18 janeiro, 2007

A CASINHA DE BONECAS DO BIAL

Janeiro é o tempo das dietas, amores e chuvas de verão. Até que as águas de março rolem por baixo da ponte muito BBB vai despontar para o anonimato, como o cro-magnon Kleber Bambam na Turma do Didi, ou aparecer junto com o Tarcisio Meira nas páginas da vida global, como Grazi Massafera. Sucesso ou vexame, não tem problema. Ele/ela suportam estoicamente. Mesmo porque vexame, inibição e senso de ridículo são vocábulos ausentes do idioma dos moradores da casinha de bonecas do Bial.

Pedro Bial, que trocou as reportagens internacionais pela fabricação de crônicas dignas da piada do Casseta e Planeta, revelou-se o anfitrião da casa de bonecas perfeito para narrar as fantásticas peripécias de acasalamento de anônimos, para alcovitar as estrepolias eróticas de desocupados, para realizar-se como Guia deste inferno dantesco que assola o verão.
E paro por aqui, que estes adjetivos já estão parecendo com, sei lá, umas crônicas do Bial, e já estou até ofendendo a memória de Alighieri e sua comédia divina.

Mas, afinal? O que querem esses jovens belos sarados brincando de casinha na TV? Um milhão de reais? Duvido. Dê 10 reais por dia e peça troco que, ainda assim, estes mancebos e donzelas são capazes de ficar zanzando pela telinha por mais tempo que o Chaves. Eles só querem fama; dinheiro não traz felicidade. Eles só querem a aprovação do respeitável público. E alguns apenas cumprem a máxima pelo avesso: "deita na cama e faz a fama".

Os habitantes da casinha do Bial são meros mortais exibicionistas. O problema é que pra cada exibicionista há 100 voyeurs. À certa altura do programa, os geniais produtores fazem o BBBexibicionista, com todo o afeto que se encerra, olhar nos olhos do voyeur-diante-da-TV, despir-se dos pecados cometidos e implorar o perdão salvador do telespectador-interlocutor.

É assim que ambos os anônimos desocupados dos dois lados da tela ganham reconhecimento. A futura ex-BBB, que nem tendo nem sendo, vira celebridade porque parece "ser", e o "interativo espectador", que se sente reconhecido por ter escolhido e votado no exibido que lhe apetece.

03 janeiro, 2007

O ANO É NOVO, MAS O MUNDO...

Cercado das mais nobres e augustas expectativas me deparo tolamente à beira da praia do ano novo. Um oceano de oportunidades molha meus pés, a maré me beija revelando-me seus favores e a brisa desalinha meus últimos fios de cabelos, meus heróis da resistência, desejando solícita e afavelmente o melhor ano do resto da minha vida nômade. Não paro, mas penso, existo apenas dentro do coração da claridade de 15 minutos de fogos de artifício. É quando descubro uma estranha agorafobia, de estar na multidão e não ser parte dela, de estar indo quando estão voltando, de ver que resoluções se assinam, que compromissos se decretam, tudo porque ninguém mais vê que não é outro ano que chega, é apenas a noite de domingo virando aurora de segunda.

Aliás, aurora é muito. É uma manhã pra mim e tarde para todos, porque todos acordam com aquela cara de que dançaram ao som do pagode de um fauno depois do meio-dia, e aí os compromissos e resoluções estão perdidos em algum refrão da Ivete Sangalo ouvido à meia-noite, quando o funk encarna nos cadáveres ilustres do camarote vip da Coca-Cola, e Latino e Joelma vêm levar a alma dos apóstatas da mpb.

Feliz ano-novo? O ano vai ser melhor se eu for melhor e meu patrão resolver ser melhor também. E os vizinhos também. E o filho, e a filha, e a mulher, e o marido, e o estudante, e o presidente...Oops, o presidente não, que isso já é excesso de boa-vontade. Mais fácil a Britney Spears ficar de mal com a Paris Hilton! Hein? Elas romperam os laços encharcados da amizade? Então, tudo pode acontecer em 2007. Inclusive a minha felicidade pode ser eterna enquanto durar.