30 agosto, 2009

um mês de música

No sábado à noite, dia 29, assisti a Camerata Antiqua de Curitiba tocando obras sacras de Mozart e durante quase uma hora acreditei que a música sacra erudita é um modelo insuperável. Numa apresentação irretocável, coro, orquestra de câmara e instrumentistas convidados atestaram a beleza (alegre e reverente?) da Missa Breve KV 258, composta por um Mozart de vinte anos. O Brasil imperial tinha um epígono mozartiano: o padre José Maurício Nunes Garcia, de quem a Camerata apresentou uma pequena antífona sacra composta - olha aí, ô Amadeus -, no vigor de sua adolescência, aos 16 anos.

Se, assim como eu, você é um só professor-de-marré-de-si e não foi ao concerto da Sinfônica de Israel – ingressos a R$ 400 e tantos; se você, como este web-escriba, acha que o show de Aline Barros não vale o preço que estão cobrando – R$ 600 reais o camarote para 10 pessoas; se você é daqueles que acreditam que “boa romaria faz quem em sua casa fica em paz”, então tenho o programa quase ideal para você: o imperdível site www.medici.tv.

Até 30 de setembro, estarão disponíveis e inteiramente gratuitas as apresentações do Verbier Festival. Indico especialmente os concertos do pianista Evgeny Kissin com o violinista Joshua Bell, as apresentações da fantástica pianista Martha Argerich, Kurt Masur regendo obras de Mendelssohn (atenção para o concerto para piano e orquestra nº 1 com a incrível e jovem pianista Yuja Wang). E claro que não é só isso!

O quase ideal fica por conta da qualidade de sua internet, pois o site disponibiliza os concertos no formato streaming e pode ser que haja alguns problemas de interrupção na transmissão. Então, que a força da banda larga esteja com você!

Como aperitivo, audioveja o scherzo do Quinteto op. 57 de Shostakovich, com Martha Argerich (piano), Mischa Maisky (cello), Joshua Bell e Henning Kraggerud (violinos), Yuri Bashmet (viola) interpretado no Verbier Festival de 2008:


28 agosto, 2009

para entender o gospel no Brasil

O gospel pode ser considerado um dos fenômenos culturais mais significativos do início do século XXI. Nos últimos anos, o gospel deixou de caracterizar um estilo musical de origem norte-americana para agora constituir as novas atitudes e posturas evangélicas. Mais do que música, o gospel passou a ser um modo de produção. O cantor gospel, que alguns chamam de levita ou adorador, tem se tornado não apenas o intérprete musical da mensagem evangélica, mas também passou a ser considerado um multiplicador financeiro de objetos, acessórios, roupas, eventos.
A canção gospel brasileira é multivariada: gêneros populares nacionais e estilos musicais globalizados dividem espaço nas rádios, gravadoras e lojas. Excetuando-se as canções de "Louvor & Adoração", o estilo consolidado no Brasil pelo Ministério Diante do Trono, o repertório gospel está em intensa interação com aqueles estilos de maior sucesso no repertório pop das mídias. Esse é o tema que procurei aprofundar na minha pesquisa de mestrado.
No primeiro capítulo, demonstro como as características da pós-modernidade podem explicar as novas demandas de consumo e expectativas religiosas dos evangélicos no final do século 20. No capítulo seguinte, focalizei as atividades de mercado e o crescimento midiático das denominações neopentecostais (Igreja Universal, Internacional da Graça de Deus, Renascer, Sara Nossa Terra, Bola de Neve e outras).
A seguir, faço uma análise da carreira da cantora e pastora Aline Barros, estudando detalhadamente suas canções, sua performance cênica e vocal, seu direcionamento para o repertório de Louvor e Adoração, e também a publicidade comercial que a cerca. No último capítulo, pesquisei estilos musicais que já foram marginalizados, inclusive pela mídia secular, e recentemente foram adotados em produções musicais do gospel no Brasil, como o axé, o funk e o hip hop.
Uma pesquisa honesta não pode se iniciar com o pesquisador querendo provar de antemão o que já está consolidado em seu pensamento. Isto é, não se pode começar a pesquisar já com o resultado final na cabeça, pelo menos não nas ciências humanas. Se alguém assim fizer, tenderá a torcer e distorcer aquilo que os autores que ele pesquisou de fato queriam dizer. Isso caracteriza uma infração grave de "nome feio": o erro epistemológico.
Digo isso para espanar qualquer mancha de preconceito, no sentido mesmo de pensamento pré-concebido, que alguém possa querer grudar a minha dissertação. Ao contrário, evangélicos renovados poderão entender as evidências de mercantilização da religião e da música religiosa tanto quanto os cristãos tradicionais poderão compreender o caráter historicamente dinâmico da música do cristianismo.
O título da dissertação: "O gospel é pop: música e religião na cultura pós-moderna".
O download do trabalho pode ser feito a partir do site de pós-graduação em música da UNESP:
Algumas pessoas se adiantaram a esse meu anúncio aqui no blog e se interessaram pela pesquisa. Agradeço o interesse dos pesquisadores Célio, Andria Rodrigues e Jairo.

