25 abril, 2012

O Barcelona e o encanto da derrota

Nos últimos cinco anos, o time da Barcelona foi declarado uma das maiores equipes de futebol de todos os tempos. Esse posto foi obtido não só pela incrível série de conquistas e troféus, mas também por apresentar ao mundo da bola um estilo de jogo que joga e não deixa o adversário jogar.

Acontece que esse time joga três partidas, perde duas e empata uma, e se vê fora dos dois maiores campeonatos que disputava: o Espanhol e a Liga dos Campeões da Europa. E lá vem a grita: "o Barcelona já era", "Messe pipocou", "bem feito!".

É natural que um time tão avassalador encontre quem o despreze. Ganhar uma vez é legal. Mas ficar ganhando sempre, aí é demais. É como chegar pra jogar uma pelada na quadra e ver o mesmo time ganhar toda vez. Começa a perder a graça. A derrota do Barcelona salvou o futebol da chatice previsível.

Mas o Barcelona faz jogo limpo, não é retranqueiro, busca o gol avidamente, seus jogadores são badalados mas não são vistos em baladas, nem fazem penteados chamativos nem dancinha da moda quando marcam um gol. 

Imagine o nível do desprezo caso esse time sempre campeão fosse o Chelsea, cujo dono é um bilionário russo de fortuna suspeita e que tem jogadores acusados de racismo (John Terry), bebedeira (Frank Lampard) ou que são simplesmente malas mesmo (Drogba). Ou se fosse o Real Madrid do marrento técnico José Mourinho e do galã Cristiano Ronaldo!

E o Barcelona perdeu por quê?

Perdeu porque seu padrão de jogo, a bola de pé em pé até chegar ao gol, não se alterou quando encontrou um time nitidamente inferior como o Chelsea que se trancou a defesa, ocupou os espaços das tabelinhas do Barcelona e sobreviveu com dois raros e fatais contra-ataques. Conclusão: tática previsível.

Perdeu porque Xavi e Iniesta não conseguiam tabelar, Daniel Alves mal conseguia cruzar e Messi perdeu um pênalti e não conseguiu enfileirar a defesa. Esse time ganhar é previsível. O Messi não jogar nada três partidas seguidas é coisa que não se explica. Conclusão: súbita ineficiência.

O pequeno Davi não conseguia usar a armadura de um guerreiro israelita e venceu o gigante Golias na base da pedrada. O Chelsea, que não sabe jogar como o Barcelona, venceu o melhor time do mundo na base do ferrolho. Conclusão: quem não pode, se sacode.

O lado ruim dessa história é que, se o Barcelona aprimorou um modelo tático de posse de bola em que ele jogava e não deixava jogar, o Chelsea se saiu com outro modelo: nem ele joga nem deixa o Barcelona jogar. É feio, mas de vitória alcançada não se olha os dentes.

O lado bom é que o futebol nem sempre é previsível. E isso é ótimo. Na vida fora dos gramados, o feio não ganha do bonito, a tartaruga não vence a lebre, o pequeno raramente vence o grande. No futebol, até a derrota tem seu encanto. 

A primeira foto é uma imagem rara  - Messi envergonhado. A segunda não é aquele guri do "Para nossa alegria". É o Ramires, do Chelsea, ouvindo a torcida cantar para a alegria dele.



23 abril, 2012

os Salmos: uma teologia para a música


O maior livro da Bíblia é um hinário com 150 poemas e canções: o livro dos Salmos. Não restou a melodia original de um salmo sequer, mas seus versos ainda inspiram compositores de hoje, como o pastor e músico Daniel Lüdtke, autor de 11 canções baseadas em 11 salmos.

Quando são utilizados numa música, os versos bíblicos habitualmente sofrem uma alteração na sua métrica. No DVD Salmos, Daniel Lüdtke se viu obrigado a editar cada salmo, tendo que reduzir trechos, modificar palavras e simplificar a poética bíblica. Mesmo assim, ele manteve o sentido espiritual dos salmos e, ao mesmo tempo, sugere uma maneira teológica e musical de ensinar e motivar a igreja à adoração.

