Pular para o conteúdo principal

como será o amanhã

Diz o Ramayana: “Os homens ficam felizes quando veem uma nova estação se aproximar, como se uma coisa nova estivesse para sobrevir”.

As pessoas têm a estranha tendência de achar que o ano novo é uma página em branco e o Réveillon é a lousa onde se escreve as decisões de fazer o que deixou de ser feito. Mas 31 de dezembro não é botão de reset, é no máximo uma tecla de reiniciar, e no dia 1º de janeiro você ainda será você com todos os seus defeitos inconfessáveis e suas virtudes autoproclamadas.

Como será o amanhã, pergunta a canção. Há uma grande probabilidade de o sol nascer e se pôr todos os dias. Mais que isso não sei dizer. Não sei se a Dilma fará um bom governo, mas acho que sim. Não sei se o Rio de Janeiro terá paz, mas desconfio que ainda não. Não sei se algum brasileiro ganhará o Nobel de Literatura, mas acho que não ganharemos nenhum Nobel de Medicina.

Já existiu algum ano pior do que outro na história? Se pensarmos de forma coletiva, tirando o dia em que o pecado entrou no mundo todos os séculos foram iguais em tragédias e desventuras e também em alegrias e conquistas. Mas é na vida pessoal que sabemos a diferença entre dias e dias. Provavelmente, hoje teríamos algumas atitudes diferentes em relação ao que fizemos ontem.

No entanto, é mais saudável pensar em como fazer que amanhã seja melhor que hoje. Mas tenha cuidado. Se o amanhã for melhor apenas para ti, muda de plano. Leva os outros no teu projeto de felicidade.


(Publiquei esse texto primeiro no blog Questão de Confiança no finalzinho do ano que passou)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

o adventista Little Richard

Foi num sábado que faleceu aos 87 anos o mais famoso ex-aluno da universidade adventista Oakwood College: o cantor Little Richard. Ele mesmo, um dos pioneiros do rock, que cantou sucessos como "Tutti Frutti" e "Good Golly Miss Molly", o homem do inconfundível  wop-bop-aloo-bop-alop-bam-boom . Assim como vários outros cantores, Little Richard foi criado nos bancos de igrejas evangélicas da América. No auge do sucesso, em 1957, se sentindo em falta com sua fé e passando por problemas financeiros, anunciou que estava deixando tudo para se tornar pastor. Pesou nessa decisão um incidente em que uma forte turbulência afetou a aeronave onde ele viajava e Richard disse ter visto luzes brilhantes de anjos protegendo o voo, o que ele tomou como um sinal de Deus. Ele, então, foi estudar em Oakwood e durante cinco anos só gravou música gospel. Durante esse período, ele participou de uma campanha evangelística ao lado do pregador adventista E. E. Cleveland. Na ocasi

o dia mais gospel dos reis do rock

Depois de estourar nas rádios com a canção BLUE SUEDE SHOES, Carl Perkins foi gravar algo novo no estúdio da Sun Records, em Memphis. O iniciante cantor Johnny Cash foi lá assisti-lo. Quem também estava chegando no estúdio era o jovem Jerry Lee Lewis, uma aposta para o fim daquele ano de 1956. Quem o levou foi o dono da Sun Records, o lendário Sam Philips. Lendário porque este era o homem que descobrira Elvis Presley um ano atrás. Aliás, no meio da tarde, Elvis passaria no estúdio só para uma visita, pois já era um astro internacional e agora gravava na poderosa gravadora RCA Victor. Foi assim, por mera coincidência, que o dia 4 de dezembro de 1956 marcou um inédito encontro dos quatro cantores. Conversa vai, música vem, de repente os quatro estavam numa sessão improvisada de sucessos do rythm and blues, do country, do nascente rock and roll...e do gospel. Assim que Elvis chegou com sua namorada, Perkins interrompeu a gravação. Eles começaram a papear e rir, até que Elvis foi

a generosidade não está nos manuais

Corre na internet o vídeo em que um segurança impede que um cliente pague um almoço para uma criança que vendia chiclete no shopping. Nele, vemos duas formas de violência em estado bruto. 1) Uma criança pedindo (e não comprando, como é regra dos nossos shoppings) comida. E numa situação de viver da caridade de quem lhe detesta, uma criança com fome é a primeira violentada. 2) Um segurança que obedece cegamente ao manual de conduta dos nossos shoppings. E sob a condição de pe rder o emprego caso não cumpra zelosamente o manual, ele se obriga a perder a compaixão, a compostura, a humanidade. * Quanta violência já não foi cometida por pessoas que não hesitam em dizer "estou apenas cumprindo o meu dever"? * Mas nesse mesmo vídeo, "tanta violência, mas tanta ternura", como nos versos de Mário Faustino. O cliente resiste e vai "cometer" ali um "crime de generosidade". Oferecer um prato de comida a quem pede é uma violação do manual do sho