22 junho, 2016

o ano em que os cristãos cantaram com entusiasmo


 

 “Mas é fato que havia naqueles dias um poder que foi chamado de canto do Advento [Advent singing], como não se sentiu em nenhum outro. Pareceu-me que nem mãos nem pés se moveram em toda a multidão até que eu terminasse todas as palavras desta longa melodia. Muitos choraram, e o estado de sentimento foi mais favorável para a introdução dos solenes assuntos daquela noite”.

Populista, emocionalista, demagogo: já podemos começar com as críticas a esse pregador suspeito de usar a música para comover as pessoas. Mas o fato é que esse relato está nas memórias de Tiago White (Life Incidents, 1868, p. 94-95). O cântico citado por ele é “You Will See Your Lord A-coming” (Você verá o Senhor voltando), cuja longa melodia ele costumava cantar antes de pregar. Surgida durante o movimento milerita, a letra dessa música simples reforçava a expectativa pela iminência do advento: 


Você verá o Senhor voltando
Você verá o Senhor voltando
Você verá o Senhor voltando
Dentro de poucos dias

Trata-se de um cântico bastante entoado durante e também depois do movimento milerita dos anos 1840. Esse hino está registrado no atual hinário adventista norte-americano (Seventh-day Adventist Hymnal, nº 438), mas não consta nos hinários adventistas brasileiros, talvez porque o sabor histórico do hino tenha mais sentido ao paladar da terra natal do adventismo.

O entusiasmo gerado pela proximidade do retorno de Cristo para o ano de 1844 parece ter encontrado nos cânticos do advento um elemento propulsor da maneira mais viva de se cantar. Joseph Bates, outro pioneiro do adventismo do sétimo dia, descreveu uma entusiástica reunião campal milerita: “No domingo, havia cerca de dez mil pessoas no acampamento. A pregação clara e solene da segunda vinda de Cristo, e as fervorosas orações e o canto animado dos novos hinos do Segundo Advento, acompanhados pelo Espírito de Deus vivo, enviou emoções tais através do acampamento, que muitos gritavam de alegria” (The Autobiography of Elder Joseph Bates, 1868, p. 265).

Os cultos das reuniões campais eram mais informais. A maneira entusiástica de se cantar os hinos, entremeadas com as típicas exclamações de “Glória” e “Aleluia”, era uma herança do metodismo, denominação que formava boa parte do movimento milerita-adventista. Tamanha demonstração de entusiasmo não surpreende, visto que o próprio John Wesley, pai do metodismo, encorajava a participação do fiel durante o canto congregacional. Nas orientações para o canto que ele anexou ao hinário Select Hymns, de 1761, Wesley estimulava os fiéis a cantar “sem mais vergonha de ser ouvidos, como quando vocês cantavam as melodias de Satanás”. O que Wesley pretendia era que as energias outrora despendidas em canções seculares e profanas fossem canalizadas para o canto entusiasmado na igreja ou em outros lugares.

Não se pode omitir que o reavivamento espiritual e a esperança do advento produziram um fervor popular sem precedentes. E mesmo que alguns líderes mileritas advertissem suas congregações quanto a demonstrações de fanatismo, havia facções que tendiam à histeria. Nas reuniões campais que aglomeravam milhares de pessoas, os apelos à conversão e os sermões sobre a proximidade do juízo final suscitavam reações coletivas que misturavam o fervor com a euforia, e muitas pessoas se atiravam ao chão.

Tiago White observou excessos emocionais em Watertown, Massachussetts, no verão de 1844, relatando “movimentações estranhas” e pessoas gritando em voz “alta e incessante como se fossem cavalos”. No entanto, se o ardor espiritual que ele notou parecia sobrecarregado de excessos físicos e emocionais, ele demonstrou ter outra opinião sobre a forma entusiástica de entoar as músicas do Segundo Advento: “A reunião [em Exeter, outubro de 1842] foi grande, com tendas numerosas, pregava-se de forma clara e poderosa, e as melodias do Segundo Advento possuíam um poder como nunca antes testemunhado em canções sacras” (Life Incidents).

A expectativa do iminente retorno de Jesus foi a tônica do louvor congregacional no início do movimento adventista. Hoje, quem aguarda o retorno de Cristo e quem tem a missão de anunciar o evangelho do Reino está ligado ao cordão umbilical dos seus pioneiros. Eles não mediam esforços para cumprir a missão nem mediam entusiasmo para entoar um cântico.