João Calvino dizia que “não há outro livro em que somos mais perfeitamente instruídos na correta maneira de louvar a Deus” (O Livro dos Salmos, vol. 1, p. 33). Os Salmos, então, têm algo a ensinar aos compositores de música cristã em nossos dias? Entendo que há pelo menos quatro pontos que podem orientar os músicos contemporâneos:

Criatividade poética: a sugestão de imagens nos Salmos é bastante rica: “O meu corpo Te almeja como terra árida” – Sl 27; “Tirou-me de um poço de perdição, salvou-me da lama e meus pés firmou na rocha; Ele me pôs nos lábios nova canção” – Sl. 40; “E se tomar as asas da alva e habitar no extremo do mar, até ali a Tua mão me guiará, Tua destra me susterá” – Sl. 139 (na clássica adaptação do grupo Prisma). Em tempos de chavões desgastados e refrões repetitivos, o compositor cristão encontra originalidade, beleza poética e riqueza vocabular nos antigos salmos.

Variação temática: Os salmos convidam ao louvor alegre (Sl. 100) e à exaltação reverente do nome de Deus (Sl 46:10). Nos Salmos, Cristo é apresentado como Pastor e Cordeiro, como vítima e também como Redentor. Deus é apontado como Criador e Mantenedor do mundo (Sl. 24) e também como Aquele que guia os humildes e ensina os mansos (Sl. 25:9). Há salmos de súplica e de esperança (Sl. 91), de confissão de pecado (Sl. 32) e de declaração de amor à Lei (Sl. 119).

O hinário protestante tradicional apresenta grande amplitude temática, incluindo hinos de louvor e adoração a Deus (sem deixar de mencionar a Trindade) e hinos sobre o perdão divino, a cruz, a ressurreição, o chamado missionário, o caráter de Deus, a conversão a Cristo, a vitória pela fé, o Novo Céu, a segunda vinda de Cristo etc. Em contraste, atualmente vigora um repertório de louvor & adoração que tem reduzido os temas a uma música alegre sobre a soberania do Pai, uma canção apaixonada pelo Filho e um pedido choroso pelo derramamento do Espírito.

Por isso, a diversidade temática, como nos salmos, merece ser buscada pelo letrista cristão.

A dupla dimensão teológica: os salmos revelam uma dimensão teológica objetiva, que proclama a Criação, a Lei de Deus, o perdão e a salvação, descrevendo o modo divino de agir; e uma dimensão teológica subjetiva, que representa os sentimentos humanos de alegria e reverência, de angústia e esperança.

Esse duplo aspecto teológico sempre esteve presente na prática musical cristã. Houve períodos em que um desses aspectos foi mais ressaltado que o outro. Por outro lado, o modelo de performance musical apresentado no DVD Salmos também apresenta uma dupla perspectiva: enquanto as canções são uma atualização de estilo de melodia e arranjo, as letras celebram antigas e eternas verdades bíblicas. Há modernização do modelo congregacional de adoração coletiva e há alegria no canto e serenidade e reverência nas falas.

A renovação musical: os Salmos foram escritos num período de 900 anos. Novos salmos iam sendo acrescentados com o tempo, cada capítulo da história do povo de Israel gerava a produção de um novo repertório. Isso nos diz que a inovação musical anda ao lado das canções mais antigas. A inevitável renovação das formas musicais é companheira da tradição daquelas músicas que nos conectam às raízes da igreja.

É possível extrair do livro dos Salmos um aprendizado sobre a tensão entre o tradicional e o moderno. Em vez de justificar atritos de gerações e gostos, essa tensão pode funcionar como ponto de equilíbrio entre sentimento humano e atuação divina, entre o simples e o sofisticado, entre tradição e atualização.  Não por acaso, o apóstolo Paulo escreveu que os membros de uma igreja cheia do Espírito devem buscar o “falando entre vós com salmos”. Tal igreja avançará “cantando e salmodiando ao Senhor” (Ef. 5:19). 


