar nas rádios com a canção BLUE SUEDE SHOES, Carl Perkins foi gravar algo novo no estúdio da Sun Records, em Memphis. O iniciante cantor Johnny Cash foi lá assisti-lo. Quem também estava chegando no estúdio era o jovem Jerry Lee Lewis, uma aposta para o fim daquele ano de 1956. Quem o levou foi o dono da Sun Records, o lendário Sam Philips. Lendário porque este era o homem que descobrira Elvis Presley um ano atrás. Aliás, no meio da tarde, Elvis passaria no estúdio só para uma visita, pois já era um astro internacional e agora gravava na poderosa gravadora RCA Victor. Foi assim, por mera coincidência, que o dia 4 de dezembro de 1956 marcou um inédito encontro dos quatro cantores. Conversa vai, música vem, de repente os quatro estavam numa sessão improvisada de sucessos do rythm and blues, do country, do nascente rock and roll...e do gospel. Assim que Elvis chegou com sua namorada, Perkins interrompeu a gravação. Eles começaram a papear e rir, até que Elvis foi

o adventista Little Richard

Foi num sábado que faleceu aos 87 anos o mais famoso ex-aluno da universidade adventista Oakwood College: o cantor Little Richard. Ele mesmo, um dos pioneiros do rock, que cantou sucessos como "Tutti Frutti" e "Good Golly Miss Molly", o homem do inconfundível  wop-bop-aloo-bop-alop-bam-boom . Assim como vários outros cantores, Little Richard foi criado nos bancos de igrejas evangélicas da América. No auge do sucesso, em 1957, se sentindo em falta com sua fé e passando por problemas financeiros, anunciou que estava deixando tudo para se tornar pastor. Pesou nessa decisão um incidente em que uma forte turbulência afetou a aeronave onde ele viajava e Richard disse ter visto luzes brilhantes de anjos protegendo o voo, o que ele tomou como um sinal de Deus. Ele, então, foi estudar em Oakwood e durante cinco anos só gravou música gospel. Durante esse período, ele participou de uma campanha evangelística ao lado do pregador adventista E. E. Cleveland. Na ocasi

los perfeccionistas musicales #5 - o homem que calculava síncopes

O HOMEM QUE CALCULAVA SÍNCOPES Certa manhã, o mestre se retirava do templo quando um homem o interpelou: - Mestre, hoje contei 89 síncopes no louvor 'Vinde às Águas' e 137 em 'O Melhor Lugar do Mundo'? Ao ouvirem a palavra "síncope", alguns publicanos desmaiaram de terror. Outros tantos se aglomeraram em torno do mestre a fim de ver se o que ele responderia estava de acordo com a tabela de Regulamentações e Proporções da Boa e Verdadeira Música. A maioria, entretanto, seguiu seu caminho para casa, pois era gente simples que tinha mais o que fazer. Os que ficaram, ouviram do mestre: -  Síncopes, tétrades, terça menor, anacruse...São apenas elementos estruturantes da música.  Ai de vós que contam síncopes no templo e engolem correntes de whatasapp em casa.  Por que vos detêm em terraplanismos musicais?  Credes vós que não há síncope em vossos cânticos tradicionais e que os Arautos do Rei só acentuam sílabas no tempo forte da música?  Outro homem então

Nabucodonosor e a música da Babilônia

Quando visitei o museu arqueológico Paulo Bork (Unasp - EC), vi um tijolo datado de 600 a.C. cuja inscrição em escrita cuneiforme diz: “Eu sou Nabucodonosor, rei de Babilônia, provedor dos templos de Ezágila e Égila e primogênito de Nebupolasar, rei de Babilônia”. Lembrei, então, que nas minhas aulas de história da música costumo mostrar a foto de uma lira de Ur (Ur era uma cidade da região da Mesopotâmia, onde se localizava Babilônia e onde atualmente se localiza o Iraque). Certamente, a lira integrava o corpo de instrumentos da música dos templos durante o reinado de Nabucodonosor. Fig 1: a lira de Ur No sítio arqueológico de Ur (a mesma Ur dos Caldeus citada em textos bíblicos) foram encontradas nove liras e duas harpas, entre as quais, a lira sumeriana, cuja caixa de ressonância é adornada com uma escultura em forma de cabeça bovina. As liras são citadas em um dos cultos oferecidos ao rei Nabucodonosor, conforme relato no livro bíblico de Daniel, capítulo 3. Aliás, n