25 agosto, 2009

inimigos públicos, amigos íntimos

Uma das amizades mais estáveis e duradouras é aquela celebrada entre o cinema e a história de criminosos. Não estou falando da interferência do crime organizado na produção de um filme, como o caso clássico e suspeito em que Frank Sinatra teria ganhado um papel relevante em A Um Passo da Eternidade (1953) com uma “forcinha” da máfia – o cineasta Francis Coppola fez uma referência nítida a esse episódio em O Poderoso Chefão.

Como Roliúdi não faz nada que o público em geral não esteja sedento por ver, de alguma forma, então, a vida bandida suscita interesse por parte da platéia. Talvez por curiosidade, a mãe de todos os pecados, talvez por fome de vingança, por desejo de ver a bandidagem no xilindró ou, em muitos casos, por querer ver a autoridade policial levar um baile dos bandidos.

Um dos primeiros filmes americanos, produzido em 1903 pelo inventor Thomas Edison, já tratava de assuntos policiais: O Grande Roubo do Trem. No entanto, foi a partir dos anos 30, quando os efeitos da Lei Seca e da Grande Depressão criaram a ocasião para o ladrão, que o cinema desenvolveu uma relação de glamourização lucrativa com os criminosos, cujos principais nomes eram chamados pelo FBI de “inimigos públicos”. Foi a época de Baby Face Nelson, do casal Bonnie e Clyde e John Dillinger, este o inimigo público nº 1.

As histórias registravam peripécias cheias de tensão e romance, que prendiam a atenção nas cenas de perseguição e morte e também mostravam o bandido com uma faceta trágica e ao mesmo tempo romântica. Compareciam ainda astros de primeira grandeza, como James Cagney, Paul Muni e Clark Gable.

No começo da era sonora do cinema, Alma no Lodo (1930) e Inimigo Público (1931) inauguraram o filme de gângster pintando o retrato da ascensão de delinquentes como empresários do crime que simbolizavam o anseio de afirmação social por meio da busca do sucesso a qualquer preço. Essa parecia ser uma caracterização inspirada tanto nos homens de negócios de Wall Street quanto nos chefões do crime. Nos anos 70, O Poderoso Chefão ressaltaria essa relação ao mostrar que os moldes da livre-empresa capitalista tipicamente norte-americana seriam adotados pela máfia italiana surgida na segunda metade do século 20, como fez a família Corleone do filme.

Voltando aos anos 30, filmes como Inimigo Público, Scarface e Vencido pela Lei apresentaram um novo modelo dos fora-da-lei. O anti-herói de ambição desmedida e torpeza moral tinha agora seus movimentos másculos encimados por um rosto de galã. Ele ganhava uma mocinha apaixonada que enxergava um lado humano que a polícia não via. O público chegava a torcer e compadecer-se com a morte do bandido galante.

O cinema não criou nada que já não existisse nos jornais da época. Em Inimigos Públicos, lançado recentemente, o criminoso/personagem John Dillinger (na pele do ator Johnny Depp na foto) tem uma noção de sua fama quando, capturado mais uma vez, vê a tempestade de flashes de câmeras que o rodeia. Essa dimensão de celebridade é realçada quando suas respostas irônicas divertem os jornalistas durante uma entrevista após ser preso outra vez. A era das celebridades midiáticas abria espaço para os marginais boa-pinta e, principalmente, de “bom coração”, já que Dillinger não atirava em gente desarmada nem roubava civis, só roubando bancos, onde estaria o dinheiro segurado dos mais ricos.

Sintomaticamente, o último cerco à Dillinger ocorreu enquanto ele assistia ao filme Vencido pela Lei (cartaz ao lado), em que o supergalã Clark Gable, o futuro Rhett Butler de ...E o Vento Levou, encarna um gângster que parece inspirado nos bandidos galantes daquele tempo. Mais que histórico, o encontro virtual de duas celebridades é cimentado pelas ações do personagem do filme, que vive para aproveitar a vida enquanto não é preso ou morto pela polícia.

Nesse ponto, já não se sabe se o cinema de gângster foi inspirado pelo mito do marginal charmoso ou se certos criminosos imitavam os marginais cheios de charme interpretados pelas estrelas do cinema. Seja como for, tanto o bandido real quanto o da telona eram lobos em pele de cordeiro, artifícios criados pela fantástica fábrica de celebridades.

24 agosto, 2009

lições de um domingo esportivo

"Só sei que nada sei" é o socrático lema de todos os humildes pensadores. E também desculpa para entregar um trabalho mal-feito na faculdade. Mas uma hora a gente tem que aprender alguma coisa, que a vida não é essa pasmaceira grega de ficar pensando e filosofando e filosofando e pensando. Afinal, pensar dá fome e filosofia não enche barriga, a menos que você seja francês ou professor da USP, e olhe lá.