Este texto foi publicado originalmente na revista ConexãoJA (jan-mar. 2012). Como autor, modifiquei ligeiramente para postagem neste blog.

19 abril, 2012

os mitos do Titanic


Na esteira dos 100 anos do naufrágio mais comentado de todos os tempos, o cineasta James Cameron relança o filme Titanic em 3-D. Há três possibilidades de uma imagem aparecer na tela de projeção: a paralaxe zero (no plano da tela), a paralaxe positiva (imagem para frente da tela) e a paralaxe negativa (para trás da tela). Cameron deu preferência a esta última. Assim, em vez da proa do Titanic passar rente ao nariz do espectador, ele optou por dar maior perspectiva de profundidade às cenas.

Foi um processo exaustivo e dispendioso. Mas se era pra gastar e se desgastar tanto de novo com o mesmo filme poderiam ter contratado um roteirista dessa vez! Embora o filme seja agora em 3-D, não há dinheiro nem tecnologia no mundo que dê profundidade aos personagens rasos e à historinha da menina rica que se apaixona por menino pobre mas de alma sensível.

O formato mais apropriado para o relançamento do Titanic não é o 3-D, e sim o estilo do cinema mudo. Sem os clichês do diálogo, sobrariam a magnitude da direção de arte que reproduziu os mínimos detalhes do navio e as belas imagens (apesar da cena batidíssima de um casal se encontrando na proa de um barco enquanto o sol se põe). Ficaríamos livres também da insuportável canção da Celine Dion. Aliviaríamos um pouco o sofrimento dos personagens que morrem num mar gelado e ainda têm que ouvir a Celine Dion cantando o xarope “my heart will go on”!

O fato é que a população mundial gostou do filme. Outro fato é que a história do filme colabora para a disseminação de velhos mitos sobre essa tragédia. Por exemplo, há especialistas que afirmam que a famosa frase “Nem Deus afunda o Titanic” foi criada após o evento. O naufrágio, então, teria sido um castigo divino à arrogância humana.  A moral dessa história é que Deus castigou passageiros e tripulação por uma frase que eles sequer tinham ouvido.

Há, também, poucas evidências de que um grupo de músicos teria tocado o hino cristão “Nearer my God, to Thee” durante a confusão e o desespero dos passageiros que disputavam os lugares nos botes salva-vidas (Esse hino é conhecido como “Mais perto quero estar” – quando criança, me diziam que o grupo tocou “Tudo Entregarei”). Outros sobreviventes, porém, se lembraram apenas de ouvir música de entretenimento sendo tocada naquela hora. A cena do hino parece ser uma licença poética bem apropriada para aumentar o drama (essa cena já estava no filme Somente Deus por Testemunha feito em 1958).

A BBC inglesa elencou 5 mitos sobre o Titanic e você pode lê-los clicando aqui (em inglês).

De minha parte, eu aponto três mitos sobre o filme:
1-   Titanic é um grande filme. Não, não é. É um filme grande, no sentido de longo, caríssimo, que rendeu muitíssimo.

2-   Titanic é um filme muito ruim. Não, não é. Tem cenas ridículas (como a de Leonardo di Caprio salvando uma criança só pra mostrar como ele é pobre, mas limpinho), mas é extraordinariamente bem feito. Apesar do roteiro não colaborar, Leonardo di Caprio e Kate Winslet conseguem superar todos os clichês e absurdos porque eram, e ainda são, excelentes atores. É longo, mas não é chato.

3-    Era possível que o Jack se salvasse. Sim, era mesmo. Mas há controvérsias. Veja a fotomontagem abaixo e avalie se a personagem Rose mostrou-se uma tremenda espaçosa. 
     

        





13 abril, 2012

tirem o Cristo da parede!

Uma recente e polêmica decisão judicial no Rio Grande do Sul autorizou a retirada dos crucifixos dos tribunais. De fato, no tribunal dos homens, Cristo dificilmente tem vez. Por que manter esse fingimento de ter sua imagem ali por perto? Tirem os Cristos esquecidos da parede! Porque com tanta injustiça, perjúrio e falso testemunho, o único vestígio de santidade era a imagem de um Cristo pendurado numa cruz que só não escondia o rosto diante de tanta impunidade por estar com as mãos pregadas.

