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o consumo de gente

É difícil não concordar com o pensador francês Guy Lipovetsky quando ele diz que vivemos no Império do Efêmero. Homens e mulheres, deslumbrados com o milagre publicitário que promove a multiplicação das marcas, compram produto X, sonham com Y e acordam querendo Z. Da noite pro dia, já trocaram de sonho de consumo. Se este sonho de consumo é um sapato, uma bolsa, um carro ou uma namorada, isso já nem importa.

Como se estivessem assistindo a um interminável programa, usam o controle remoto para trocar de canal e de vida. Ah, enjoei desse celular que comprei ontem. Oh, cansei dessa aula sem computador na sala. Não, não posso mais ser visto dirigindo essa “carroça” importada. Sim, serei feliz e bonita e magra e admirada como aquela moça da propaganda de xampu.

De forma consciente ou não, são caprichos alimentados diuturnamente, são vontades que precisam ser saciadas ants que o tempo se vá. A rapidez com que vão surgindo as inovações tecnológicas aliada ao planejamento industrial de envelhecimento precoce dos bens de consumo (a tal obsolescência premeditada) fazem com que o celular, os óculos escuros e o sapato sejam bens tão perecíveis como o tomate e a laranja.

O que tem marcado nossos tempos velozes e furiosos é o processo de reificação das gentes: pessoas viram coisas, relacionamentos se tornam um arranjo de conveniência interesseira. Quase tudo é passível de compra e venda no shopping da fé, quase tudo vira mercadoria na vitrine dos vícios e virtudes. Como escrevia Nelson Rodrigues, "o dinheiro compra tudo, até o amor verdadeiro". Para além da frase teatral e sem esperança, eu diria que não se pode viver assim, negociando princípios e pessoas por trinta moedas de prata.

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