Resta aos filhos deste solo abrir a mente e aprender com filósofos contemporâneos da fina estirpe de Bernardinho, Rubens Barrichello e André Lima, três seres agraciados pelo destino neste fim de semana esportivo que passou. Tudo bem, fina estirpe é um pouco demais para os dois últimos. Mas tende calma, ó leitor inclemente, dai-me a graça de vossa companhia nas próximas mal-traçadas.

Na falta de homens de boa doutrina, fica o exemplo de tranquilidade e ternura de Bernardinho. Só se for outro Bernardo, você dirá. O Bernardinho que conhecemos é o treinador que “ganha no grito”, é o técnico que vence com disciplina férrea, trabalho contínuo e inteligência tática impressionante. Sabendo que Bernardinho sempre foi reserva na seleção brasileira de vôlei e deixou de ser jogador aos 29 anos para se tornar o Pelé dos técnicos, não está na hora de você (e eu, certamente) repensar prioridades, reconsiderar o talento e aprumar as velas para outra direção?

Se Bernardinho é demais pra nós, então mudemos de exemplo. Barrichello é ou não é um cara insistente, até irritantemente insistente? Se Zagallo é o Forrest Gump do futebol brasileiro – o homem errado na hora certa, no lugar certo, com os companheiros de seleção certos –, Rubinho é a hiena Hardy da Fórmula 1 – ó dia, ó azar, ó alemão. Tudo dá errado para o piloto, sendo que ele já incorporou o personagem e sempre reclama de ser um injustiçado, um azarado. Se ele fosse uma equipe, seria o Botafogo, pois tem coisas que só acontecem com o Botafogo (clique aqui para ver uma dessas coisas). Se ele fosse uma lei, seria a de Murphy.

Ao contrário de Zagallo, Rubinho parece ser o homem errado, na hora errada, na pista errada. Às vezes, até quando está na frente, tem alguém errado atrás dele, como foi o triste caso de Felipe Massa. Eia, porém, que o piloto dos segundos lugares não se contentou em ser segundo. Quis ser o centésimo, o piloto da centésima vitória de um brasileiro nas pistas da Fórmula 1.
Neste histórico, porque atípico, fim de semana, Larissa Costa não passou da primeira fase do grid de largada do concurso Miss Universo. Em suma, a moçoila ficou só na volta de apresentação. Se fosse o Rubinho, quantas piadinhas infames você já teria ouvido? Então, caro descrente na insistência humana (eufemismo de "cabeça dura"), mire-se no exemplo de Rubinho.
Se não lhe agrada a cara e a coragem de Rubinho, resta o último exemplo. Aliás, tire as crianças da sala, pois trata-se de um exemplo nada sadio. No jogo Corinthians 3 x 3 Botafogo, o árbitro cometeu todos os ledos enganos possíveis numa partida. Apitou falta que não era, marcou pênalti que não foi e validou gol que não deveria. O nome do juiz: Arilson Bispo da Anunciação. Desde o bispo que chutou a santa na TV que não se via um Bispo fazer tão feio assim num domingo.

Mas este juiz não foi o pior exemplo do dia. No mesmo jogo, o atacante André Lima “cabeceou” uma bola com a mão e fez um gol ilícito. Não adiantou os corintianos reclamarem ao Bispo, digo, ao juiz. Tendo enganado a todos, menos ao replay, André Lima não disse que seu gol foi feito com “la mano de Diós” como certo craque argentino, mas ajoelhou-se no gramado e apontou para o alto ou para o Altíssimo, ele sabe. Agora a gente entende que esse gesto de apontar para cima depois de fazer um gol quer dizer muito pouco sobre a religião do goleador. Ou pode dizer muito, como nesse caso. Então, responda rápido: o que André Lima pensava ao se ajoelhar naquela tarde de domingo? a) “Senhor, tem misericórdia de mim, um goleador pecador. Pior: mais pecador que goleador”.
b) “Te agradeço pela cegueira do juiz e do bandeirinha e por me dar pontaria e braço comprido para bater a bola pra dentro do gol”.
c) “Que a câmara não tenha registrado meu engodo. Se registrou, que estrague a fita. Se não estragar a fita, que o juiz seja o culpado de validar o gol. Se não culparem o juiz, que minha pena seja pequena”.

22 agosto, 2009

cem palavras: se eu tivesse amor

Se tivéssemos amor, não precisaríamos da moral. Sendo esse amor autêntico, ele torna supérfluo todo imperativo categórico, regras de respeito mútuo.

