Pular para o conteúdo principal

quando Martin Luther King discursou numa universidade adventista

Martin Luther King foi assassinado há 50 anos, em 4 de abril de 1968. Seu ativismo social pacifista transformador e o poder de seus discursos são bem conhecidos e estão eternizados em vídeos, livros e filmes [recomendo o ótimo "Selma"].
O que eu ignorava até outro dia é que o Dr. King esteve em Oakwood College, universidade adventista, em 19 de março de 1962 e proferiu um discurso semelhante ao famoso "I Have a Dream" [Eu tenho um sonho], feito em 1963 durante a Marcha sobre Washington.
Quando Luther King foi à cidade de Hunstville, o único lugar em que poderia discursar era a Oakwood College, instituição adventista criada em 1896, no Estado do Alabama, para proporcionar acesso à educação aos jovens negros do Sul dos Estados Unidos [vale lembrar que se tratava do mesmo Alabama em que Luther King liderara em 1955 um boicote aos ônibus da cidade de Montgomery].
O Prof. Dr. Mervyn Warren lecionava em Oakwood e lembra do impacto da presença de Luther King: "Ele falava como a consciência da nação". O professor Warren não somente guardou lembranças daquele dia, como o programa assinado pelo Dr. King e trechos gravados do discurso proferido, mas fez de King sua pesquisa de doutorado e tema de seu livro, "King Came Preaching: The Pulpit Power of Dr. Martin Luther King Jr.".
Na placa que homenageia aquela ocasião, lê-se: "O Dr. Martin Luther King discursou aqui pelos direitos civis em 1962. Devido à situação da época, o auditório N. E. Ashby foi o único local disponibilizado para o Dr. King [...]"
Em séculos de cristianismo, se encontrarão histórias de silêncio e até colaboracionismo com atrocidades, mas também relatos de corajoso envolvimento em favor da justiça social. Martin Luther King foi um desses cuja cosmovisão cristã ressoava o "abre a boca em favor dos que não podem se defender, seja o defensor dos desamparados" (Provérbios 31:8).

*****
- O professor Mervyn Warren é pai do produtor musical Mervyn Warren, multipremiado no Grammy.
- Acima, placa comemorativa da presença do Dr. King em Oakwood.

- Abaixo, programa do evento assinado por Martin Luther King:

- Dr. King discursando no ginásio da universidade (posterior auditório N. E. Ashby):

- Matéria da Adventist Today sobre o evento de Oakwood em 1962, aqui.
- Livro "King Came Preaching", disponível na Amazon, aqui.
- Sobre a fundação de Oakwood College, aqui.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

o mito da música que transforma a água

" Música bonita gera cristais de gelo bonitos e música feia gera cristais de gelo feios ". E que tal essa frase? " Palavras boas e positivas geram cristais de gelo bonitos e simétricos ". O autor dessa teoria é o fotógrafo japonês Masaru Emoto (falecido em 2014). Parece difícil alguém com o ensino médio completo acreditar nisso, mas não só existe gente grande acreditando como tem gente usando essas conclusões em palestras sobre música sacra! O experimento de Masaru Emoto consistiu em tocar várias músicas próximo a recipientes com água. Em seguida, a água foi congelada e, com um microscópio, Emoto analisou as moléculas de água. Os cristais de água que "ouviram" música clássica ficaram bonitos e simétricos, ao passo que os cristais de água que "ouviram" música pop eram feios. Não bastasse, Emoto também testou a água falando com ela durante um mês. Ele dizia palavras amorosas e positivas para um recipiente e palavras de ódio e negativas par...

flasmob de canção pop em terreno cristão. pode isso?

Grupo vocal adventista faz flashmob da música "Somebody to Love", clássico da banda Queen, no refeitório do Centro Universitário Adventista (UNASP-EC). Para muita gente, a música cantada profanou o território santo do instituto e é um sinal da grave interação do jovem cristão com a demoníaca cultura popular. Outros já predisseram a disseminação de flashmobs juvenis pelo adventismo afora.  Para outros, tratou-se simplesmente de uma agradável performance de uma bonita música, com uma bonita letra, muito bem executada no espaço do refeitório dos alunos.  Ah, mas a música é do Queen, uma banda de rock, e o rock está no índex dos estilos desqualificados para a escuta musical do cristão. Para piorar, Freddie Mercury era homossexual, e provavelmente, agora os alunos vão se interessar por bandas de rock e pela orientação sexual de Freddie Mercury.  1) Não sou roqueiro, nem fã de rock. Gosto de música boa, sem vulgaridade, bem-feita, e qu...

paula fernandes e os espíritos compositores

A cantora Paula Fernandes disse em um recente programa de TV que seu processo de composição é, segundo suas palavras, “altamente intuitivo, pra não dizer mediúnico”. Foi a senha para o desapontamento de alguns admiradores da cantora.  Embora suas músicas falem de um amor casto e monogâmico, muitos fãs evangélicos já estão providenciando o tradicional "vou jogar fora no lixo" dos CDs de Paula Fernandes. Parece que a apologia do amor fiel só é bem-vinda quando dita por um conselheiro cristão. Paula foi ao programa Show Business , de João Dória Jr., e se declarou espírita.  Falou ainda que não tem preconceito religioso, “mesmo porque Deus é um só”. Em seguida, ela disse que não compõe sozinha, que às vezes, nas letras de suas canções, ela lê “palavras que não sabe o significado”. O que a cantora quis dizer com "palavras que não sei o significado"? Fiz uma breve varredura nas suas letras e, verificando que o nível léxico dos versos não é de nenhu...