08 maio, 2015

II Guerra Mundial: 8 filmes, 70 anos depois


8 de maio de 1945: há 70 anos, os combates da II Guerra terminavam na Europa, enquanto no Extremo Oriente a guerra ainda prosseguia. Para lembrar o Dia da Vitória (conhecido como o Dia V), deixe um pouco de lado de lado a fantasia da vingança de Bastardos Inglórios, o chororô de O Menino do Pijama Listrado ou qualquer filme de guerra com o Nicholas Cage e veja essa lista de 8 filmes sobre a II Guerra que provavelmente você ainda não assistiu.

[Antes da lista, quero lembrar que há 30 anos eu e o Kelvin Ferreira, dois pré-adolescentes filhos de professores num internato no Amazonas (IAAI), fomos sabatinados sobre a II Guerra pelo colégio inteiro numa tal de capela cultural. Mesmo sendo dois devoradores de bibliotecas, não tínhamos respostas para todas as questões, mas as que tínhamos teriam nos levado longe num Show do Milhão.rs]


Patton – O controverso general Patton foi até suspenso pelo alto comando por afligir seus soldados, mas era um estrategista tão genial e temido pelo inimigo que foi deslocado para uma missão fake com o único objetivo de despistar os alemães antes do desembarque das tropas aliadas (este evento passou para a história como o Dia D, não vamos confundir as letras). 


Quando voam as cegonhas - Jovem casal separado pela guerra. Se a premissa é comum, sua filmagem é incomum. Uma atriz incrível e uma fotografia fantástica, com ângulos inusitados e expressivos. Emocionante relato sobre as angústias e a força das mulheres que ficaram para trás na guerra.


A ponte da desilusão – No fim da II Guerra, um grupo de adolescentes alemães é subitamente recrutado para proteger uma ponte. A convocação deles acentua a insensatez de todas as guerras. Belo e trágico.


O Barco – E o ponto de vista dos alemães? Este filme se passa quase que inteiramente dentro de um submarino alemão, cuja tripulação não é constituída por demônios enlouquecidos, mas por seres humanos obedecendo a ordens e tomando decisões que envolvem riscos mortais inclusive para si mesmos. Ação e reflexão da loucura da guerra sem nenhum minuto entediante.

Roma Cidade Aberta – Uma cidade italiana lutando contra o exército inimigo com as únicas armas que lhe restam: a solidariedade e a abnegação em prol da liberdade. Representada por uma mãe coragem, um padre defensor dos direitos e um jovem grupo de resistentes, o filme é um milagre de técnica e emoção rodado com parcos recursos no calor da guerra.


Fugindo do Inferno – Irônico e épico ao mesmo tempo, narra com extremo vigor o plano de fuga de soldados confinados por nazistas num campo de prisioneiros. Atuações, montagem e trilha sonora primorosas.


A infância de IvanUm órfão de 12 anos serve de espião russo na II Guerra e vemos como a infância e a inocência são destruídas pela maldade da guerra dos adultos. Extraordinariamente bem filmado, tem um final sublime.
 



Noite e Neblina – O documentário francês Noite e Neblina (1955) foi o primeiro filme a enfocar o Holocausto. Utilizando imagens de arquivo que registraram as atrocidades nazistas contra os judeus, o diretor Alain Resnais alterna essas cenas absurdamente cruéis com imagens dos crematórios e campos de concentração, alterna o preto-e-branco de corpos jogados em covas coletivas com imagens coloridas das câmaras de gás vazias. O diretor procura os oficiais nazistas que perpetraram tamanho horror e ouve a mesma resposta deles: “Não sou o responsável”. Mas então, de quem é a culpa? Com apenas 32 minutos de duração, sem fotografia glamourosa, sem música lacrimogênea, esse filme deixa na mente a indignação e, principalmente, a avaliação de que um grupo social pode ser vitimado por meio do poder político e com a cumplicidade da maioria da população. 

22 abril, 2015

a lei musical da selva depois de 22 abril de 1500

Quando alguém gritou “Terra à vista” naquele de abril de 1500, os tripulantes de Pedro Álvares Cabral não faziam ideia de como seria a música dos nativos da terra de Santa Cruz. A primeira música que os exploradores ouviram quando chegaram aqui pode não ter sido a música da primeira missa rezada por esses lados do Atlântico. Pode ter sido um canto indígena.