André Comte-Sponville, Petit Traité des Grandes Vertus (Pequeno Tratado das Grandes Virtudes)

Ora, ora, se isso não se assemelha aos arrazoados de Paulo em I Coríntios 13 ou à resposta de Cristo a quem lhe indagava sobre qual o maior mandamento da Lei:

Ama ao Senhor Teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, com todo o entendimento. Este é o primeiro e maior de todos os mandamentos. O segundo é: Ama teu próximo como a ti mesmo.

Ver o contexto no livro de Mateus 22:34 a 40

Cristo não estava inventando uma nova lei, mas somente resumindo e reforçando o que já tinha sido revelado: o que Ele disse está em Deuteronômio 6:5 e Levítico 19:18.

Se a gente sai a dizer que o cristianismo é amor e a suprema Lei de Cristo é o amor, há quem insista em nos contrapor mostrando os lados mais desprezíveis da religião. Mas se é um filósofo que fala sobre o mesmo assunto, abrem-se os ouvidos e quem lê pensa ter encontrado a fonte da sabedoria.


19 agosto, 2009

globo e record: tudo a ver

“Por um mundo melhor: fora Globo e Record”. Este poderia ser um slogan das redes de televisão concorrentes. Entretanto, há pouco vestígio de vida inteligente tanto dentro quanto fora da órbita das duas emissoras que estão em litígio desde a fundação do tubo de imagem. O melhor da Globo é o canal Futura; o melhor da Record é atazanar a vida da Globo.

A briga entre Globo e Record é antiga e começa em meados dos anos 1960. O histórico dessa batalha encarniçada tem picos de refrega e momentos de trégua, mas nunca deixou de existir. No entanto, elas não são inimigas porque são diferentes. Ao contrário, são irmãs gêmeas separadas no nascimento.

Uma das maiores atrações da Record nos anos 60 era o modelo de festival de música popular. Dali saíram do anonimato para a glória, e da glória para o exílio, muitos dos reconhecidos compositores da canção nacional. A Record também mostrou a nova cara da Jovem Guarda, jovens artistas tidos como rebeldes na época, mas que hoje (e até naquele tempo) seriam “o genro/a nora que a mamãe queria ter”. Quando a Globo entrou em cena, os musicais voltaram à moda, embora sem o mesmo viço, já que tragava-se naqueles dias o amargo cale-se da ditadura.

Há mais: a Globo é acusada de ter nascimento bastardo, de ser filha de um acordo espúrio entre o governo militar e o clã de Roberto Marinho. E é inegável que o Jornal Nacional passou duas décadas silenciando sobre os desaparecimentos de opositores ao regime, e mesmo que uma parte destes descambasse para o terrorismo, não poderiam ser vítimas de tortura e morte promovidas oficialmente por um governo.

Contudo, nos anos 70, enquanto o telejornal global cooperava para a propagação da mentira do “esse é o país que vai pra frente”, a telenovela apurava a acidez da crítica em suas histórias de prefeitos bem-amados e corruptos. Era pouco, era ficção, mas dava-se o recado.

De outro lado, a Record é acusada de ter nascimento ilícito, de ser filha de um acordo espúrio entre o mercado e a fé dos bispos da Igreja Universal. E se a denúncia de derrama de grana proveniente do narcotráfico na compra da Record se confirmar, os líderes indiciados da Universal acabarão cumprindo o que está no evangelho dos ateus: “a religião é o pior dos males”.

A Globo transmite a missa do papa e a Record transmite a benção do bispo. Os fiéis da Universal não suportam o papo do papa, mas tratam seu bispo como infalível. Mas para liderar a audiência não se pode chutar a Santa Globo, já se sabe. Então, a Record contrata a peso de prêmio da loteria um caminhão de técnicos, jornalistas e artistas que passaram pela Globo. A receita de sucesso da rival é copiada nos mínimos detalhes, da edição dos programas aos apresentadores. Tudo a ver: nada há de novo debaixo do sol nem dentro da tela.

Veja só a que ponto se chegou na mistura intragável de fé, comércio, política e canal de TV: ambas as redes se acham o deus da comunicação e ambas chamam uma a outra de diabo.

No meio da artilharia, o espectador. A Globo quer uma audiência fiel, a Record quer um fiel contribuidor. A religião da Globo aparece três vezes por ano: no Natal, no Criança Esperança e nas novelas com bons e puros personagens espiritualistas. Começa a musiquinha, “hoje é um novo dia...”, o espectador contribui e lava a alma como nova criatura doadora. A Record varre sua religião para depois da meia-noite, hora em que seus bispos e pastores vão exorcizar todos os capetas que atravancam a vida não do descrente, mas do pouco crente. Não basta ter fé, tem que ter muita fé, fé que move montanhas de dinheiro nos estádios, nas igrejas e, segundo o Ministério Público, nos paraísos fiscais. À sua maneira, ambas as redes vão convertendo as massas. Afinal, espectador bom é espectador convertido.