10 maio, 2016

a teologia em Batman vs. Superman


Alguns críticos têm apontado que os super-heróis estão substituindo Deus na mentalidade contemporânea. Esse pessoal ainda crê piamente que, depois de um filme do Superman, os espectadores sairão mais descrentes na Bíblia, mais crentes no super-herói, e com uma louca vontade de comprar pipoca e coca-cola.

O Superman não está substituindo Deus. Nem se trata de substituição, mas de metáfora. Sim, uma metáfora como as crônicas de C. S. Lewis e a Terra Média de Tolkien. Nem toda metáfora do cristianismo é coerente ou convincente, mas é fato inegável que as pessoas gostam de narrativas, símbolos, parábolas, metáforas, enfim, de boas histórias que recontem suas histórias preferidas.

Outros críticos disseram que os novos heróis são os antigos deuses gregos repaginados. No entanto, um ateniense - ou um romano - não aceitaria um deus que habita entre os humanos e que ainda dá a vida por eles. O filósofo Lucien Jerphagnon ressaltou a constatação do apóstolo Paulo de que Cristo era loucura para os gregos: “Então [diriam os gregos], nas ruas de Jerusalém topava-se com um deus, quando se ia às compras? Um mago, até que era possível. Mas um deus e, além disso, que morreu crucificado?” (A tentação do cristianismo, p. 23).

Para gregos e romanos, a presença de um Superman caminhando por Metropolis e se sacrificando pelas pessoas também seria um completo absurdo. 

O que chamou minha atenção no filme Batman vs. Superman: a origem da justiça foi a exploração teológica da figura do super-herói, pois tenho interesse em observar como os temas sagrados são mediados pela cultura, e não apenas pela religião. 

Batman vs. Superman levanta questões éticas e religiosas, como os direitos e o raio de ação de um super-herói (ele não está circunscrito às leis e deveres dos cidadãos comuns?) e a onipotência e a bondade de Deus. Mas a frase que incomodou algumas pessoas foi esta: “Se o homem não matou Deus, então o diabo vai matá-lo”. Elas interpretaram essa fala como a presunção pós-moderna de eliminar Deus. Mas por que a perplexidade? Nietzsche já filosofara que “Deus está morto, nós o matamos”. E os próprios cristãos acreditam num conflito cósmico em que o diabo está empenhado em destruir Deus – ou no mínimo, a imagem de amor associada à Ele.

No filme, porém, quem quer matar “Deus” é Lex Luthor, o vilão. Não seria muito mais coerente, então, interpretar que o Mal representado em Luthor é que pretende exterminar Deus?


O filme não perde oportunidade de criar uma interessante iconografia de Superman como um tipo de Cristo. Não com cenas de demonstração de força e poder, mas com quadros de salvamento [como a imagem acima]. Mais uma vez, isso não é substituição, mas uma representação do sagrado cristão mediada pela cultura da mídia. É evidente que essas representações estão sujeitas a críticas, porém, dizer que elas usurpam o lugar de Deus na mentalidade humana é querer dar à religião a exclusividade no manuseio dos temas sacros.

Outros viram um engodo no fato de que o último adversário a ser derrotado pelos super-heróis se chama Doomsday ou Apocalipse. Para vencê-lo, Superman precisará fazer um sacrifício impossível de ser feito por um ser humano ou por qualquer outro super-herói. Aí vem a queixa: “Isto é uma contrafação, pois Cristo não é derrotado no Apocalipse...” Amiguinho, qual a parte que você não entendeu quando falei em metáfora?!

Em relação às questões éticas do filme, Superman também vive no mesmo contexto midiático e de conturbações geopolíticas que os humanos. Suas ações públicas agora são questionadas em programas de TV. Alguns dizem: “Ele está entre nós, devemos viver sob esse novo paradigma”. E outros o rejeitam: “Volte pro seu mundo, não precisamos de você”.

A angústia de ser rejeitado transforma o Superman otimista em um super-homem de dores. Ele até tenta se afastar das pessoas, mas seu cuidado desinteressado e sobre-humano aflora no seu amor pela mãe, por Lois Lane e pelas frágeis criaturas humanas. E então o vemos cumprir sua missão. É quando ele dá um beijo em Lois como quem beija o mundo e se despede dizendo “Este é o meu mundo” como quem diz “Essa é a minha missão”.


