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as canções de Alexandre Reichert

Alexandre Reichert Filho foi diretor musical do quarteto Arautos do Rei no período de 1972 a 1980. Exímio pianista, marcou época como arranjador e compositor do quarteto, mas pouca gente sabe que ele também é autor de cânticos para a juventude da década de 1970 que foram bastante populares.As canções jovens de Reichert primavam por dois aspectos: facilidade melódica e requinte harmônico. Combinando a simplicidade da melodia à sofisticação da harmonia, Reichert trouxe um sopro de novidade à música cantada pelos adventistas na época. Selecionei, aqui, apenas três amostras.O cântico Conversar com Jesus tem apenas oito versos. Sua melodia também aparenta simplicidade. Em 20 compassos, este corinho desprovido de refrão exibe maior desenvolvimento melódico-harmônico do que os cânticos estrangeiros que integravam as coletâneas adventistas até então. As canções jovens “importadas”, como “Estou seguindo a Jesus” e “Caminhando”, apresentavam a referência harmônica e a marcação rítmica da música…
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o dia mais gospel dos reis do rock

Depois de estourar nas rádios com a canção BLUE SUEDE SHOES, Carl Perkins foi gravar algo novo no estúdio da Sun Records, em Memphis. O iniciante cantor Johnny Cash foi lá assisti-lo. Quem também estava chegando no estúdio era o jovem Jerry Lee Lewis, uma aposta para o fim daquele ano de 1956. Quem o levou foi o dono da Sun Records, o lendário Sam Philips. Lendário porque este era o homem que descobrira Elvis Presley um ano atrás. Aliás, no meio da tarde, Elvis passaria no estúdio só para uma visita, pois já era um astro internacional e agora gravava na poderosa gravadora RCA Victor.
Foi assim, por mera coincidência, que o dia 4 de dezembro de 1956 marcou um inédito encontro dos quatro cantores. Conversa vai, música vem, de repente os quatro estavam numa sessão improvisada de sucessos do rythm and blues, do country, do nascente rock and roll...e do gospel.
Assim que Elvis chegou com sua namorada, Perkins interrompeu a gravação. Eles começaram a papear e rir, até que Elvis foi para o pi…

o adventista Little Richard

Foi num sábado que faleceu aos 87 anos o mais famoso ex-aluno da universidade adventista Oakwood College: o cantor Little Richard. Ele mesmo, um dos pioneiros do rock, que cantou sucessos como "Tutti Frutti" e "Good Golly Miss Molly", o homem do inconfundível wop-bop-aloo-bop-alop-bam-boom.
Assim como vários outros cantores, Little Richard foi criado nos bancos de igrejas evangélicas da América. No auge do sucesso, em 1957, se sentindo em falta com sua fé e passando por problemas financeiros, anunciou que estava deixando tudo para se tornar pastor. Pesou nessa decisão um incidente em que uma forte turbulência afetou a aeronave onde ele viajava e Richard disse ter visto luzes brilhantes de anjos protegendo o voo, o que ele tomou como um sinal de Deus.
Ele, então, foi estudar em Oakwood e durante cinco anos só gravou música gospel. Durante esse período, ele participou de uma campanha evangelística ao lado do pregador adventista E. E. Cleveland. Na ocasião, a revista R…

los perfeccionistas musicales #5 - o homem que calculava síncopes

O HOMEM QUE CALCULAVA SÍNCOPES

Certa manhã, o mestre se retirava do templo quando um homem o interpelou:
- Mestre, hoje contei 89 síncopes no louvor 'Vinde às Águas' e 137 em 'O Melhor Lugar do Mundo'?

Ao ouvirem a palavra "síncope", alguns publicanos desmaiaram de terror. Outros tantos se aglomeraram em torno do mestre a fim de ver se o que ele responderia estava de acordo com a tabela de Regulamentações e Proporções da Boa e Verdadeira Música. A maioria, entretanto, seguiu seu caminho para casa, pois era gente simples que tinha mais o que fazer.

Os que ficaram, ouviram do mestre:
Síncopes, tétrades, terça menor, anacruse...São apenas elementos estruturantes da música. Ai de vós que contam síncopes no templo e engolem correntes de whatasapp em casa. Por que vos detêm em terraplanismos musicais? Credes vós que não há síncope em vossos cânticos tradicionais e que os Arautos do Rei só acentuam sílabas no tempo forte da música? 

Outro homem então perguntou:
- Mes…

Nabucodonosor e a música da Babilônia

Quando visitei o museu arqueológico Paulo Bork (Unasp - EC), vi um tijolo datado de 600 a.C. cuja inscrição em escrita cuneiforme diz: “Eu sou Nabucodonosor, rei de Babilônia, provedor dos templos de Ezágila e Égila e primogênito de Nebupolasar, rei de Babilônia”. Lembrei, então, que nas minhas aulas de história da música costumo mostrar a foto de uma lira de Ur (Ur era uma cidade da região da Mesopotâmia, onde se localizava Babilônia e onde atualmente se localiza o Iraque). Certamente, a lira integrava o corpo de instrumentos da música dos templos durante o reinado de Nabucodonosor.

Fig 1: a lira de Ur
No sítio arqueológico de Ur (a mesma Ur dos Caldeus citada em textos bíblicos) foram encontradas nove liras e duas harpas, entre as quais, a lira sumeriana, cuja caixa de ressonância é adornada com uma escultura em forma de cabeça bovina.
As liras são citadas em um dos cultos oferecidos ao rei Nabucodonosor, conforme relato no livro bíblico de Daniel, capítulo 3. Aliás, nesse mesmo cap…

a malandragem de por a culpa na raça

Essa foto antiga de um elegante ancião negro é provavelmente a última fotografia em vida do maior dos escritores brasileiros: Machado de Assis. Na época, ele era o presidente da recém-fundada Academia Brasileira de Letras e havia publicado algumas obras-primas. Mas... para algumas pessoas, a grandeza literária e a dedicação ao trabalho não caracterizam a etnia de Machado. Para elas, deve ter havido malandragem no caminho... Se a fala recente do general Hamilton Mourão distinguindo a malandragem como um componente típico dos africanos, e por tabela, dos afro-brasileiros, lhe parece reacionária e coisa de um passado vergonhoso, lembre que esse pensamento ainda representa muita gente. Essas atitudes que reduzem etnias a uma categoria cultural negativa estão fortemente enraizadas no nosso tal “Brasil cordial”. Veja o que escreveram o crítico literário José Veríssimo e o embaixador Joaquim Nabuco sobre Machado de Assis quando o escritor faleceu em 29 de dezembro de 1908. Veríssimo, no Jornal…