A verdadeira religião nunca foi nem será o batismo de dinheiro ou a defesa insustentável de um líder carismático. Mas Deus conhece os corações honestos e sinceros dos que estão em qualquer igreja (e também fora delas). Aos fiéis que se sentirem lesados, voltem à Bíblia: “Examinai as Escrituras” – elas dão testemunho de Cristo e de Sua vontade. Talvez descubram que Deus não é esse ser mesquinho que só abençoa o homem se este encher os cofres da igreja. Deus tem um paraíso que não é fiscal e onde não há indulgências que comprem Sua justiça nem mesmo com cartão de crédito sem limites.

17 agosto, 2009

volta ao mundo em cinco notas - II

A gente bem que tenta levar o mundo à sério, mas convenhamos, com esses personagens que surgem no diário do planeta essa é uma tarefa cada vez mais difícil:



Olhos estrelados como ovos fritos, testa crispada, rosto ameaçador e uma ordem de intenções nada gastronômicas ao colega de senado Pedro Simon ("engula o que disse"). Sem dúvida, as caras e bocas colloridas estão de volta no melhor (ou pior) estilo "afasta de mim esse cale-se". Repare na expressão do homem: depois da invenção do Olhar 43, o ex-presidente e atual senador Fernando Collor inventou o Olhar 666.



A Olimpíada de Pequim e o Mundial de Atletismo de Berlim não são uma rima. Nem a solução. Os dois eventos provam que raios caem no mesmo lugar, sim. Usain Bolt bateu o recorde mundial dos 100 metros rasos por duas vezes e a saltadora brasileira Fabiana Murer perdeu e culpou a vara também duas vezes. Mera coincidência não explica, puxa vida!

Michael Schumacher adiou seu retorno às pistas da Fórmula 1 alegando "dores no pescoço". Talvez para evitar uma desculpa tão plebeia como essa para um rei do esporte, Ronaldo Fenômeno deve implantar um pescoço de Mike Tyson. Ele tá certo. A gente nunca sabe o que os blogs podem dizer se ele sair no começo de uma partida de novo.

Falando no assunto, Ronaldo, enquanto se prepara para nos surpreender de novo com seus gols, aproveitou uma cirurgia na mão para fazer também uma lipoaspiração para diminuir a redondeza de sua cintura. Porém, quem o viu encarando sem medo as pipocas e os picolés no Pacaembu no último domingo está achando que o Fenômeno logo logo vai recuperar o tempo e o peso perdidos.

Quem ou o quê poderia convencer o senador José Sarney a renunciar ao cargo de presidente do Senado? Bill Clinton, o homem que convenceu até o ensandecido ditador coreano a libertar duas americanas? Obrigá-lo a ouvir o CD gospel "As Preferidas do Bispo Macedo"? Deixá-lo sozinho e no escuro com a edição do recém-censurado jornal O Estado de S. Paulo, do qual inexplicavelmente parece ter medo?

14 agosto, 2009

quem canta, entenda

Como algumas toadas de louvor de oito versos repetidos ad infinitum (ou "ad extasis"), assim têm se mostrado ao mundo certos modelos de igrejas surgidas na esteira do neopentecostalismo e em avançada expansão: como repetições de histórias de má-fé e engodo.

Se o Ministério Público investiga, os líderes religiosos (e alguns fiéis) se dizem perseguidos pela concorrência; se outros cristãos enxergam falhas vergonhosas, os seguidores dos "bispos" dizem que só quem pode julgar é Deus. Não vou entrar no mérito da "perseguição" - que só existe no plano da concorrência midiática. O que me chama a atenção é essa pressa em repudiar todo julgamento alheio.

Quando uma crítica é dirigida a uma organização religiosa, não se está julgando senão aquilo que já está fartamente notado, investigado e noticiado. Fiados numa equivocada interpretação do famoso "Não julgueis, para que não sejais julgados", os defensores leigos dos bispos neopentecostais não admitem críticas. Ora, meus caros, apontar falhas, repreender o erro e chamar atenção para o ensino fidedigno da Palavra não é julgamento nem tampouco condenação. Além disso, não se pode esquecer que Paulo repreendeu a Pedro, Elias denunciou Acabe e Natã indicou o pecado de Davi.

As evidências de distorção da Bíblia em causa própria, a sonegação de princípios doutrinários em benefício do evangelho pragmático do milagre e do estádio lotado, a fundação de um império financeiro baseado na doação de fiéis, a cantoria que advoga a extravagância no louvor e a paixonite por Jesus: as novas atitudes do recente evangelicalismo nacional não escaparam à pena desafiadora do compositor e cantor João Alexandre, poeta do cristianismo contemporâneo que deixou a suavidade da metáfora um pouco de lado e não economizou agudas e claras referências na letra da canção É Proibido Pensar.

