31 maio, 2011

cem palavras: o "eu-ísmo"

Há 25 anos, uma equipe liderada por Robert Bellah, da Universidade da Califórnia, pesquisou as crenças e valores dominantes das classes médias norte-americanas. Os resultados da pesquisa foram analisados e publicados no influente livro Habits of the Heart (Hábitos do Coração, tradução livre). Segundo o livro, a sociedade é incrivelmente individualista em seu estilo de vida. Mesmo a religião é vista como algo não-comunitário e totalmente de cunho privado.

Para os autores, uma entrevista presente no livro resume bem o que é a religião americana. Na entrevista, uma jovem de nome Sheila disse com franqueza: 

"Eu acredito em Deus. Mas não sou uma fanática religiosa. Nem lembro da última vez que fui a uma igreja. A fé que me leva é o 'Sheilaísmo'. Somente a minha própria voz".

(Citado em Marsden, George. Religion and American Culture, 1990, p. 257)

27 maio, 2011

um demônio no piano, um anjo na bateria



              










Ao olhar essas duas imagens, alguns dirão que a da esquerda está profanando um instrumento e que a outra é uma blasfêmia contra a música e a religião. Se estivesse vivendo hoje na Terra, Jesus tocaria bateria? Alguns responderão: nunca! Mas, no fundo, não sabemos a resposta. Temos certeza que Ele não poria fogo no piano da igreja e nem se vestiria com as roupas do antigo Israel.

Eu tinha 18 anos e mais arrogância que técnica pra tocar piano. Eu participava de um programa jovem na igreja ali por 1989 e um quarteto ia cantar uma música animada. Vale dizer a quem não era nascido no período jurássico que “música animada de quarteto nos anos 80” não tinha nada ver com axé ou funk gospel (mas tinha gente que não gostava assim mesmo).

Durante a música, eu comecei a fazer uma levada típica de bailinho movido a rock dos anos 50. De repente, um garoto de uns 10 anos de idade disparou até a frente e começou a balançar os quadris como um Elvis Kid - enquanto eu tocava me achando um Little Richard. Constrangimento de uns, risos de outros. E tudo só com o piano. Sem percussão, sem tambores, sem adufe.

Se o piano fosse somente tocado desse jeito, aquele crente que, no século 19, dizia que o piano era um “instrumento de cabaré” estaria certo. Mas há muito tempo sabemos que pianos não são bichos perigosos. Pianistas, sim.

De volta ao tempo atual. Vou a uma igreja no sábado pela manhã e vejo uma bateria eletrônica montada ao lado do piano. Em 1989, provavelmente diriam que não só a percussão na igreja era profana, mas também que aquele que só imaginava uma bateria dentro do templo já cometia pecado. Fico sabendo que quem toca aquela bateria é alguém com menos de 35 anos e que tem o cargo de conselheiro dos jovens naquela igreja. Há 30 anos, anciãos não tocavam nem violão no templo.

Eu o observo tocando nos momentos de louvor do culto. Ele não faz “viradas arrasadoras” nem “levadas extravagantes”. Percebo que o sonoplasta deixa a bateria com volume inferior às vozes e aos outros instrumentos (piano, flauta, contrabaixo, sax).

Tem mais: não vi ninguém em transe nem dançando pelos corredores da igreja. Que coisa, não? A bateria nem parecia um bicho-de-sete-tambores!

Quando conto essa experiência e depois pergunto, Quem tocou como um “anjo”, o pianista ou o baterista?, a resposta sempre é “o baterista”. Claro que, como não sabemos a intenção do coração de cada um, nem vemos os anjos com seus instrumentos, podemos no máximo dizer que o baterista tocou de acordo com as expectativas de reverência e santidade que aprendemos a associar aos anjos.

Não se trata de uma sugestão para ficarmos feito impávidos colossos, estáticos e inertes ao tocarmos ou cantarmos. Nem estou recomendando a compra imediata de um kit de tambores. O que quero dizer é que essas duas experiências mostram que o instrumentista é quem dota seu instrumento de correção e adequação por meio da forma de tocá-lo.