O argumento-chave para esta decisão é a separação entre religião e Estado. As igrejas não estão perdendo seu direito de utilizar dentro de seus templos as imagens que representam sua crenças: a Deus o que é de Deus. Mas os fóruns públicos podem decidir não mais exibir um símbolo singularmente cristão em um lugar necessariamente laico: a César o que é de César. 

Um indivíduo pode declarar-se cristão no censo do IBGE, mas a um órgão público não cabe essa competência. O Estado, e sua esfera legislativa e executiva, não deve obrigar um cidadão a adotar uma religião ou coagi-lo a abdicar de sua crença. Nem uma igreja deve aspirar ao poder secular (embora a História nos conte/nos contará episódios horrendos derivados da união de interesses entre Estado e Igreja). 

Os cristãos devem zelar pelo Estado laico, um Estado que pode ser influenciado pelos valores religiosos, mas que não adota tais valores por serem os valores desta ou daquela religião. O Estado deve se pautar pelos valores da liberdade, do direito, da ética. Certamente, tais valores irão coincidir com os princípios centrais de justiça e fraternidade de uma religião que ajudou a constituir a mentalidade ocidental dos últimos dois mil anos. 

Outra razão para o cristão defender um Estado que promova a liberdade religiosa, mas que não se submeta  à alçada religiosa institucional, é o fato histórico de que o próprio Cristo foi vítima de um infame tribunal religioso. Como não tinham poder para matar, os "doutores da lei" do Sinédrio judaico uniram-se ao Estado romano para passar por cima de todos os direitos jurídicos do Acusado: conspirando, prendendo, falsificando, perjurando, torturando e, por fim, executando.  

Num mundo que aprendesse com os próprios erros, a imagem de tal vítima da injustiça dos tribunais poderia servir ao menos para lembrar dos ardis perpetrados com o fim de prejudicar o cidadão. No entanto, assim como a retirada de um símbolo religioso de um tribunal não configura ameaça à liberdade religiosa, a presença do crucifixo jamais curou a célebre cegueira de tantos doutores da lei.

02 abril, 2012

o lugar da voz e a voz no lugar


A técnica do melisma ainda divide opiniões. Alguns acreditam que é um recurso de ornamentação da melodia que mostra o domínio técnico do cantor; outros pensam que se trata meramente de exibicionismo vocal.

Particularmente, acho que a técnica do melisma está ficando cansada. Em bom português, já deu o que tinha que dar. Não estou dizendo que o melisma será abandonado. Mas o esgotamento da técnica talvez possa aparar as arestas e deixar o canto mais límpido e simples.

O ponto central para o cantor é o lugar da voz, é onde inserir um recurso técnico. Os maus imitadores não sabem aonde colocar a voz e abusam do melisma. E aí, cada fim de frase, é um volteio; cada curva, uma cantada de pneu.

O melisma vem de longe. A música judaica é cheia de melismas. O canto gregoriano é também um canto melismático (como na gravura acima). O melisma árabe ou o melisma da black music americana podem ser usados na música cristã? Sim. O melisma pode se tornar um maneirismo chato e abusivo? Sim.

Muita gente diz que o uso do melisma reduz o louvor a um mero show e que os solistas abusam da liberdade para exibir todo seu virtuosismo. Alguns recomendam que o mais adequado é o canto simples entoado sem esforço e com clareza na pronúncia das palavras. 

Quando o anasalamento da voz é exagerado e a dicção é distorcida, de fato, certas palavras soam incompreensíveis. Clareza é absolutamente necessária. Muitos cantores americanos costumam distorcer a pronúncia de várias palavras. Ao cantar em português, alguns cantores brasileiros tentam reproduzir essa prática, mas raramente soa conveniente. Em geral, a atenção do ouvinte é desviada para a estranheza da pronúncia e, não raro, aquele trecho vira alvo fácil de piada e imitação de trejeitos.

