24 março, 2015

os pontos fracos do livro digital


10 razões pelas quais o livro digital não entusiasmou ainda os universitários:

1. Os livros necessários não estão sempre disponíveis no formato digital

2. Eles não são tão acessíveis (o valor dos livros não caiu tanto e o aparelho leitor não é barato)

3. Você não pode emprestar ou revender a maioria dos livros digitais

4. Há uma sensação estranha na anotação em um e-book

5. Os livros digitais são pesados (em tamanho de estocagem) também

6. Existem melhores conteúdos digitais disponíveis na web

7. Os estudantes universitários de hoje cresceram usando livros tradicionais

8. Os e-books oferecem uma experiência de leitura diferente (em um estudo, os que leram uma versão impressa de um mesmo texto pareceram ter maior compreensão do conteúdo, lendo-o mais rápido, do que o grupo que leu uma versão digital)

9. Encontrar os livros é uma caça ao tesouro (em função da falta de padronização de formatos)

10. Os estudantes esperam mais da edição digital (ferramentas sociais, possibilidade de usar dispositivos da web)

Outros dados da pesquisa:

- 11% dos universitários já compraram livros digitais (os e-books)

- Se têm a opção entre um livro impresso e um livro digital, 76% dos estudantes ficariam com o livro no suporte tradicional

- Somente 8% dos estudantes entrevistados tinham um aparelho leitor de livros digitais (o e-reader)

- 60% deles disseram aprender melhor com um livro no formato impresso do que com um livro digital

*****

NNP: a pesquisa data de 2012. Três anos depois, é preciso verificar se a adesão dos universitários ao livro-texto digital aumentou ou não.
Texto original no blog Online Universities, com o título "10 Reasons Why Students Aren’t Using eTextbooks" .
Boa parte da tradução copiei do blog MidiasEducação.

16 março, 2015

democracia digital virou ditadura

O jornalista André Barcinski escreve sobre os novos e infelizes rumos que nossa sociedade tem tomado em relação à cultura e à arte (a íntegra do texto está aqui):
"Lembro bem quando começaram a pipocar os primeiros artigos sobre a tal “democracia digital”. O futuro, diziam, seria um novo Renascimento, uma época de cultura e informação gratuitas e acessíveis a todos.
Um cineasta de Xapuri poderia ligar o laptop e enviar seu longa-metragem para um festival em Berlim. Músicos estariam livres da “escravidão” das gravadoras e poderiam vender suas músicas diretamente aos fãs. Todo mundo teria infinito acesso a livros e conhecimento.
 Vários estudos foram publicados sobre o tema. Em 2008, o editor da revista de tecnologia “Wired”, Chris Anderson, lançou um livro muito influente, “A Cauda Longa”, em que dizia que a imensa oferta de produtos na Internet acarretaria uma democratização de vendas e de informação.
Segundo Anderson, artistas mais famosos continuariam vendendo muitos discos, mas os menos conhecidos se beneficiariam com a “cauda longa”, em que a cultura e economia “se afastariam de um foco em um número relativamente pequeno de ‘hits’ (‘sucessos’) e rumariam para um número imenso de nichos de mercado”. Resumindo: no mundo da democracia digital, os “pequenos” sobreviveriam muito bem.
Não precisou nem de sete anos para a cauda longa de Chris Anderson virar cotoco.
Um livro recém-lançado nos EUA, “Culture Crash – The Killing of the Creative Class" (“O Assassinato da Classe Criativa”), de Scott Timberg, mostra que não só as previsões otimistas dos arautos da democracia digital estavam erradas, como aconteceu justamente o contrário: o mundo experimenta, hoje, uma ditadura cultural e um monopólio da informação como nunca se viu. E a ignorância só aumenta.
Alguns dados de “Culture Crash”:
- Em 1982, os músicos que formavam o 1% dos mais ricos da profissão nos EUA ganharam 26% das receitas com shows. Em 2003, o 1% levou 56% da grana de shows.
- Em 2005, 13,3% dos CDs lançados no mundo venderam mais de mil cópias. Em 2010, esse percentual caiu para 6,26%. Dos 75 mil discos lançados no mundo inteiro em 2010, apenas mil venderam mais de 10 mil cópias, o menor numero já registrado.
- Em 1986, 31 canções chegaram ao topo das paradas dos EUA. Elas eram de 29 artistas diferentes. Entre 2008 e 2012, só 66 canções chegaram a número um. E quase a metade era de seis artistas: Katy Perry, Rihanna, Flo Rida, Black Eyed Peas, Adele e Lady Gaga.
- Das 100 revistas mais vendidas nos Estados Unidos, apenas duas cobrem arte.
- Nos últimos 15 anos, cerca de 80% dos críticos e repórteres de arte de jornais norte-americanos perderam os empregos.
- Em 2001, dez sites respondiam por 31% do tráfego na Internet. Hoje, representam mais de 75%. Mesmo assim, a imensa maioria das matérias jornalísticas publicadas na web vem de jornais da “velha mídia” (em algumas pesquisas, 95%).
- Nos últimos oito anos, empregos para arquitetos, fotógrafos e designers caíram, em média, 25%.
- O interesse por literatura e artes nas universidades nunca foi tão baixo.
- O ganho médio de músicos é 30% mais baixo do que há dez anos.
Os dados são relativos aos Estados Unidos, mas certamente refletem a realidade geral.
A verdade é que as pessoas nunca leram tão pouco e tão mal, nunca se informaram tão mediocremente, e têm cada vez menos interesse por música, livros e cinema que não estejam no “mainstream”.
Existem artistas independentes que conseguem usar a Internet para divulgar seus trabalhos e têm carreiras de sucesso? Claro que sim. Mas Timberg mostra que, proporcionalmente, são poucos, e cada vez menos. Quem realmente se deu bem com a "democracia digital" foram as empresas de tecnologia, que usam complexos algoritmos para "guiar" e "personalizar" as buscas de cada usuário na web. Toda a utopia do "futuro digital livre" só serviu para enriquecer ainda mais Zuckerberg e amigos".