A qualidade dos instrumentos e o modo de amplificar o som também influi muito para um resultado satisfatório, para que sejam ouvidos realmente como acompanhamento para o ato de cantar. Além da forma de tocar e sonorizar, há que se ter sensatez e cuidado em perceber as músicas e os momentos dos cultos em que a bateria se encaixa melhor. Há que se ver, inclusive, se ela é realmente necessária como acompanhamento em algumas partes da liturgia! 

Anjos tocam bateria? Anjos tocam piano? Se tocam, certamente não o fazem com espírito exibicionista e inadequado. Anjos não tocam bateria? Bem, anjos também não se casam, não recolhem dízimos e ofertas e, ainda que quisessem compartilhar do louvor das congregações espalhadas pelo globo, eles adoram a Deus em uma realidade completamente diferente. 

Há quem veja o demônio na bateria, mas ele atua mesmo é quando a orientação e o diálogo fraternos são trocados pelo bate-boca na internet e pela censura autoritária, em que a Bíblia é manipulada a fim de que a interpretação pessoal prevaleça, em que a civilidade cristã dá lugar à agressividade diabólica.

24 maio, 2011

o grão da voz

Luiz Tatit. Aprendi muito no mestrado com esse professor da USP. Uma das frases do Tatit nunca me saiu da cabeça: "Se você não gosta de uma música, experimente ouvi-la na voz do seu cantor predileto".

Eu nunca fui fã da dupla Zezé di Camargo e Luciano e do esforço para gritar "É o amoooor, que mexe com minha cabeça lalaiá lalaiá...". Até o dia em que assisti o biofilme Dois Filhos de Francisco e ouvi a mesma música na voz de Maria Betânia. Não, também não sou fã de Betânia. O que gostei, na verdade, foi da voz sem berreiro, em voz mais grave, dita sem afobação, no arranjo sem a batidinha repetitiva e efeitos de teclado Casio. Percebi que a música tinha prumo, tinha uma melodia boa. De fato, aprecio vozes femininas mais contidas e arranjos mais intimistas e sem grandiloquência. Enfim, gosto do famoso "menos é mais".

Talvez aconteça de pessoas gostarem mais da música da Maria Betânia se a ouvirem na voz de Zezé di Camargo. Conheço pouco de ambos os cantores, mas isso não desautoriza minha afirmação, baseada no que disse o Tatit, de que gostar do estilo vocal de um cantor nos leva a preferir músicas naquele estilo.

Outros exemplos: há pessoas que não gostam do estilo e da voz de Chico Buarque, mas apreciam a mesma música desse compositor quando a ouvem na voz de uma cantora de sua preferência. Não sei se esse fenômeno se dá com todo e qualquer estilo. Prefiro não experimentar. Mas talvez seja possível tirar leite de pagode.

Um exemplo possível na música cristã: as músicas dos Arautos do Rei ou do Gaither Vocal Band talvez sejam apreciadas quando são cantadas na voz dos grupos Novo Tom e Take 6. Esses grupos não cantarão aquelas músicas da mesma maneira que os dois quartetos, pois as apresentarão com seu jeito peculiar, idiossincrático de cantar e fazer os arranjos.

Roland Barthes chamava essas particularidades vocais de "o grão da voz". O modo de cantar equivaleria ao modo de dizer as coisas. E, assim como cada indivíduo possui um jeito único de falar, cada cantor demonstra sua singularidade vocal ao cantar. E percebemos vozes especiais quando ouvimos o timbre e o modo único de dizer as coisas pela voz de Silvio Santos, William Bonner, Lula. Ouvimos esse "grão da voz" ao notar a distinção vocal de Elis Regina, Diana Krall, Roberto Carlos, Tim Maia. A canção parece adquirir a personalidade de quem a está entoando. 

Além disso, às vezes essa mesma canção vem apresentada em estilos diferentes de arranjo instrumental, com uma forma peculiar de usar banda e/ou orquestra.  

Não gosta de uma música? Experimente ouvi-la na voz do seu cantor predileto.