O escrivão Pero Vaz de Caminha anotou isto em carta a El Rey: “Eles [os índios] folgavam e riam, e andavam com ele muito bem ao som da gaita ... dançaram e bailaram sempre com os nossos, ao som de um tamboril nosso...”

A epístola de Pero Vaz aos portugueses já adianta que o processo de submissão cultural dos nativos os levaria a praticar obrigatoriamente a música “dos nossos”, a música luso-europeia.

Os padres jesuítas, desde sua chegada em 1549, empregavam o canto como instrumento de catequese nas aldeias indígenas e seus aprendizes participavam das atividades musicais em missas e ofícios.

Imbuídos da missão de salvar as almas indígenas, eles utilizaram o canto e a prática instrumental para ensinar os princípios e valores cristãos, fazendo uma substituição de temas e melodias na prática musical dos nativos. Era assim que trabalhava o padre Aspilcueta Navarro, que, segundo o relato do padre Manuel da Nóbrega, “faz[ia] cantar aos meninos certas orações que lhes ensinou em sua língua”.

Mas já havia quem se queixasse da prática de colocar letra cristã em melodia da terra. Em carta de 1552 ao padre Manuel da Nóbrega, o bispo Pedro Sardinha reclamou que os meninos entoavam “cantares de Nossa Senhora em tom gentílico” [gentílico ainda era uma expressão usada para diferenciar cristãos e gentios ou não cristãos].

O padre Manuel da Nóbrega respondeu que uma forma de atrair os índios era “cantar cantigas de Nosso Senhor em sua língua e pelo seu tom”.

No fim, venceu o modelo de evangelização que recrutava as almas dos índios ao mesmo tempo em que descartava sua cultura musical. Assim, três anos após a chegada dos jesuítas, o método de catequese em que um texto cristão em língua indígena, como o tupi, era cantado com uma melodia também indígena foi proibido, passando a ser permitido apenas o método que utilizava um texto cristão em tupi cantado com melodia europeia, a música “dos nossos”.

Nesse sentido, as seguintes linhas da saudação angélica em tupi só poderiam ser cantadas com melodia europeia:
Sancta Maria Toupan su eieruré demembouira supé
tigburon oreue, ore memoan angat paua supé.
Emona ne toico Iesus.

Ao atribuir caráter pagão às sonoridades indígenas, exploradores e evangelizadores tiveram um bom motivo para promover a iniciação dos nativos em lições de instrumentos e melodias mais associadas à música sacra europeia. Ao mesmo tempo em que os índios ganhavam machados e violas do colonizador, eles se distanciavam de sua prática musical de origem.

Se a história se repete, ela se repete com variações, tendo em vista as interdições musicais modernas e o caso da proibição colonial de se cantar texto cristão com música nativa. Na nova lei da selva brasileira, prevaleceu a música do mais forte.




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Extraí as citações dos livros:
CASTAGNA, Paulo. Música na América Portuguesa. In: Moraes; Saliba. História e Música no Brasil. São Paulo: Alameda, 2010.
HOLLER, Marcos. Os jesuítas e a música no Brasil Colonial. Campinas: Editora Unicamp, 2010. 


16 abril, 2015

uma imagem que vale mil canções: história da música dos adventistas


A história da música adventista no Brasil passa obrigatoriamente pelos músicos nessa foto, tirada num encontro de músicos no Rio de Janeiro:
1ª fila, da esq. para direita: Mário Jorge Lima, Williams Costa Junior, Jader Santos
2ª fila: Evaldo Vicente, Valdecir Lima, Lineu Soares, Flávio Santos
3ª fila, à direita: Alexandre Reichert Filho

[Não conheço o trabalho de Wilson Almeida e Horly de Oliveira, na 3ª fila, da esquerda para direita. Por isso, vou mencionar somente os demais músicos].
No final dos anos 1970 e início dos anos 80, tendo como epicentro o Instituto Adventista de Ensino (hoje, UNASP-SP), eles viabilizaram uma mudança de paradigma sacro-musical que impactou a estrutura musical e poética tradicional e mobilizou um novo modelo de prática musical para as igrejas adventistas no Brasil.