Uma crença que fundamenta a fé cristã é o túmulo sem corpo, a tumba vazia que anuncia que Cristo não está ali. Diferente da narrativa bíblica, no filme há túmulo e homenagens após a morte do Superman. Mas há também um caixão vazio: “Se quiser ver o seu monumento, olhe ao redor”, diz o letreiro. A teologia da morte substitutiva de Cristo pelos humanos poucas vezes foi tão explícita como aqui.

Essa é a suma do que realmente importou para mim nessa história: o Superman veio do espaço, foi criado por um casal de humanos e ao crescer saiu de casa para cumprir sua missão. Fecha a metáfora: já que os atuais filmes baseados em histórias bíblicas fazem um Deus à imagem e semelhança do homem, as HQs constroem super-homens à semelhança de Deus.

Hollywood funciona segundo a lógica do entretenimento e do capital. E às vezes, a religião que não se pode conter, a história que não se pode deixar de contar, parece escapar do controle dos técnicos e executivos e a vida do Cristo é apresentada em milhares de salas multiplex mundo afora pelas vias tortas de um filme de super-herói.

29 abril, 2016

a ópera de Rousseau que virou hino cristão

Como uma música de Rousseau virou hino evangélico?

No Hinário Adventista do Sétimo Dia, há uma música chamada “A Escola Sabatina”. Trata-se de uma versão cujo original está no hinário adventista norte-americano (Seventh-Day Adventist Hymnal) com o título “Long Upon the Mountains”. As letras de cada uma dessas versões são bem diferentes, mas a melodia é a mesma, “Greenville”, e o autor da música também: Jean-Jacques Rousseau. O que nos surpreende é que Rousseau foi um filósofo iluminista, sem associação com igrejas cristãs. Então, como essa melodia foi parar nos hinários evangélicos?

É preciso voltar a 1752, ano em que Rousseau estreou sua pequena ópera “Le Devin Du Village” na corte francesa do rei Luís XV. Essa ópera fez tamanho sucesso que o próprio rei, que não gostava de música, passou a cantarolar trechos da ópera e teria até oferecido ao autor uma pensão vitalícia. Aliás, prontamente recusada por Rousseau.

A melodia que está no hinário é simplesmente a adaptação de um trecho instrumental dessa ópera. Antes de chegar aos hinários, essa mesma melodia foi intitulada como “O Sonho de Rousseau” em duas coletâneas de música publicadas pelo inglês Thomas Walker em 1819. Se você já está achando essa história extravagante, mais curioso é o fato de que essa adaptação acabou se tornando um sucesso popular infantil no Japão e até hoje é peça frequente em recitais de alunos iniciantes de violino.
A primeira versão cristã da melodia de Rousseau apareceu em 1823 com o título “Sweet Affliction” numa coletânea de música sacra (Collection of Church Music) editada pelo compositor protestante Lowell Mason e financiada pela Sociedade Handel e Haydn da cidade de Boston. Seguindo o costume da época de utilizar uma mesma melodia para hinos diferentes, a melodia de “Sweet Affliction” serviu de base musical para diferentes letras de hinos: “Come, Thou Fount of Every Blessing” (letra de Robert Robinson), “In the Floods of Tribulation” (letra de Samuel Pearce), “Gently Lord, oh Gently Lead us” (de Thomas Hastings). Presente em diversos hinários evangélicos do século 19, essa melodia ainda recebeu títulos diferentes como “The Days of Absence”, “Absence” e “Importunity”.

No hinário editado por Lowell Mason, o título do hino era “Sweet Affliction” e a melodia não era mais chamada de “O Sonho de Rousseau”, mas sim “Greenville”. No atual hinário adventista norte-americano, o título é “Long Upon the Mountains”, mas a melodia é a mesma “Greenville” (imagem ao lado). No hinário adventista brasileiro, o hino é intitulado como “A Escola Sabatina”, e a melodia base é “In Sweet Communion”. Bem, qualquer semelhança com o título “Sweet Affliction” dificilmente é mera coincidência.

Mas, e naquela época, ninguém se incomodou de cantar uma música cujo autor era um filósofo iluminista? Provavelmente, não.

Primeiro, porque havia pouca preocupação dos evangélicos com a origem da música. De acordo com Gilbert Chase (Do salmo ao jazz, p. 143), qualquer música que agradasse ao gosto da época poderia ser adaptada à letra de um hino.