18 maio, 2011

jovens velozes + sons furiosos

[O site da revista Rolling Stone destacou uma pesquisa sobre música e velocidade no trânsito. Meus comentários sobre os resultados seguem depois].

Os adeptos do cooper sabem que não há nada como uma música agitada explodindo nos ouvidos para aumentar o pique da corrida. Não dá para ouvir canções calminhas ou você vai é querer voltar para a cama.

Agora, essa mesma lógica, quando aplicada a um motorista, pode ser perigosa. É isso que mostra uma pesquisa realizada pela empresa fabricante de peças de automóveis Halfords, que entrevistou condutores para saber se o comportamento deles é afetado pela música que ouvem enquanto estão atrás do volante. 60 % dos participantes responderam que sim.

A análise continuou para saber quais faixas afetavam esse comportamento e o resultado foi o seguinte:

As mais perigosas
1 - Beastie Boys - "Sabotage"
2 - The Prodigy - "Firestarter"
3 - Papa Roach - "To Be Loved"
4 - Kanye West - "Stronger"
5 - Rachmaninoff - "Prelúdio em Dó Sustenido Menor"


Foi feita também uma lista de músicas tranquilas:


As mais calmas
1 - Vivaldi - "As Quatro Estações"
2 - Jack Johnson - "Breakdown"
3 - Adele - "Someone Like You"
4 - Coldplay - "Yellow"
5 - Fleetwood Mac - "Landslide"


Fonte: Rolling Stone Brasil (música + volante: perigo constante?)

*****
Nota na Pauta: a soma de música + volante pode ser perigosa. Mas apesar do trocadilho, não dá pra fazer uma ligação direta. Há outros fatores envolvidos, como: faixa etária - jovens entre 18 e 30 anos; consumo de álcool e outras drogas; pressa; velocidade; desatenção; desprezo pelo código de trânsito. Agora junte um grupo de alcoolizados velozes ouvindo sons furiosos. Aí é perigo constante. Principalmente se eles seguirem a letra da música que estão ouvindo. Confira alguns trechos:

Firestarter (a segunda mais "perigosa"): "eu sou o iniciador do problema, sou o perigo ilustrado, sou um incendiário" e assim a letra segue com o cara no maior orgulho de ser um detonador. Parece o hino do homem-bomba.

To be loved (terceira no Top Danger): "aumente o volume, eu quero ouvir você berrar, fique pronto para por o pé na tábua". Puro desejo de potência, porque no refrão ele entrega a carência: "Eu quero respeito, eu só quero ser amado". A levada é pauleira, mas a auto-estima é de dar inveja ao Restart.

Mas o perigo não é só rap e eletropunk. Até músicas lentas oferecem risco à segurança. A quinta colocada nada mais é do que o lento e doloroso Prelúdio em Dó Sustenido Menor, de Rachmaninoff. Entendo. Tem canções do grupo português Madredeus que na voz pungente de Teresa Salgueiro também deixa a gente pensativo e distante. E carro não é bem o lugar pra ficar pensando na morte da bezerra.

A ligação entre música e fisiologia humana às vezes é superestimada. Mas a despeito da importância dos fatores culturais e sociais envolvidos na escuta musical, essa pesquisa sobre música e velocidade no trânsito demonstra que nossa reação psicossomática (mente e corpo) imediata não pode ser menosprezada.

16 maio, 2011

cem palavras: com quanto glacê se faz um blockbuster

A tradução brasileira para cinema blockbuster é “filme arrasa-quarteirão”. Nesse tipo de filme, tudo vira terra arrasada mesmo. Na verdade, eles costumam é arrasar nas bilheterias. São filmes em que a maior fatia do orçamento se destina ao cachê dos astros e/ou à equipe de CGI (a computação gráfica). A imagem acima é do filme 2012, um legítimo (e medíocre) "arrasa-planeta". Tirando as honrosas exceções de praxe, esses filmes normalmente são como bolo de casamento: muito glacê e nenhum valor nutritivo.