Trata-se de uma foto carregada de capital simbólico, visto que reúne uma geração espetacular de letristas, maestros, instrumentistas, compositores e arranjadores que deram novos rumos à música dos adventistas. Além disso, em conjunto com a formação musical, eles também tinham domínio da teologia da igreja, o que lhes tornava especialistas na transposição da Palavra para a formato musical. E mais: eles atuavam, ou já haviam atuado, profissionalmente a serviço da instituição adventista, o que lhes dava "licença para modificar" (ainda que com restrições, impostas ou autoimpostas).    

Algumas mudanças geradas por esses músicos:

1) Linha melódica: as canções de pequenos saltos melódicos, tradicionais da canção rural americana, a qual era predominante nas coletâneas de música sacra adventista até o final dos anos 1970, foram gradualmente substituídas por músicas com maiores saltos entre as notas, próximos do lirismo musical brasileiro. Observe o início de um cântico composto nos anos 70: “Mãos” (Williams Costa Junior), em que a melodia estável é subitamente interrompida por um salto (em vermelho). 



A canção “Sorriso” (Lineu Soares/Valdecir Lima), dos anos 80, traz saltos melódicos bem mais amplos e só no final da estrofe o compositor interrompe a sequência de saltos.


Em suas composições, Costa Junior e José Geraldo Lima usavam notas de passagem que não fazem parte da tonalidade da canção, o que também é uma novidade que será adotada por outros músicos adventistas (principalmente aqueles que estiveram sob a benfazeja “jurisdição” musical de Costa Junior no IAE da década de 1980, como os músicos na foto - na época, também passaram por ali Jael Enéas e Wanderson Paiva).

Para ficar com dois entre tantos exemplos, veja as notas destacadas em círculos verdes nos trechos das partituras das canções  “Mãos” (acima) e “Conhecer Jesus” (abaixo). Nesta, as notas fá sustenido, sol sustenido e si natural não fazem parte da escala de Fá Maior, a tonalidade da canção. 


2) Harmonizaçãoesses compositores imprimiram na canção adventista nacional as harmonizações mais refinadas da MPB. As transições harmônicas mais elaboradas que já vinham sendo praticadas desde a bossa nova, no início dos anos 1960, foram incorporadas gradualmente pelos músicos adventistas nos anos 1970 e consolidadas na década de 1980. Houve um corte em relação aos corinhos norte-americanos, de estrutura harmônica mais simples e de poucas transições de acordes (como, por exemplo, nos cânticos "Caminhando", "(Estou) Seguindo a Jesus" ou "Lado a Lado").

Uma observação rápida: não se deve subestimar a influência do trabalho erudito de John Peterson com suas cantatas cristãs, e também do músico adventista Wayne Hooper, que desde os anos 1960 já inseria transições harmônicas mais complexas nos arranjos do quarteto King's Heralds, cujas músicas foram base das gravações do quarteto nacional Arautos do Rei por longo tempo. 

Observação 2: vários integrantes da foto foram diretores musicais dos Arautos do Rei ou fizeram música para o quarteto.

Observação 3: a formação vocal de quarteto passou a interessar mais aos adolescentes e jovens dos anos 80 com o quarteto Unipaz (com várias músicas de Flávio Santos e letras de Mário Jorge Lima e Valdecir Lima) e nos anos 90 com as mudanças harmônicas, instrumentais e (enfim, Brasil!) étnicas realizadas por Jader Santos no quarteto Arautos do Rei.

Essa harmonização mais rica tinha a ver com os interesses musicais dos compositores, mas também tinha relação com a nova melodia de suas canções, que pareciam exigir acordes mais complexos. Veja logo acima a sequência de acordes da canção "Conhecer Jesus".

Essa sofisticação harmônica já estava presente na composição “Conversar com Jesus”, de Alexandre Reichert Filho. Em 20 compassos, este corinho desprovido de refrão exibe maior desenvolvimento melódico-harmônico do que os cânticos estrangeiros que integravam as coletâneas adventistas até então. Nela, há vários procedimentos harmônicos (assinalados em vermelho na partitura abaixo) que sustentam a breve melodia.


 3) Integração de letra e música: na década de 80, Flávio Santos e Valdecir Lima lançaram a canção "Deus sabe, Deus ouve, Deus vê", cuja harmonia refinada e recheada de transições de acordes só encontra paralelo na sofisticação de sua letra. A canção começa em tonalidade menor (Si menor), o que reforça o clima de introspecção sugerido pelo início da letra ("você que se sente pequeno,..."). Mas, ao final, com os versos assertivos "Deus sabe, Deus ouve, Deus vê", a canção termina com um acorde maior (Ré Maior) na última palavra da letra ().