Em segundo lugar, vários compositores protestantes norte-americanos consideravam que a música clássica europeia era o padrão musical a ser imitado pela música cristã daqueles dias. Lowell Mason era membro da Sociedade Handel e Haydn e, não por acaso, o longo subtítulo da sua coletânea sacra de 1823 era: “Uma seleção dos mais aprovados salmos e melodias, junto com muitos belos trechos de obras de Haydn, Mozart e Beethoven, e outros eminentes compositores, ...”. Numa rápida busca pelo índice de compositores do seu hinário, você vai encontrar esses nomes e os de outros músicos eruditos que tiveram maior, menor ou nenhuma associação com o cristianismo, entre eles, Jean-Jacques Rousseau. Aliás, Rousseau era iluminista, mas não era ateu, e sim um deísta. O que dificilmente vai melhorar sua imagem diante dos evangélicos teístas.
  
Em resumo, os editores dos hinários estavam interessados em melodias que todos pudessem aprender facilmente. Adotar uma melodia bastante conhecida facilitava o ensino de um novo hino num período sem o recurso das gravações. Diante disso, a origem da melodia e a vida de seu autor tinham menor importância. Era uma época em que o repertório evangélico estava em formação, sendo pequeno o número de compositores e grande a vontade de louvar a Deus.

Em pleno século 21, a bonita melodia de Rousseau se tornou tão sacra e tradicional quanto “Castelo Forte”. Algumas pessoas podem até achar que ela deve representar o padrão melódico e rítmico a ser imitado pela música cristã de nossos dias. De todo modo, a prática de adaptar conhecidas melodias seculares a letras cristãs foi abandonada.  

A adaptação da melodia de Rousseau se trata de um recurso que foi útil em certo momento histórico. Mas esse recurso estava relacionado a outro contexto, a outra maneira de lidar com a cultura e também tinha outro sentido, bem diferente do contexto e da cultura adventista contemporânea.

As histórias dos hinos nos ajudam a perceber que o hinário, mais que uma coletânea de música sacra, serve também para nos lembrar das tendências musicais e dos recursos encontrados pelos crentes para adorar a Deus em diferentes épocas e lugares. As formas e práticas musicais mudam. Permanece a vontade de louvar a Deus, “porque Ele é bom e a sua misericórdia dura para sempre” (salmos 106,107,118 e 136). 


 * Com informações do artigo de Edward Green, “Reconsidering Rousseau’s Le devin du village”, Ars Lyrica, 16, 2007; e  The New Harp of Columbia.

22 abril, 2016

Prince: testemunha dos sinais dos tempos

Toca a campainha, você vê que é uma Testemunha de Jeová, mas atende assim mesmo porque vê que é o Prince. Isso mesmo, desde 2001 Prince era adepto da igreja dos Testemunhas de Jeová e tinha o hábito de bater de porta em porta como é costume dos fiéis da igreja. Talvez até entregasse às pessoas um exemplar da revista Sentinela.

Prince disse em entrevistas que começou a "estudar a Bíblia" e a sua "vida mudou bastante". "Foi aí que voltei ao meu nome anterior. Um amigo ajudou-me a olhar para a Bíblia de uma maneira muito prática e ignorar todo o dogma. Apenas queria uma simples e clara ligação com Ele". Prince dizia que essa ligação com Deus o ajudava "em todos os aspectos da vida", incluindo a música.

Ele disse também: "Ela [a fé] vai ajudá-lo em todos os aspectos da vida. [...] e então você vai ser capaz de ver as coisas mais claramente".

Muita gente deve ter estranhado o fato de Prince declarar-se Testemunha de Jeová e ao mesmo tempo ser conhecido por condutas curiosas, como usar figurinos extravagantes, exigir ser chamado por nomes esquisitos (devido a uma batalha judicial com a Warner), por reclamar do preconceito contra as mulheres mas exigir que sua banda fosse composta só de mulheres bonitas que estivessem à disposição 24 horas por dia para ensaios surpresa em horários estranhos.

Seus irmãos de fé também podem ter estranhado certas músicas de Prince que faziam referência à cruz (os jeovistas creem que Jesus foi morto numa estaca): "Logo todos os nossos problemas serão levados pela cruz [...] não chore, ele está vindo / não morra sem conhecer a cruz".

Em outra canção, "Sign o' the times" (sinais dos tempos), Prince aborda um mundo envolvido em guerras, bombas, fome, desespero, depressão, ódio. Um caldeirão de desastres individuais e planetários que aponta para sinais do retorno de Cristo - o contraria a crença jeovista de que Cristo já teria voltado em 1914.


O álbum que contém essas referências cristãs é Sign o' the Times, lançado em 1987. Ao se tornar jeovista, Prince pode ter abandonado essas crenças compartilhadas por evangélicos como os adventistas do sétimo dia. Não por coincidência, Prince frequentou a Igreja Adventista na infância (e mais tarde a Igreja Batista).