Com a palavra:

Os blockbusters globais geralmente mostram “magos; mulheres insinuantes de poucas palavras; homens de poucas palavras que podem dirigir com esperteza qualquer veículo, destruir espetacularmente qualquer coisa e saltar ilesos do alto de qualquer coisa; personagens de história em quadrinhos; a história do mundo baseada em livros escolares da sexta série; explosões; um fenômeno da ciência desconhecido; uma encarnação do mal; mais explosões” (Louis Menand, The New Yorker, 7/2/2005).

A estratégia de sobrevivência de Hollywood está em “blockbusters com características infantis universais, ação de história em quadrinhos, personagens conhecidos, sequências incontáveis, extenso marketing de produtos dentro dos filmes, associação comercial com empresas de fast food e outras, enredos mínimos e diálogos menores ainda” (Benjamin Barber, Consumido, p. 38-9).

09 maio, 2011

a lady é Gaga mas não rasga dinheiro

O clipe começa numa estrada com os 12 discípulos em motocicletas e vestidos com jaquetas de couro onde se lê o nome de cada um deles: “Peter, Judas,...”. Na garupa, está Maria Madalena. É ela que saca um revólver de cujo cano sai um batom com o qual borra os lábios de Judas para que este dê seu beijo da traição em Jesus. Na cena seguinte, Jesus e Judas aparecem numa banheira onde Maria Madalena lhes lava os pés. Poderia ser uma dessas encenações gospel modernosas dos eventos da Páscoa, se Maria Madalena não fosse a atual senhora da transgressão pop, Lady Gaga.

Mas não é ela mesma que, nas entrevistas, diz crer no evangelho e amar e respeitar todas as crenças? O que aconteceu? De fato, a Lady é Gaga mas não rasga dinheiro. Ao contrário, ela tem controle sobre todo o modo de produção de seus vídeos e canções. É uma cantora em pleno domínio de sua loucura.

Lady Gaga é formada na Academia Madonna de Artes Musicais e Performáticas. Ela sabe que toda performance pop tem de ser planejada e calculada com a diligência e a precisão de um gerente de banco. O que está em jogo, no caso das estrelas pop, não é a conta bancária, mas o saldo da própria imagem midiática.

No modo de produção pop, a canção é um detalhe. Claro que a canção precisa ser pegajosa, ter um arranjo contagiante, mas isso nem sempre é suficiente. Até porque, nas rádios e TVs, a repetição não é vã, o que leva uma música de parcos recursos melódicos e poéticos a cair no gosto popular.

As condições mais favoráveis para a proliferação viral são o tema "escandaloso" da canção e o suporte "extravagante" do visual. E para ser novidade num mundo em que o novo já nasce antiquado, o sensacionalismo sexual misturado à transgressão religiosa resulta numa imagem de iconoclastia que encanta plateias globais. Muito artista pop adora passar por destruidor de símbolos religiosos. Mas a maioria deles, no fundo, é iconoclasta só da mídia pra fora. Em casa, eles são bem comportadinhos e mantêm os filhos longe da MTV.

Sobre a canção “Judas”, Lady Gaga disse: “Sinto honestamente que Deus me enviou aquela letra e aquela música”. Pronto. Como se não bastasse os artistas gospel dizerem que Deus lhes sopra a letra e a música de suas canções de sucesso, agora os astros pop também dizem ouvir o ditado divino com as partituras da lei. Da lei de Gaga, só se for, com o perdão do trocadilho fácil.

Curioso é que a letra de “Judas” faz citações bíblicas (“lavarei seus pés com meu cabelo”; “depois que ele me trair três vezes”) e parece falar da gangorra espiritual do coração humano que quer as virtudes de Cristo, mas cede a preferência às tentações de Judas: “Eu quero amá-lo, mas algo me afasta de você / Jesus é minha virtude / E Judas é o demônio a quem recorro”.

No entanto, a própria Lady Gaga se encarrega de desmontar a aparência de batalha espiritual, já que a música não fala de Bíblia, mas “de ex-namorados e traição”. Em sua opinião, “a única coisa controversa sobre este vídeo é que eu estou vestindo Christian Lacroix e Chanel no mesmo quadro".