Todo o percurso lírico de angústia individual e inferioridade existencial, acompanhado de transições de acordes que evitam até o final a resolução de harmonia, é encerrado com a afirmação de segurança num Deus que sabe e cuida de todas as coisas. Essa segurança se reflete musicalmente por meio da finalização da música com um acorde maior, sugerindo estabilidade psicológica ao indivíduo que ouve a canção. E nossa escuta musical ocidental está acostumada com um acorde perfeito maior no final de uma música como sugestão de estabilização e resolução.

A busca pela integração entre letra e música não era uma novidade absoluta para a época. Novidade foi o tratamento mais rebuscado dessa interação entre palavra e som musical. Compare-se as canções da coletânea "Melodias de Vitória", dos anos 1950, com aquelas do álbum "Eu Sei de Alguém", anos 80.

Nesta última, as composições de Mário Jorge Lima para voz solista já celebram esse novo tratamento, em que a linha melódica sinuosa, cheia de curvas, discretamente à brasileira, encontra paralelo no refinamento poético da letra. Já na coletânea dos anos 50, o tratamento musical é distinto, não somente por causa da diferença de época, mas também devido à origem social e geográfica dos autores estrangeiros, ainda que estes compartilhassem da mesma fé dos brasileiros.

4) Atenuação/defasagem do ritmo: embora estivessem no chamado país do samba, e o hinário oficial de sua igreja estivesse recheado de ritmos populares norte-americanos (marchas e baladas rurais), o grupo de compositores da foto acima não adotou os gêneros de raiz nacional, como o samba, o frevo, o baião, a música sertaneja. No entanto, houve uma notável alteração rítmica. Canções no estilo de marcha militar (o cancioneiro adventista até os anos 1970 apresenta bastante canções nesse estilo rítmico) deram lugar a canções animadas, porém, sem ênfase na marcação binária militarizada, e a cânticos com defasagem rítmica em relação aos corinhos estrangeiros.

No meu entender, essa súbita atenuação do ritmo não se deve a uma suposta conscientização antimilitarista em pleno governo militar (anos 70-80), mas sim, à formação musical erudita e à nacionalidade daqueles músicos. Sua formação clássica pode ter influenciado uma busca por maior ênfase na melodia e na harmonia (e no arranjo orquestral), enquanto sua nacionalidade brasileira os posicionava mais ao lado da sutileza melódica e refinamento harmônico da bossa nova do que da ênfase rítmica e facilidade melódica das marchas militares e das canções country.

Como exemplo dessa defasagem rítmica, temos o cântico “Agora”, que foi o hino oficial do IV Congresso MV (Missionários Voluntários) realizado pelos jovens adventistas em 1973. Nesses eventos, os cânticos temáticos oficiais geralmente possuíam tonalidade maior, andamento acelerado e uma quase inevitável marcação rítmica marcial. A inovação de Costa Junior esteve em empregar tonalidade menor (Mi menor), andamento rítmico lento e cadências do ciclo harmônico das quintas (assinaladas em vermelho na partitura):





É claro que o breve resumo que fiz aqui não dá conta da contribuição desses músicos. Seriam necessárias muita página e paciência do leitor para que fosse examinada essa vasta obra.

Curiosamente, ao longo dos anos eles continuaram compondo em parceria. Dá até pra dizer que eles são uma espécie de "Segunda Escola do IAE" (na "Primeira" constariam os nomes de Flávio Garcia, Joel Sarli e Elias de Azevedo, entre outros. Estes foram menos compositores inovadores e mais tradutores/versionistas, regentes e cantores que estimularam a cena musical adventista a partir do seu local de estudo/trabalho).

Certamente seu trabalho musical inovador e de alta qualidade artística é incontornável e espero que esses poucos exemplos musicais tenham dado um vislumbre do cenário de alteração das formas musicais e de permanência do conteúdo teológico. De fato, as melodias curvilíneas, as harmonias refinadas, a poesia requintada das letras, os arranjos de piano mais elaborados (muitos desses músicos são excelentes pianistas) estavam a serviço da teologia da igreja.

