Pular para o conteúdo principal

cem palavras: os homens menos sábios

Não é de hoje que nossa geração é intitulada "a menos sábia de todas as épocas". O novo século ainda nem completou uma década mas parecemos nos orgulhar de termos cada vez mais informação, menos conhecimento e nenhuma sabedoria.

Escalamos um Himalaia de assuntos e novidades enquanto nem subimos uma colina de reflexão sobre o que estamos aprendendo. Aliás, estamos de fato aprendendo ou só estamos acumulando símbolos, sons e imagens ininterruptas que são facilmente trocáveis? Será que, de tanto vagarmos como metamorfoses ambulantes, arrastados como caniços por qualquer brisa de doutrina insana, não estamos desacreditando as velhas opiniões formadas sobre tudo? Essas velhas opiniões não poderiam servir às vezes de peneira a fim de coar, de joeirar o caldo grosso de tudo que lemos, vemos, ouvimos e procuramos?

“[No início dos tempos] era a fome que trazia a morte; agora, ao contrário, é a abundância que nos destrói. Naquela época, os homens muitas vezes ingeriam veneno por ignorância; hoje em dia, mais bem instruídos, eles se envenenam uns aos outros.” (Lucrécio, século I A.C.)

“Nós deveremos ser lembrados na história como a mais cruel, e portanto a menos sábia, geração de homens que jamais agitou a Terra: a mais cruel em proporção à sua sensibilidade, a menos sábia em proporção à sua ciência. Nenhum povo, entendendo a dor, tanto a infligiu; nenhum povo, entendendo os fatos, tão pouco agiu com base neles.” (John Ruskin, 1872).

Comentários

Kelly M. disse…
Profundo...
Gosto muito dessa seção do site.

Postagens mais visitadas deste blog

o mito da música que transforma a água

" Música bonita gera cristais de gelo bonitos e música feia gera cristais de gelo feios ". E que tal essa frase? " Palavras boas e positivas geram cristais de gelo bonitos e simétricos ". O autor dessa teoria é o fotógrafo japonês Masaru Emoto (falecido em 2014). Parece difícil alguém com o ensino médio completo acreditar nisso, mas não só existe gente grande acreditando como tem gente usando essas conclusões em palestras sobre música sacra! O experimento de Masaru Emoto consistiu em tocar várias músicas próximo a recipientes com água. Em seguida, a água foi congelada e, com um microscópio, Emoto analisou as moléculas de água. Os cristais de água que "ouviram" música clássica ficaram bonitos e simétricos, ao passo que os cristais de água que "ouviram" música pop eram feios. Não bastasse, Emoto também testou a água falando com ela durante um mês. Ele dizia palavras amorosas e positivas para um recipiente e palavras de ódio e negativas par...

flasmob de canção pop em terreno cristão. pode isso?

Grupo vocal adventista faz flashmob da música "Somebody to Love", clássico da banda Queen, no refeitório do Centro Universitário Adventista (UNASP-EC). Para muita gente, a música cantada profanou o território santo do instituto e é um sinal da grave interação do jovem cristão com a demoníaca cultura popular. Outros já predisseram a disseminação de flashmobs juvenis pelo adventismo afora.  Para outros, tratou-se simplesmente de uma agradável performance de uma bonita música, com uma bonita letra, muito bem executada no espaço do refeitório dos alunos.  Ah, mas a música é do Queen, uma banda de rock, e o rock está no índex dos estilos desqualificados para a escuta musical do cristão. Para piorar, Freddie Mercury era homossexual, e provavelmente, agora os alunos vão se interessar por bandas de rock e pela orientação sexual de Freddie Mercury.  1) Não sou roqueiro, nem fã de rock. Gosto de música boa, sem vulgaridade, bem-feita, e qu...

a música cristã além do dogmatismo

A revista Veja publicou matéria sobre Leonardo Gonçalves e os irmãos André e Tiago Arrais, juntamente com vários outros cantores cristãos brasileiros. Cantores de diferentes igrejas cantando juntos. Pode isso, irmão Arnaldo? Eles deveriam ser mais dogmáticos e se posicionarem o tempo todo sobre crenças fundamentais particulares?  Não se exige da ADRA, agência cristã de ação humanitária, que ela faça panfletarismo doutrinário durante suas ações ao redor do mundo. Aliás, a ADRA é respeitada e elogiada não pela apologia de credos, mas por fazer um trabalho importantíssimo no auxílio a vítimas de catástrofes e tragédias. Esse trabalho prioritário é resultado da sua mentalidade cristã. Fala-se muito na dificuldade do cristianismo contemporâneo de alcançar as chamadas “mentes secularizadas” ou “mentes pós-modernas”. No entanto, quando os músicos elaboram formatos contemporâneos para atrair essas “mentes”, quando o trabalho deles parece estar indo de vento em popa, surge algu...