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Mostrando postagens de 2021

Frankenstein, a música e o conhecimento do bem e do mal

Quem só conhece o monstro criado pelo cientista Victor Frankenstein através das versões do cinema, e não por meio da leitura do livro escrito por uma jovem Mary Shelley em 1818, não sabe que aquela criatura na verdade tem um bom coração, aprecia música e é vegetariano. No livro, parte da história é contada ao criador pelo próprio monstro, que se afastou cada vez dos lugares onde o viam como aberração e maldição. Separei alguns trechos em que ele revela suas predileções (os trechos citados são da ótima edição publicada pela Via Lettera): “ Minha comida não é a do homem; não destruo a ovelha e o cabrito para saciar meu apetite; bolotas e amoras me dão nutrição suficiente ”. Mary e seu marido, o poeta Percy Shelley, eram vegetarianos. Em 1813, cinco anos antes da publicação de Frankenstein, Percy Shelley escreveu um livro chamado “A Vindication of Natural Diet”, sobre vegetarianismo e direito dos animais. O tradutor Santiago Nazarin diz que, “ao fazer do monstro um ser naturalmente ve

Como os adventistas reagiram à pandemia de 1918?

Nos anos de 1918-1919, a chamada gripe espanhola fez milhões de vítimas ao redor do mundo. Nessa época, a I Guerra Mundial já estava em seu fim deixando um rastro terrível de perdas humanas e economias arrasadas. Nesse cenário de crise e destruição, como os adventistas reagiram? Os documentos que consultei mostram algumas respostas na comunidade de adventistas do sétimo dia nos Estados Unidos, país cuja população foi atingida severamente por três ondas da pandemia, tendo um número estimado de 500 mil a 675 mil pessoas mortas em consequência da infecção.  Algumas razões da disseminação foram: - A demora em aceitar a periculosidade da doença : em janeiro de 1918, um médico da região de Haskell, no Estado do Kansas, alertou as autoridades sanitárias a respeito de um forte aumento nos casos de influenza. Em março, a base militar de Funston registrou 1.100 soldados infectados. O vírus foi se espalhando por outras bases militares rapidamente e logo passou a fazer vítimas nas grandes cidades.

Bob Dylan e a religião

O cantor e compositor Bob Dylan completou 80 anos de idade e está recebendo as devidas lembranças. O cantor não é admirado pela sua voz ou pelos seus solos de guitarra. Suas músicas não falam dos temas românticos rotineiros, seu show não tem coreografias esfuziantes e é capaz de este que vos escreve ter um ataque de sonolência ao ouvi-lo por mais de 20 minutos. Mas Bob Dylan é um dos compositores mais celebrados por pessoas que valorizam poesia - o que motivou a Academia Sueca a lhe outorgar um prêmio Nobel de Literatura. De fato, sem entrar na velha discussão "letra de música é poesia?", as letras das canções de Dylan possuem lirismo e força, fugindo do tratamento comum/vulgar dos temas políticos, sociais e existenciais. No início de sua carreira musical, Dylan era visto pelos fãs e pela crítica como o substituto do cantor Woody Guthrie, célebre pelo seu ativismo social e pela simplicidade de sua música. Assim como Guthrie, o jovem Bob Dylan empunhava apenas seu violão e ent

Soul: onde está o coração do músico?

Em  Soul , a nova animação da Pixar, o personagem principal é Joe Gardner, um professor de música que se sente desmotivado na sua profissão, pois o que ele deseja mesmo é ser um pianista de jazz e brilhar nos palcos. Não há problema algum em querer ser um grande artista e buscar esse objetivo. Mas aqui é que mora o engodo: o de que um professor de música é um músico frustrado. Fora do palco, o músico seria um fracassado sem talento suficiente, um loser cuja falta de méritos o levou à suposta monotonia das salas de aula. Quando o professor Joe, convidado por um ex-aluno, consegue um teste para ingressar numa banda de jazz, ele tenta mostrar tudo o que sabe numa música só e acaba fazendo como aqueles músicos que, mesmo quando estão tocando em grupo, estão tocando sozinhos. Seu improviso interminável não passa de exibicionismo. Ele demonstra estar desconectado da arte de fazer música em conjunto. Curiosamente, seu ex-aluno lhe tem um enorme respeito, um sentimento de gratidão por tudo o q

a bravura indômita e a graça excelsa

  Um dos melhores filmes cristãos deste século foi lançado em 2010 se chama  Bravura Indômita.  V ocê deve estar se perguntando como um filme dos irmãos Joel e Ethan Coen pode ser cristão? Não são estes os mesmos criadores de comédias debochadas e filmes policiais violentos, como Fargo , O Grande Lebowski e Ajuste Final ? Sim, são eles mesmos. Mas eles são também os autores de um drama policial sobre a passagem do tempo e o mistério da violência, como em Onde os Fracos Não Têm Vez , de um drama levemente cômico sobre a ilusão de controle que temos sobre nossas vidas, como em Um Homem Sério .   Desta vez, os irmãos Coen vão até o Velho Oeste e adaptam um livro de Charles Portis publicado em 1968. Aliás, esse livro já havia sido filmado em 1969, também com o título de Bravura Indômita . Aliás, foi por este filme que o maior astro dos faroestes, John Wayne, ganhou seu Oscar de melhor ator. Os irmãos Coen não fazem o tipo piegas. Eles não amolecem o coração para retratar os tempos viol