Uma indicação de que ele adotou preceitos dos jeovistas é que ele não celebrava datas de aniversários e nem votava: "Não voto porque sou uma Testemunha de Jeová e nós nunca votamos. Mas isso não quer dizer que eu não tenha uma opinião...", disse certa vez, antes de elogiar Barack Obama.

[Outros famosos praticantes jeovistas são as irmãs tenistas Serena e Venus Williams e o guitarrista George Benson. Entre os músicos que frequentaram a igreja na infância estão Janet Jackson, e seu falecido irmão Michael]

Por outro lado, no álbum Planet Earth, de 2007, Prince continuou enviando sinais de sua fé (The One U wanna C – “Aquele que você quer ver”) e falando dos sinais dos tempos, como na faixa “Lion of Judah”:

Como o Leão de Judá
Vou abater meus inimigos
Assim como o meu Deus vive
Certamente a trombeta soará

Muitos popstars americanos tiveram forte ensino religioso na infância. Quando adultos e com a carreira consolidada, alguns deles se voltam contra a religião, talvez por traumas, talvez pela percepção da hipocrisia de tantos religiosos. Para outros, a religião da infância lhes é indiferente. Outros popstars tentam retomar de alguma forma a religião. Com todo o aparato de polêmicas, Prince parece ter pertencido a este último grupo.


(Com informações de "Prince, a mais famosa Testemunha de Jeová", Correio da Manhã; e "Prince: balancing faith and stardom, Religio: http://religiomag.com/prince-balancing-faith-and-stardom/).

18 abril, 2016

qual a trilha sonora do Congresso?


Vote na trilha sonora mais adequada para o Congresso:
( ) Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
( ) Enquanto os homens exercem seus podres poderes
( ) Eu presto atenção no q eles dizem mas eles não dizem nada
( ) Mas o que eu quero lhe dizer é que a coisa aqui tá preta
( ) Plunct, plact, zum, não vai a lugar nenhum
( ) Se gritar pega ladrão
( ) A gente somos inútil
( ) Bichos, saiam dos lixos
( ) E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
que está contribuindo com sua parte para nosso belo quadro social
( ) Este é um país que vai pra frente, ôôôôô

( ) O estandarte do sanatório geral VAI PASSAR

Não sei vocês, mas agora vou pegar minha viola, vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar.

16 fevereiro, 2016

por que gostamos de repetição na música?

O padrão de repetição da música não é exclusividade da música popular ocidental. A repetição de uma célula rítmica ou de uma sequência melódica está presente nas práticas musicais de diferentes regiões do mundo. Parece ser algo inerente ao reconhecimento e apreciação de música. Confira no vídeo [com legendas em português]:



04 fevereiro, 2016

música secular na igreja


MÚSICA SECULAR NO CULTO
reportagem de Thiago Chagas, no Gnotícias
[meus comentários estão em negrito]

"Há, ao redor do mundo, uma nova tendência que surge entre igrejas evangélicas: usar músicas seculares como parte da liturgia durante os cultos. Em geral, as canções escolhidas possuem letras que não contradizem a fé cristã, mas a ideia não passou livre de polêmicas.

"No Brasil, a ideia não demorou a ser abraçada. No Facebook, o bispo Hermes C. Fernandes, que lidera a igreja Reina (Rede Internacional de Amigos) costuma compartilhar vídeos de momentos de louvor e adoração permeados com músicas seculares nacionais, numa iniciativa chamada de “Rastros da Graça”. Entre os intérpretes escolhidos estão Luiz Gonzaga, Raul Seixas e Lulu Santos, além de alguns cristãos, como Rebanhão e Oficina G3.

[cantar Raul Seixas no culto parece um ato realizado sem reflexão. Não se nega a relevância de sua obra musical, mas encaixotar Raulzito na igreja deve ser a última coisa que ele queria na morte]

"Em seu blog, Fernandes defende a iniciativa como forma de enxergar sinais do favor divino em toda a expressão humana, mesmo que essa não seja pautada pela fé: “Os puros hão de perceber sinais de esperança dentro da cultura. Rastros inequívocos da graça que nos fazem apostar que um novo mundo começa a emergir diante dos nossos olhos. Enganam-se os que pensam que por estarmos cantando canções seculares nos cultos, estamos traindo nossa fé e introduzindo o mundo na igreja. Não! Estamos apenas trazendo nos lábios sinais de esperança”, argumenta.