Ela avisa que o clipe “é uma metáfora para o perdão e a traição e as trevas são um dos desafios da vida em vez de ser um erro”. Como se vê, Lady Gaga não é nenhuma tonta aprontando escândalos. Entretanto, os animados baladeiros de casas noturnas mundo afora vão se ligar nessa “metáfora da traição”? Ou o público preferencial nem vai notar a insalubre mistura de hedonismo e anarquia religiosa?

Há 20 anos, a professora Madonna lançou “Like a Prayer”, cujo videoclipe mostra cruzes em chamas e onde ela sonha que está fazendo amor com um santo. Gaga aprendeu bem as lições de transgressão pop e, além das distorções em “Judas”, ela aparece ainda como freira vestida num látex vermelho e simula um ato sexual ao lado de uma cruz no clipe de “Alejandro”.

A reiteração do recurso de deslocar dogmas cristãos para ilustrar seduções amorosas indica que a dinâmica da confusão e banalização do contexto espiritual bíblico continua na moda.

Entrevistas da cantora ao E!Online e à revista NME.

04 maio, 2011

o capitão obama contra o odioso osama

Osama Bin Laden, o vilão globalizado, foi morto por Barack Obama, o xerife globalizado. Osama, que elegeu a civilização judaico-cristã-ocidental como alvo preferencial de sua fúria homicida, teria sido morto com um tiro na cabeça e jogado ao mar após os rituais islâmicos. Fica meio difícil de acreditar nessa reverência súbita, contando que militar americano só dá tratamento religioso à bandeira americana.

A Casa Branca decidiu não mostrar nenhuma foto do corpo estendido no chão. Só que, sem turbante e sem documento, o povo fica descrente.  Mas sejamos francos. Do jeito que as pessoas amam uma teoriazinha da conspiração, mesmo que os soldados tivessem filmado a ação espetacular, muita gente veria apenas uma bem editada encenação hollywoodiana, e colocariam as imagens na mesma seção histórica sob suspeita onde estariam os passos do homem na lua.

Não é que a civilização judaico-cristã-ocidental esteja reclamando da morte de Osama. Mas a porção Tomé-ocidental se acostumou a ver para crer.

Nem eu tampouco reclamo da civilização judaico-cristã-ocidental: muito pelo contrário, amo muito tudo isso. A gente só se queixa quando tem muita conversa de “guerra civilizatória” e pouca demonstração de “paz judaico-cristã”.

Perseguido em todas as cavernas da Ásia, Osama vagava de esconderijo em esconderijo como um fantasma do homem mais perigoso do mundo. Agora é provável que sua morte reúna órfãos ansiosos para dar continuidade a essa história de retaliação sem fim.

Surgiu também a pergunta: Obama teria agido como vários de seus predecessores, como um Capitão Nascimento (ou um Jack Bauer, pra ficar na terra dele mesmo), autorizando o assassinato do assassino? Uma coisa é certa: os Estados Unidos nunca abandonaram seu papel triplo de policial, juiz e executor.

A população norte-americana, que foi quem realmente sentiu o ataque do 11 de setembro, nem quis saber se os soldados atiraram primeiro e perguntaram depois ou se Osama reagiu ao ataque. Comemorou como se marcassem um gol decisivo na copa do mundo de caça aos terroristas . Não por acaso, alguém celebrou com um cartaz onde se lia o placar Obama 1 x 0 Osama.

Se Osama morre, Obama renasce. E Barack andava em apuros. Já tinha americano duvidando da autenticidade de sua certidão de nascimento de novo (olha o bloco da conspiração aí, gente!). O congresso não o apoiava, a economia cambaleava, o eleitorado chiava. Agora, a aprovação popular de Obama está em alta de novo. E muito pode a popularidade de um presidente.

Para a Casa Branca, uma guerra custa caro. Mas ver americanos eufóricos gritando “Iuessei”, não tem preço.