Ele foi acusado de estar julgando seus irmãos por causa da letra da canção É Proibido Pensar. O músico pode ter se excedido, mas certamente ele foi porta-voz de muitos cristãos que veem com dissabor o panorama geral do que um dia conheceram como cristianismo. Pergunta: de quem, de fato, vem a ofensa? Do artista que não fechou os olhos nem a boca e denuncia os modelos de crescimento eclesiástico levados adiante por muitos líderes religiosos e artistas gospel? Ou desses mesmos bispos e levitas, tão rápidos em elaborar novas estratégias de adoração e tão morosos em avançar na compreensão doutrinária?

A seguir, a letra da música (quem canta, entenda):

É Proibido Pensar

Procuro alguém pra resolver meu problema
Pois não consigo me encaixar neste esquema
São sempre variações do mesmo tema
Meras repetições

A extravagância vem de todos os lados
E faz chover profetas apaixonados
Morrendo em pé, rompendo a fé dos cansados
Com suas canções

Estar de bem com vida é muito mais que renascer
Deus já me deu sua palavra
E é por ela que ainda guio o meu viver

Reconstruindo o que Jesus derrubou
Recosturando o véu que a cruz já rasgou
Ressuscitando a lei pisando na graça

Negociando com Deus

No show da fé milagre é tão natural
Que até pregar com a mesma voz é normal
Nesse evangeliquês universal
Se apossando do céus

Estão distantes do trono, caçadores de deus
Ao som de um shofar
E mais um ídolo importado dita as regras
Pra nos escravizar.

É proibido pensar

11 agosto, 2009

mozart inédito

Mozart: o cometa mais fulgurante que atravessou o universo da música: foi visto e ouvido por pouco tempo, atribuíram-lhe sinais divinos de astro celeste (e também lhe apontaram sinais diabólicos) e, volta e meia, retorna musicalmente para encantar as novas gerações. Um cometa, sem dúvida.
Recentemente, a Fundanção Mozarteum de Salzburgo divulgou duas peças para piano, até então inéditas, que descobriram ser de autoria de Mozart. Compostas quando o geniozinho tinha só oito anos. Claro, elas não acrescentam nada de novo ao que já é fartamente conhecido. Como disse o crítico musical João Luiz Sampaio, "o que [as peças] fazem é apenas se somar a um quadro fascinante no qual o compositor segue desafiando nossa compreensão do gênio musical".
Embora sua carreira de moleque genial seja posta em dúvida - era ele mesmo que compunha aquelas peças na infância ou o autor era na verdade o seu pai músico, Leopold? -, a liberdade de criação de Mozart o isola de seus contemporâneos. Sim, todo músico classicista bebeu na fonte sinfônica de Haydn. Ok, há elementos que o ligam ao futuro Beethoven. Porém, a faceirice de suas sonatas, a vivacidade de seus concertos, a proeza técnica exigida e magnitude musical de suas óperas (sendo Don Giovanni o Everest das óperas), o colocam noutro patamar da época em que viveu.
Mozart não foi socialmente ejetado dos círculos palacianos por suas estrepolias de menino-sem-infância. Sua música contribuiu para isso. O crítico Johann F. Reichardt disse, quando Mozart tinha 25 anos, que a música instrumental de jovem Wolfgang Amadeus era "extremamente antinatural", pois era "alegre e, de repente, triste e, de repente, alegre novamente".
Muitos dizem que o Mozart tardio é bem melhor - suas últimas sinfonias e concertos. Concordo. Mas o que podíamos esperar? O garoto amadureceu; e sua música junto com ele. O que um guri pode dizer musicalmente aos 17 anos? Beethoven fez nove sinfonias e nem todas são obras-primas indiscutíveis. O que dizer de quem fez quarenta e uma? E começando na infância? Certamente o melhor de Mozart foi composto nos dez-doze últimos anos de sua curta e prodigiosa vida.
Mozart teve uma infância típica de toda criança-prodígio. Com seu pai e sua irmã Nannerl circulava pelos salões da corte europeia feito um brinquedinho circense. Do que você leu até aqui, qualquer semelhança com Michael Jackson é mera coincidência? Foi controverso quando cresceu e afirmou sua arte individual, assombrando e maravilhando as plateias, granjeando admiração e ódio. Às vezes, admiração e ódio vinham na mesma moeda, como bem retrata o ótimo Amadeus - filme que é mais um retrato da visão de amor/repulsa de Salieri em relação à Mozart que uma biografia tradicional do musico. O filme é sobre a reação à genialidade musical e não uma fonte fidedigna de fatos e boatos.
E já estou desviando do assunto. Audioveja o link abaixo. Trata-se de obras precoces do músico de quem o próprio Joseph Haydn escreveu: "... lhe digo diante de Deus e como homem honesto: seu filho é o maior compositor que conheço. Ele tem gosto e a maior ciência da composição" (carta ao pai de Mozart, 1785).


07 agosto, 2009

"Deus é amor" ou "Deus, meu amor"?