Possivelmente, houve vozes resistentes àquelas mudanças, mas foi assim que a Igreja Adventista teve nesses músicos um veículo de transmissão moderno dos conteúdos teológicos tradicionais.

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Esse texto foi escrito com informações da minha tese de doutorado "A Mensagem na Música: estudos de Teomusicologia sobre os cânticos dos Adventistas do Sétimo Dia" (UNESP, 2014).
Esse trabalho está em fase de revisão e atualização para, quem sabe, publicação neste ano.


24 março, 2015

os pontos fracos do livro digital


10 razões pelas quais o livro digital não entusiasmou ainda os universitários:

1. Os livros necessários não estão sempre disponíveis no formato digital

2. Eles não são tão acessíveis (o valor dos livros não caiu tanto e o aparelho leitor não é barato)

3. Você não pode emprestar ou revender a maioria dos livros digitais

4. Há uma sensação estranha na anotação em um e-book

5. Os livros digitais são pesados (em tamanho de estocagem) também

6. Existem melhores conteúdos digitais disponíveis na web

7. Os estudantes universitários de hoje cresceram usando livros tradicionais

8. Os e-books oferecem uma experiência de leitura diferente (em um estudo, os que leram uma versão impressa de um mesmo texto pareceram ter maior compreensão do conteúdo, lendo-o mais rápido, do que o grupo que leu uma versão digital)

9. Encontrar os livros é uma caça ao tesouro (em função da falta de padronização de formatos)

10. Os estudantes esperam mais da edição digital (ferramentas sociais, possibilidade de usar dispositivos da web)

Outros dados da pesquisa:

- 11% dos universitários já compraram livros digitais (os e-books)

- Se têm a opção entre um livro impresso e um livro digital, 76% dos estudantes ficariam com o livro no suporte tradicional

- Somente 8% dos estudantes entrevistados tinham um aparelho leitor de livros digitais (o e-reader)

- 60% deles disseram aprender melhor com um livro no formato impresso do que com um livro digital

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NNP: a pesquisa data de 2012. Três anos depois, é preciso verificar se a adesão dos universitários ao livro-texto digital aumentou ou não.
Texto original no blog Online Universities, com o título "10 Reasons Why Students Aren’t Using eTextbooks" .
Boa parte da tradução copiei do blog MidiasEducação.