[muito músico popular acaba atuando como uma espécie de sacerdote secular, confortando e advertindo o público com canções de esperança, mudança e fraternidade. Mas essas músicas servirão ao propósito litúrgico de edificar a igreja e adorar a Deus?]

"No entanto, a ideia não tem unanimidade e recebe críticas. O pastor Renato Vargens, líder da Igreja Cristã da Aliança, comenta que, mesmo reconhecendo a graça comum sobre toda a humanidade, e ciente de que é possível ver a manifestação de Deus em uma música não religiosa, o culto é momento de adoração ao Pai.

“Antes de qualquer coisa é preciso afirmar que não sou dualista sacralizando algumas atitudes e comportamentos, bem como demonizando outros. Aliás, como reformado, acredito que Deus estabeleceu o conceito de graça comum, e que esta é a fonte de toda cultura e virtude que encontramos entre os homens. Isto é, em outras palavras […] significa que Deus em sua infinita graça e bondade concedeu aos homens a capacidade de fazer coisas boas, dentre as quais podemos enumerar os talentos para a arte, música, oratória, literatura, arquitetura, comércio, invenções e etc”, contextualiza Vargens.

[Vargens fala acertadamente como Paul Tillich, o teólogo da cultura que dizia que é um equívoco supor que a graça divina esteja presa à religião para poder influenciar a cultura e a sociedade]

Para ele, “o fato da graça comum ser uma doutrina no meu ponto de vista inquestionável, isso não me dá o direito de entoar canções seculares no culto”, pois estas “não foram compostas para a glória de Deus”, e sim, pensadas “exclusivamente no bem estar humano”.

"Listando outros motivos pelos quais se opõe à execução de músicas seculares durante os cultos, Vargens observa que elas “não servem para adoração congregacional, visto não terem sido compostas por alguém regenerado pelo Espírito Santo”.

[aqui discordo de Renato Vargens. O sinal de que alguém foi "regenerado pelo Espírito" é o batismo, é a frequência a cultos, é ter um cargo na igreja? Esses seriam somente sinais externos de uma regeneração que pode nem ter acontecido ou não estar sendo vivida]

Ele explica: “Nessa perspectiva o mesmo que entoa uma canção cuja letra dignifica Deus ou as causas do reino, é o mesmo que canta cânticos com impropérios e blasfêmias absolutamente antagônicas ao modelo de adoração ensinado pelas Escrituras”.

[de fato, não é porque Renato Russo cantou uma urgente mensagem de amor e compreensão  baseado em Coríntios 13 que se entoará a canção Pais e Filhos no culto. também não é porque Bono Vox canta que acredita na vinda do Reino que se irá cantar Still Haven't Found What I'm Looking For no final do sermão. tais canções possuem um forte componente religioso, mas não são litúrgicas nem foram feitas para o culto cristão, ainda que reforcem determinados temas cristãos]

"Mais adiante, o pastor destaca que “o simples fato de entoá-las em nossos ajuntamentos aponta para a secularização da igreja, bem como a implementação dos valores deste mundo”, o que seria uma oposição à função do louvor na Bíblia: “Todas as vezes que louvores congregacionais foram entoados pelo povo de Deus (tanto no Antigo Testamento, como Novo Testamento), foram feitos por aqueles que o Senhor anteriormente havia salvado. Para confirmarmos essa premissa basta olharmos para o livros de Salmos e Apocalipse que não veremos um louvor sequer com músicas não compostas por crentes no Senhor”.

"Para Vargens, a nova tendência entre evangélicos é um equívoco: “Mais do que nunca devemos referendar nossas liturgias e comportamentos na infalível Palavra do Senhor, contrapondo-nos assim, a qualquer ensino que fira a santidade de Deus. Lembre-se: culto, oferecemos a Deus e não a nós mesmos! Que tem que ser glorificado é Ele!”, conclui.

[alguém pode perguntar: mas, e aquelas músicas seculares que foram adaptadas e estão nos hinários? elas vêm de um contexto bem diferente. primeiro, sua época permitia esse procedimento. segundo, emprestou-se somente o componente musical da canção. a letra foi alterada para comunicar conteúdos cristãos. aqui se está falando de músicas seculares cantadas na igreja com sua letra original] 

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Nota na Pauta: confira a íntegra das duas opiniões nos blogs de Hermes Fernandes [músicas seculares nos cultos: estaria o mundo entrando mesmo na igreja?]