Na interpretação contemporânea do cristianismo, a concepção da majestade de Deus tem perdido espaço para a noção de um Deus mais próximo da criatura, um Deus menos rei e mais companheiro de viagem. Em oposição ao antigo conceito da divindade inalcançável, cujo aspecto mais notório foi o monumentalismo das igrejas medievais e o cantochão em latim, passou-se a outra noção de Deus, em que o aspecto central não se nota no projeto arquitetônico das igrejas, mas na forma de adoração que enfatiza uma extremada intimidade.

Essa intimidade está baseada na compreensão do cristão moderno sobre o “amor” divino e humano. Podemos dizer que a interpretação sobre esse “amor” tem sido fundamentada menos na doutrina bíblica e no relacionamento Deus-criatura e mais no romantismo idealizado e no relacionamento homem-mulher.

A Bíblia abre espaço para a representação do amor de Cristo pela igreja por meio da linguagem simbólica do romance: casamento, Noivo e noiva, noiva ataviada. Como forma de tratamento da divindade, pode-se usar também o referencial simbólico humano para o romance. Na música, isso é notado na proximidade melódica entre as baladas românticas e certas canções gospel. Desse modo, não estaria errado usar a linguagem humana do amor para retratar o relacionamento com Deus.

De outro lado, a Bíblia que concede lugar à representação romântica ideal (ou idealizada, diriam alguns), como nos Cânticos de Salomão, uma representação dos elementos passionais que envolvem um homem e uma mulher que se amam, também apresenta o amor realista, como o relacionamento de Abraão e Sara. Portanto, onde Salomão requer poeticamente virtudes físicas e românticas, a história de Abraão e Sara indica que o amor requer compromisso e sacrifício.

Qual tem sido o conteúdo das letras das canções cristãs contemporâneas sobre Deus? Qual seu sentido de “amor”? Poucos vão discordar de que, nas canções atuais, o amor sacrificial tem sido gradualmente substituído pelo amor idealizado.

Uma das expressões mais usadas nos últimos anos é "apaixonado por Jesus". Embora a paixão seja um elemento indispensável à persistência do amor, o caráter ambíguo do termo "paixão" faz lembrar também romancezinhos de verão, casos de pouca duração. Outra compreensão do termo é o sacrifício, mas o entendimento neocristão de abdicação e serviço tem exigido pouco mais que abstinência de drogas ilícitas e de sexo pré-casamento dos novos conversos.

Não apenas as canções gospel obedecem um percurso melódico identificado com as baladas românticas (prática que às vezes pode apresentar bonitas e marcantes canções, diga-se), mas as letras reforçam o que está patente na melodia (reforço elementar e até necessário, lembre-se). Problemas surgem quando a letra ressalta uma intimidade tão ambígua entre homem e divindade a ponto de confundir-se com o relato de uma paixão sensual comum.

Os exemplos a seguir mostram que parte das canções sobre Deus e sobre Cristo usam termos e expressões romantizadas que dizem muito sobre a forma de adoração contemporânea, cuja linguagem mais coloquial relativiza a visão tradicional de Deus.

Apaixonado, da cantora Aline Barros, é uma canção com referência nas alegres baladas das duplas sertanejas de sucesso. Embora a segunda estrofe da canção, ao mencionar rapidamente a morte de Cristo “naquela cruz”, explicite liricamente o motivo do adorador apaixonado, as expressões coloquiais levam alguns a perguntar se não está havendo uma confusão entre a Paixão de Cristo e a paixão romântica.

Você mudou meu jeito de pensar
Você mudou meu jeito de agir
Me deu sentido
Você está comigo
Vinte e quatro horas, e ainda assim é muito pouco

Apaixonado
Apaixonado
Apaixonado
Por você Senhor estou

Segundo Wolfgang Stefani, a música do movimento carismático indica que “o dramático e o sensual foram utilizados deliberadamente para criar uma experiência de envolvimento”. O avivamento musical evangélico que parece intensificar as cargas de dramaticidade e de afetividade sensual (não-sexual) está bem presente nas seguintes canções:

Amor Extravagante, em que David Quinlan emprega termos pouco usuais na tradição da música cristã de representação do relacionamento Cristo-fiel, como “um lugar para dois” e “embriagante” - estaria ocorrendo no meio gospel uma radicalização das propostas litúrgico-musicais de Darlene Zschech, encontradas no livro Adoração Extravagante?

O Seu amor é extravagante,
E a Sua amizade, é tão íntima.
(...)
Sendo levado, por Tua graça estou
E Tua fragrância, é embriagante quando contigo estou.
O Seu amor é extravagante.
(...)
Um lugar para dois, só eu e Você
Meu Amado e eu, só eu e Você.