16 março, 2015

democracia digital virou ditadura

O jornalista André Barcinski escreve sobre os novos e infelizes rumos que nossa sociedade tem tomado em relação à cultura e à arte (a íntegra do texto está aqui):
"Lembro bem quando começaram a pipocar os primeiros artigos sobre a tal “democracia digital”. O futuro, diziam, seria um novo Renascimento, uma época de cultura e informação gratuitas e acessíveis a todos.
Um cineasta de Xapuri poderia ligar o laptop e enviar seu longa-metragem para um festival em Berlim. Músicos estariam livres da “escravidão” das gravadoras e poderiam vender suas músicas diretamente aos fãs. Todo mundo teria infinito acesso a livros e conhecimento.
 Vários estudos foram publicados sobre o tema. Em 2008, o editor da revista de tecnologia “Wired”, Chris Anderson, lançou um livro muito influente, “A Cauda Longa”, em que dizia que a imensa oferta de produtos na Internet acarretaria uma democratização de vendas e de informação.
Segundo Anderson, artistas mais famosos continuariam vendendo muitos discos, mas os menos conhecidos se beneficiariam com a “cauda longa”, em que a cultura e economia “se afastariam de um foco em um número relativamente pequeno de ‘hits’ (‘sucessos’) e rumariam para um número imenso de nichos de mercado”. Resumindo: no mundo da democracia digital, os “pequenos” sobreviveriam muito bem.
Não precisou nem de sete anos para a cauda longa de Chris Anderson virar cotoco.
Um livro recém-lançado nos EUA, “Culture Crash – The Killing of the Creative Class" (“O Assassinato da Classe Criativa”), de Scott Timberg, mostra que não só as previsões otimistas dos arautos da democracia digital estavam erradas, como aconteceu justamente o contrário: o mundo experimenta, hoje, uma ditadura cultural e um monopólio da informação como nunca se viu. E a ignorância só aumenta.
Alguns dados de “Culture Crash”:
- Em 1982, os músicos que formavam o 1% dos mais ricos da profissão nos EUA ganharam 26% das receitas com shows. Em 2003, o 1% levou 56% da grana de shows.
- Em 2005, 13,3% dos CDs lançados no mundo venderam mais de mil cópias. Em 2010, esse percentual caiu para 6,26%. Dos 75 mil discos lançados no mundo inteiro em 2010, apenas mil venderam mais de 10 mil cópias, o menor numero já registrado.
- Em 1986, 31 canções chegaram ao topo das paradas dos EUA. Elas eram de 29 artistas diferentes. Entre 2008 e 2012, só 66 canções chegaram a número um. E quase a metade era de seis artistas: Katy Perry, Rihanna, Flo Rida, Black Eyed Peas, Adele e Lady Gaga.
- Das 100 revistas mais vendidas nos Estados Unidos, apenas duas cobrem arte.
- Nos últimos 15 anos, cerca de 80% dos críticos e repórteres de arte de jornais norte-americanos perderam os empregos.
- Em 2001, dez sites respondiam por 31% do tráfego na Internet. Hoje, representam mais de 75%. Mesmo assim, a imensa maioria das matérias jornalísticas publicadas na web vem de jornais da “velha mídia” (em algumas pesquisas, 95%).
- Nos últimos oito anos, empregos para arquitetos, fotógrafos e designers caíram, em média, 25%.
- O interesse por literatura e artes nas universidades nunca foi tão baixo.
- O ganho médio de músicos é 30% mais baixo do que há dez anos.
Os dados são relativos aos Estados Unidos, mas certamente refletem a realidade geral.
A verdade é que as pessoas nunca leram tão pouco e tão mal, nunca se informaram tão mediocremente, e têm cada vez menos interesse por música, livros e cinema que não estejam no “mainstream”.
Existem artistas independentes que conseguem usar a Internet para divulgar seus trabalhos e têm carreiras de sucesso? Claro que sim. Mas Timberg mostra que, proporcionalmente, são poucos, e cada vez menos. Quem realmente se deu bem com a "democracia digital" foram as empresas de tecnologia, que usam complexos algoritmos para "guiar" e "personalizar" as buscas de cada usuário na web. Toda a utopia do "futuro digital livre" só serviu para enriquecer ainda mais Zuckerberg e amigos".

23 fevereiro, 2015

O Oscar é a sessão de terapia de Hollywood


O Oscar é a sessão de terapia de Hollywood. É só conferir os premiados de Melhor Filme de cada ano:

Em 2010, “Guerra ao Terror”: filme de baixo custo, dirigido por uma mulher, sobre o sofrimento dos “nossos soldados” no Oriente Médio. O concorrente e perdedor mais forte era “Avatar”, filme de altíssimo custo dirigido por quem? James Cameron, ex-marido da diretora de "Guerra ao Terror".

Em 2011, “O Artista”, filme que homenageia o estilo das comédias do cinema mudo.

Em 2013, “Argo”, filme em que produtores de Hollywood salvam “nossos cidadãos” sofrendo no Oriente Médio.

Em 2015, “Birdman”, reciclagem de críticas à Hollywood que sempre faz a comunidade hollywoodiana rir de si mesma. Depois das duas horas de filme, o efeito passa e eles voltam a se levar a sério.

A Academia também adora premiar filmes com temas “importantes”.

Em 2009, a farsa dos irmãos Coen sobre um judeu ou a farsa de Tarantino para matar Hitler não tinham chances perto de “Guerra ao Terror”.

Em 2010, o retrato acachapante da geração facebook (“A Rede Social”) e o incrível “Toy Story 3” perderam para “O Discurso do Rei”, filme em que um personagem Real vence suas próprias fraquezas.

Só pra lembrar que 'A Rede Social' fala de Mark Zuckerberg, um personagem real que a essa altura conhece as nossas fraquezas.

Em 2012, nem o realista “Amor” nem o espiritual “As Aventuras de Pi” nem Steven Spielberg filmando a vida de Abraham Lincoln conseguiram deter a vitória de “Argo”.

No ano seguinte, “12 Anos de Escravidão” mostrava um retrato impiedoso do escravismo. Se não fosse um filme com méritos artísticos talvez não ganhasse o prêmio máximo. Mas quem seria o coração de pedra que não lhe daria o Oscar?

