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Mostrando postagens de Fevereiro, 2010

jovens, belos e mortos

Não é de hoje que a juventude tenta eternizar-se morrendo em plena flor da idade. Lord Byron já preconizava: morra jovem, viva para sempre. Nos anos 60, o hit da banda The Who proclamava “I hope I die before I get old [espero morrer antes de envelhecer]”. Essa canção tem o emblemático título My Generation.
O poeta morto aos 37 anos, Arthur Rimbaud, é também símbolo do artista que "extrai a rica seiva da existência vivendo intensamente toda a loucura da vida", ou então, só vivendo la vida loca. Acho que foi outro poeta, Paulo Leminski, que disse que se Rimbaud vivesse hoje ele seria um roqueiro. Difícil discordar em face de tanto roqueiro amargurado que anda nas cabeças e anda nas bocas das velhas e novas gerações.
O mundo tem visto algumas dezenas de artistas rimbaudianos (e também algumas centenas de suicidas medíocres) levados inexoravelmente pela morte mitificadora, seja no front de batalha, como o poeta romântico inglês Byron; seja em tragédias na estrada, como o ator Ja…

cem palavras: o tempo e o dever

Há algo mais necessário hoje do que o uso sábio do tempo? Para tudo temos a resposta pronta "Não tenho tempo". Nunca temos tempo para nada porque o tempo nos tem. A falta de tempo não janta com os amigos nem folheia livros grossos; a falta de tempo não brinca de carrinho no tapete, o que torna o pai mais íntimo do William Bonner que dos filhos.
Há mais necessidade de gente que, mais do que cumprir dignamente o dever, cumpra deveres dignos. É o que aprendo com Hillel:
Se eu não for por mim, quem o será? E quando sou por mim, o que sou? E se não for agora, quando será?
Não digais, quando eu tiver um tempo livre, vou estudar - talvez, jamais tereis um tempo livre.
Onde não houver homens, esforçai-vos para agir como um homem.
E para quem tem muita iniciativa no tempo, mas pouca "acabativa" no dever, servem as palavras do rabino Tarphon:
Não sois obrigado a concluir a obra, mas tampouco estais livre para desistir dela.

pragmatismo ou PRAGAmatismo?

Há um argumento no livro Joyful Noise, de Ed Christian, sobre a música cristã contemporânea, que pede uma reflexão: a música não deveria ser julgada por gostos pessoais, mas pelos seus frutos espirituais.Podemos ler esse argumento de dois modos. Um, pela perspectiva pragmática que parece endossar. Dois, pela modernização das estratégias a fim de tornar relevante e significativo a “velha e feliz história” às sociedades modernas.Ações pragmáticas não são intrinsecamente ruins. Elas se tornam contraproducentes quando os meios utilizados para chegar ao fim distorcem o padrão de interpretação bíblica (no caso específico, o padrão teológico adventista). Para pensar antes do culto: a visão utilitária da música como ferramenta de evangelização encontra respaldo teológico, é uma estratégia de sobrevivência no mercado das religiões ou apenas atende a procura de gratificação e liberação das pessoas?As escolas adventistas existem para quê? Existem não somente para dar aos filhos dos membros da ig…

clima: é 8 ou 80

Em São Paulo, são as águas de março (e janeiro e fevereiro) fechando o verão e o trânsito. O prefeito Gilberto Aquassab resolveu encomendar o mais novo meio de transporte para a cidade, bem mais adequado às intempéries da trovejante briga entre São Pedro e São Paulo:



Fotos cortesia amigos do Outra Leitura via e-mail.
O clima está 8 ou 80. De Curitiba à Porto Alegre, passando por Indaial (SC), o povo está que não se aguenta de calor na sauna sulista.


Charge by Kayser.

tempos modernos: modo de usar

Quantos espectadores que veem o título Tempos Modernos, em vez de lembrar-se da telenovela global homônima, saberão que se trata também de uma obra-prima de Charles Chaplin? E quantos (menos ainda, certamente) que assistem a Viver a Vida sabem que esse é também o título de um admirável filme de 1962 do francês Jean-Luc Godard? Ninguém é menos feliz por não saber de uma coisa ou de outra. Conheço gente mais feliz e mais saudável que não lembra nem do título de todos os filmes que assistiu quanto mais dos nomes dos diretores. A questão é outra. É notar como uma mensagem dotada de significado próprio pode ser tomada apenas em sua configuração superficial quando adaptada para outro meio ou para outro formato, revelando-se uma mensagem de segunda potência. “Mensagem de segunda potência” é como Umberto Eco denomina o resultado das produções da mídia que tomam uma referência particular e moldam-na de acordo com uma nova significação, geralmente com uma função consolatória e distante do origina…