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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

paula fernandes e os espíritos compositores

A cantora Paula Fernandes disse em um recente programa de TV que seu processo de composição é, segundo suas palavras, “altamente intuitivo, pra não dizer mediúnico”. Foi a senha para o desapontamento de alguns admiradores da cantora. 
Embora suas músicas falem de um amor casto e monogâmico, muitos fãs evangélicos já estão providenciando o tradicional "vou jogar fora no lixo" dos CDs de Paula Fernandes. Parece que a apologia do amor fiel só é bem-vinda quando dita por um conselheiro cristão.
Paula foi ao programa Show Business, de João Dória Jr., e se declarou espírita.  Falou ainda que não tem preconceito religioso, “mesmo porque Deus é um só”. Em seguida, ela disse que não compõe sozinha, que às vezes, nas letras de suas canções, ela lê “palavras que não sabe o significado”.
O que a cantora quis dizer com "palavras que não sei o significado"? Fiz uma breve varredura nas suas letras e, verificando que o nível léxico dos versos não é de nenhum poeta parnasiano, con…

brevíssima história da renúncia no século 21

P.S: O comandante, o fenômeno e o pontífice tinham a saúde realmente debilitada quando saíram de cena. Já o excelentíssimo passa bem, mas se quiser inventar um motivo médico e renunciar ao cargo ninguém vai reclamar, viu?

Os Miseráveis: musical de muito glacê e pouca vitamina

Duas horas e meia de um filme inteiramente cantado, infinitamente longo, politicamente ingênuo, exageradamente melodramático, musicalmente esquecível e miseravelmente chato.
Esse filme não é uma adaptação direta do livro Os Miseráveis (de 1862), e sim do musical Les Miserábles, sucesso da Broadway que fez miséria do clássico de Victor Hugo. Enquanto o livro retrata a opressão social de uma França pós-revolução, conferindo protagonismo popular aos mais pobres e dosando romance, consciência humanista e o tema da redenção, o musical põe tudo isso a perder em forma de duas ou três boas canções e muito glacê pra turista deslumbrado aplaudir.
Noves fora a brevíssima e marcante interpretação de Anne Hathaway cantando “I dreamed a dream” e um surpreendente Hugh Jackman Wolverine no papel de Jean Valjean, quase todo o restante é maçante e interminável. Pule o filme, leia o livro.