Bate Forte Coração, cantada por Sula Miranda, cujas canções lançadas após sua conversão denotam similaridade musical em relação às baladas sertanejas que fizeram seu sucesso secular:

O meu amor é todo teu, você me conquistou.
Quando os teus olhos invadiram os meus
Meu coração não suportou
Com o teu jeito todo especial
Me fez abrir o coração
(...)
Bate forte coração
Um lindo sentimento este amor produz
Pra dizer nesta canção
Que este amor é Jesus

Em Pra Sempre Te Amar, Sula Miranda ressalta uma ambiguidade que torna difuso o ser amado, se a divindade ou um homem:

Lembrar do teu rosto tão lindo
Tua boca sorrindo
Me dizendo, te amo
(...)
Te amo te quero
Só em ti encontro prazer
Teu amor mudou minha vida
E trouxe alegria pro meu viver

Alguns cancionistas gospel reconfiguram a terminologia bíblica noivo-noiva para uma relação que se aproxima da fantasia sensual-romântica, como na canção O Noivo e a Noiva (Quinta Gospel):

Como o noivo e a noiva se amam,
Eu te amo Senhor,
Como o noivo e a noiva se abraçam,
Eu te abraço Senhor
Como o noivo e a noiva se tocam,
Eu Te toco Senhor

Vem Minha Noiva, do Ministério Casa de Davi:

Meu lindo Noivo, Meu lindo Noivo,
Vim Te encontrar, vim Te abraçar,
Meu lindo Noivo, Meu lindo Jesus

Se a compreensão de adoração extravagante dos ministérios de louvor tem sido, bem, extravagante, a literatura evangélica incentiva a ideia de intimidade com Deus com o uso de linguagem romântico-passional, como se nota no livro de Sam Himm, Beijando a Face de Deus: “Nunca perca a simplicidade de apenas apaixonar-se por Jesus e de simplesmente mandar um grande beijo para Ele” (p. 67).

Da interpretação bíblica e profética de que "Deus é amor" os novos conversos são estimulados a dizer "Deus, meu amor". Em certo sentido, a expressão "apaixonado por Jesus" equivale a dizer "Jesus é dez!" ou "sou 100% Jesus". Não são expressões incorretas, mas traduzem o espírito de evangelismo desses tempos, em que a compreensão tradicional da santidade de Deus e de reverência é confundida com frieza e formalismo e busca-se substituí-la pelo emocionalismo da pseudointimidade.

03 agosto, 2009

o evangelho segundo o gospel

No começo deste ano, a Revista do Conservatório da UFPel (RS), publicou meu artigo "O Evangelho Segundo o Gospel: mídia, música pop e neopentecostalismo". Nesse trabalho, constam as linhas principais da minha pesquisa de mestrado sobre a música gospel no Brasil: cultura, canção pop e pentecostalismo. Com subcapítulos como, mídia e o gospel no Brasil, o gospel e a sacralização do pop, abordo o fenômeno da música da religiosidade cristã contemporânea, observando principalmente a relação da indústria fonográfica gospel com as estratégias e operações do mercado fonográfico da assim chamada mídia secular. A seguir, algumas considerações extraídas do texto (ao final, indico novamente o link para o artigo completo):

"A música gospel tem sido um destacado vetor de divulgação da renovação religiosa promovida pelo neopentecostalismo. No estudo da música cristã contemporânea no Brasil, este artigo analisa a integração e a similaridade da canção gospel em relação aos modelos da canção pop quanto às formas de elaboração musical, performance, difusão comercial e midiática e recepção pública.

"Disseminado como um estilo musical no começo do século passado, o gospel encontra seu apogeu no Brasil na última década do século XX ao transpor as fronteiras de origem norte-americana, ser devidamente globalizado pelo cristianismo contemporâneo e tornar-se marca de uma nova cultura cristã. O universo do gospel não consiste apenas de músicas e letras que abordam temas religiosos cantados por músicos evangélicos. Nos primeiros anos do novo século, o gospel revela- se a estrutura da tecnologia e do mercado evangélicos que se desenvolveram em seu entorno e, sobretudo, faz parte das novas atitudes e condutas cristãs geradas a partir das transformações religiosas e culturais experimentadas na dinâmica da pós-modernidade.

"A integração dos músicos neopentecostais à modernidade tem sido marcada pela adoção de gêneros musicais de sucesso popular, como o funk, o rock, o forró, o pagode. Esses estilos são introduzidos pela renovação musical cristã, que se sustenta tanto na reprodução dos gêneros musicais nacionais quanto na adaptação de tendências musicais globalizadas, em um processo que acompanha a diversidade dos estilos musicais divulgados pelos meios de comunicação de massa".

Continue lendo...

ou clique no link para fazer o download completo do artigo disponível gratuitamente: http://www.ufpel.edu.br/conservatorio/revista/artigos_pdf/artigo09.pdf.


Nota: Este artigo é uma reelaboração e expansão das ideias estudadas no artigo "Canção Gospel: trilha sonora do cristianismo na pós-modernidade", publicado, em diferentes versões, nos anais do Congresso-2007 da ANPPOM-Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música (disponível aqui) e também na revista Acta Cientifica (2008) do UNASP - Centro Universitário Adventista.