Outro padrão de comportamento dos membros da Academia é premiar atores e atrizes que interpretem um personagem com alguma doença ou deficiência.

Essa tendência não é ruim quando se premiam grandes performances , como Dustin Hoffman vivendo um autista em "Rain Man" ou Daniel Day-Lewis em "Meu Pé Esquerdo".

Mas às vezes fica a impressão de que os membros votantes acreditam que as interpretações que imitam os personagens reais são muito superiores às interpretações que criam um personagem.

Pra ficar só nesse ano, o Oscar de melhor ator foi para Eddie Redmayne interpretando Stephen Hawking, e o prêmio de melhor atriz foi para Julianne Moore vivendo uma personagem que sofre do mal de Alzheimer.

O Oscar é ou não é uma sessão de terapia?

19 fevereiro, 2015

meu filho e eu em A Grande Troca

Uma vez contei a um amigo escritor, Denis Cruz, as agruras do meu filho João Felipe na sua infância intolerante à lactose. Ele descreve essa história na Inspiração Juvenil publicada esse ano pela CASA. Me emocionei ao lembrar do sofrimento que foi aquele tempo, do choro do Jofe nos exames, no garoto que não podia comer o que os outros garotos comiam. Isso me consumia terrivelmente. 
Admito que em meu desespero, eu não orei lá com muita paciência; briguei com Deus mesmo. Já o meu garoto reclamava, claro, mas quase sempre entendia tudo com uma incrível altivez. 
Ficou realista e bonito, Denis. Obrigado.

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A grande troca
Quinta, 19 de Fevereiro


Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2:17, ARA

João Felipe era um garoto que não podia ingerir qualquer alimento que contivesse leite, como queijos, pizzas ou doces. Seu corpo não desenvolveu a enzima lactase, que é capaz de digerir o açúcar presente no leite. Por isso, ele só podia tomar leite de soja, um alimento que, para uma criança, não é instantaneamente agradável.

Eu conheci Joêzer, o pai de João Felipe, e ele me contou que nos aniversários dos amigos, o garoto não podia comer das várias guloseimas disponíveis. Do bolo da festa, então, nenhum pedaço! Ele tinha que levar o próprio bolo.

João Felipe enfrentou seringas, agulhas, laxantes e remédios. Fez exames de pele, sangue, suor e passou por uma cirurgia. Chorava antes e depois de cada uma dessas intervenções; porém, conseguiu superar tudo isso.

Um dos momentos mais difíceis dessa jornada ocorreu quando esse pequeno herói tinha 11 anos. Para submeter-se a um exame mais sério, ele precisou ficar três dias sem comer. João Felipe só podia beber água. Não podia tomar nenhum suco ou sequer uma sopa.
O pai sofreu com o filho. Foi muito difícil ver seu garoto chorando e querendo se alimentar. Nesse momento difícil, Joêzer refletiu e orou: “Se pudesse, eu trocaria de lugar com ele. Meu Deus, não tem como eu trocar de lugar com meu filho?”

Joêzer não pôde assumir o lugar de João Felipe, mas eu conheço um Pai que assumiu o sofrimento e, inclusive, a morte de Seus filhos.
A humanidade foi condenada à destruição quando Adão e Eva comeram do fruto da árvore proibida (Gênesis 2:17). No entanto, Deus providenciou uma maravilhosa substituição. Por meio de Jesus Cristo, Ele trocou de lugar conosco para que não sofrêssemos a morte eterna. Fez o que o Joêzer e muitos pais que veem seus filhos sofrerem não podem fazer.

Você tem um Deus que morreu em seu lugar, e não há forma melhor para entender isso que ler o texto de João 3:16: “Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o Seu único Filho, para que todo aquele que nEle crer não morra, mas tenha a vida eterna.”


Na história da redenção, o Pai, por intermédio de Seu Filho Jesus, sofreu a morte que merecíamos. Aceite hoje essa grande troca!

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Hoje, o Jofe tem 16 anos e está muito bem de saúde e de cabeça. Não resisti e postei esse vídeo de 8 anos atrás, quando meu filho mais velho fazia o barítono, o Jofe fazia o 1º tenor e eu atrapalhava no 2º tenor. Eu brincava chamando o trio de "Dois Filhos de Joêzer":