Por outro lado, é bem provável que os críticos que acusam o melisma de ser uma exibição gratuita de virtuosismo apreciem a desenvoltura de um violinista ou de um pianista quando estes improvisam floreios e volteios em um hino ou em uma peça erudita. Parece que, quando há demonstração de habilidade instrumental, isso é excelência técnica, e quando há demonstração de habilidade vocal, então isso é exibicionismo profano.

Lembremos a oportunidade em que o cantor Leonardo Gonçalves foi convidado para cantar num show de Ed Motta. Ambos cantaram a belíssima música que Stevie Wonder fez para a filhinha (“Isn’t she lovely?”). Como todos sabem, Stevie Wonder nunca pode enxergar a própria filha, mas agradeceu a Deus pelo presente maravilhoso (aqui, a tradução da música). Ao final da canção, Leonardo e Ed começaram uma espécie de duelo de melismas.

Todos foram criticados: o cantor, o melisma e a canção.

Curioso como até mesmo quando um músico como Stevie Wonder faz uma canção em que agradece a benção divina da paternidade, certos evangélicos, em vez de elogiarem sua lembrança de Deus, só deram atenção ao estilo musical do qual não gostam!

Na mesma época, o violinista Paulo Torres, spalla da Orquestra Sinfônica do Paraná (e como Leonardo Gonçalves, também um artista cristão), acompanhava o cantor Andrea Bocelli em concertos na TV. Desnecessário dizer que não houve críticas.

Quando o cantor demonstra uma técnica apurada, ele é visto como um “surfista da voz”. Mas, e como ficam os surfistas do piano, da flauta, do violino?

As diferentes reações aos dois episódios que mencionei deram a impressão de que o direito ao virtuosismo é concedido exclusivamente aos intérpretes e instrumentistas de música erudita. Ao intérprete de música popular, reserva-se o direito de ficar calado.

Mas há uma diferença que eu gostaria de comentar. Essa diferença não está no estilo musical e nem na sinceridade do cantor ou do instrumentista. Está no “aonde”. Em que local é apresentada e para que se destina determinada música?

Leonardo Gonçalves e Paulo Torres foram ao terreno de reconhecidos cantores: o palco. Dentro da proposta de cada espetáculo, ambos se saíram muito bem. Mas digamos que eu fosse um pianista de verdade e que Ed Motta me chamasse para um duelo de improvisação ao piano. Certamente a qualidade da minha performance seria criticada, mas não o fato de eu demonstrar minha técnica pianística.

Diferente, porém, é o propósito da música feita por um cantor ou um instrumentista na igreja. O terreno é o púlpito. Nesse caso, sempre cabe a velha máxima: “Para a glória de Deus e o deleite dos irmãos”. Deus deve ser glorificado por meio da performance de um músico, o que inclui excelência técnica (de acordo com o talento e o esforço de cada um) e sinceridade do coração em louvar a Deus. As pessoas que ouvem devem ser elevadas espiritualmente e enlevadas artisticamente, o que nos faz voltar aos requisitos da excelência e da sinceridade.

Mas excelência e sinceridade não bastam. É preciso não só a consciência do lugar da voz na música, mas também da voz adequada para o lugar. 

Durante o ofertório, costuma-se apresentar música instrumental. Não penso que seja hora de fazer um medley de um noturno de Chopin com um hino. Mas é possível apresentar um hino tradicional ou uma canção contemporânea tocada ao modo erudito (ou em estilo contemporâneo que concorde com o que a congregação espera ouvir na liturgia do culto). Durante uma música cantada ao final de um sermão pastoral, não há razão inserir floreios vocais. Seria o mesmo que um pianista ficar fazendo glissandos e trinados como “fundo musical” de um apelo.

Ao participar dos momentos musicais de sua igreja, o músico cristão não pode perder o senso adequado do lugar onde está e do propósito da adoração. Ter sempre um cântico no coração nem sempre é suficiente. É preciso ter consciência da maneira mais apropriada de entoar um cântico para tantos corações reunidos no mesmo lugar.