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a opinião pública e a opinião publicada sobre os evangélicos

Parece que tem uma revista que quer ficar de boas com potenciais consumidores.
O dossiê Brasil Evangélico fala de protestantes e pentecostais sem a habitual ironia vista em suas matérias sobre os evangélicos. Em texto de quatro páginas, a ADRA [Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais]  é bastante elogiada e as crenças adventistas são tratadas com respeito.
Todos os textos reconhecem o trabalho social dos evangélicos - são boas matérias sobre batistas, mórmons, assembleianos... 
Acho ótimo. Mas reportagens como essa mostram que a opinião pública (mídia, universidades) só ressalva as igrejas quando estas aparecem como ONGs. A função espiritual e as diferenças teológicas seriam somente propulsoras de intolerância e, lá vem, fundamentalismo.

É claro que o objetivo e o escopo da Superinteressante não é proselitismo religioso e nem detalhar minúcias teológicas do cristianismo evangélico no Brasil. O que tem chamado atenção da mídia é o expressivo crescimento numérico dos evangélicos e a visibilidade social que essa expansão acarreta. O Dossiê da revista cobre somente as igrejas que continuam crescendo. Luteranos, anglicanos, presbiterianos e metodistas, embora desenvolvam trabalhos educacionais e sociais, ficaram de fora dessa edição da Superinteressante.

A expansão evangélica atraiu os olhares daquilo que se chama opinião pública - embora diga-se que "não existe opinião pública e sim opinião publicada" (frase atribuída a Winston Churchill). Bem, no paraíso da opinião pública, neopentecostal não entra. Por isso, o dossiê castiga a música gospel (só visualizada na ótica do mercado), a teologia da prosperidade, o lobby político, o templo de Salomão, a esquisitice, a bizarrice, a malafaíce. 

É inegável que vários grupos de novos pentecostais promovem certos desvios teológicos, usam controversas estratégias de atração e abusam da boa fé de pessoas em situação de risco. Mas as reportagens também poderiam abordar a transformação socioeconômica, a rede de afetos que ampara milhares de famílias partidas, o envolvimento sadio dos jovens.
 Infelizmente, como o pior é sempre melhor para a cobertura midiática, é essa opinião publicada que vira opinião pública.

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