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Mostrando postagens com o rótulo TV

essa é a voz

Essa é a música, andai por ela. Depois de ouvir Lillie McCloud, você achar que uma deusa se fez carne e cantou entre nós.

PREpara que a música ainda vai ficar pior

Melhor cantor do ano: Luan Santana Melhor cantora do ano: Ivete Sangalo Melhor videoclipe: “Show das Poderosas” (Anitta) Música-chiclete: idem Esse foi o resultado da votação popular do Prêmio Multishow 2013, que ainda premiou o Sorriso Maroto como Melhor Grupo. Veja que foi o voto popular que elegeu os melhores do ano. Como não é o caso de ficar falando mal do povo e do gosto popular, vamos pensar em algumas perguntas: Quem é que está votando? Não sei. Talvez seja o mesmo pessoal que votaria em “Crepúsculo” ou “Velozes e Furiosos trocentos” como melhor filme. Ou são os mesmos que acham que o humor da turma do Porta dos Fundos é a coisa mais inteligente e divertida que há. Não havia concorrentes melhores? Não. Luan Santana disputava o prêmio com Fiuk, Thiaguinho (que ganhou o prêmio de Melhor Música com “Buquê de Flores”) e o vocalista do NX Zero, enquanto o funk de Anitta concorria com representantes da fina flor da música brasileira, como “Camaro Amarelo” e “...

O garoto que chamava um jambeiro de USS Enterprise

Diário de bordo. Data estelar: 1983, um dia qualquer, 15:00. Eu já terminara os deveres da escola e as lições de piano – aquelas que o professor tinha mandado e aquelas que eu gostava. Logo começaria mais um episódio de Jornada nas Estrelas – naquele tempo, a gente não era obrigado a chamar seriado estrangeiro pelo título original. “Voyage to the Bottom of the Sea” era Viagem ao Fundo do Mar, “Get Smart” era Agente 86 e “Star Trek” era Jornada nas Estrelas. O Capitão Kirk, o Sr. Spock e o Dr. McCoy estão às voltas com mais um ataque de inimigos dos terráqueos após uma expedição perigosa a um planeta desconhecido. Perigo e exploração no espaço: o que mais poderia pedir um garoto de 13 anos que lia Julio Verne como quem saboreava um jambo colhido no pé! Desligada a TV preto e branco, chega a tripulação, quer dizer, minha turma. Cada um conta o que assistiu: “Você viu quando o capitão Kirk escapou dos tiros?” “E a cara do Spock, sem entender a emoção do dr. McCoy?” “E o teletr...

telenovela, medo e a religião dos outros

O site exercitouniversal.com.br , criado por adeptos da Igreja Universal, lançou uma campanha pela internet contra a novela da Globo “Salve Jorge”. Segundo o site, essa novela promove a adoração a Ogum, entidade espiritual que, no sincretismo católico, representa São Jorge. Por isso, os evangélicos devem boicotar a novela global. A campanha também agregou imagens com o slogan "Queima o Jorge". Sem querer perder a audiência da fatia evangélica que assiste suas novelas, a Rede Globo afirma que a novela não vai enfocar as religiões afro-brasileiras ou o catolicismo, mas vai somente utilizar na trama o mito do guerreiro Jorge da Capadócia. A semana de estreia da novela global marca também a reestreia da minissérie “Rei Davi”, na Rede Record, a TV do bispo Macedo. A contrapropaganda do site neopentecostal é mera coincidência? Há muitos motivos para não assistir a telenovelas. Mas não assistir por causa do seu título é crer num mundo mágico que não tem nada a ver co...

o jornalismo esportivo de risos e lágrimas

Foi na década de 1970 que a TV Globo apresentou seu formato campeão de audiência no horário nobre. Um telejornal ensanduichado entre duas novelas. Primeiro, uma novelinha leve e bem-humorada, depois um telejornal de cara séria e, em seguida, um novelão dramático. Das sete às dez da noite, o espectador começava rindo e terminava chorando. Atualmente, o jornalismo esportivo da TV Globo reproduz o modelo cômico-dramático das novelas. Thiago Leifert, no Globo Esporte, e Tadeu Schmidt, no Fantástico, não perdem nem a audiência nem a piada. O repórter Régis Rösing tem dado preferência a emocionantes e inspiradoras histórias. Tudo bem que o Globo Esporte sempre foi leve e omisso e que a exibição dos Gols do Fantástico sempre esteve acompanhada de bom humor. Contudo, os gracejos de Thiago Leifert têm alvo fácil (talvez outros alvos sejam censurados pela produção). Ele guarda suas tiradas para atletas sem beleza física ou para a intimidade de celebridades do esporte. Mas não sobra...

Charlie Brown e o verdadeiro sentido do natal

Em 1965, foi ao ar um dos programas especiais mais amados de todos os natais televisivos, " A Charlie Brown Christmas " (O Natal do Charlie Brown). O produtor do especial, Lee Mendelson, conta que Charles Schulz, o criador dos Peanuts (a turma do Charlie Brown), insistiu que o programa deveria ser sobre o verdadeiro significado do Natal. De outro modo, "por que se importar em fazer um especial de Natal", Schulz teria dito a Mendelson. Quando os produtores lhe perguntaram se ele realmente queria incluir um texto bíblico na animação de Natal, Schulz respondeu: "Se nós não fizermos, quem fará?"  E assim ficou a marcante cena em que Charlie Brown pergunta se alguém pode lhe explicar qual o verdadeiro sentido do Natal e Linus responde entrando num palco e recitando com inocência cativante a passagem de Lucas 2:8-14. Lee Mendelson considera que esses são "os dois minutos mais encantadores da história da animação na TV". Ao escrever sobre os P...

quando a esmola da Globo é demais, o crente desconfia

A música gospel se tornou a espinha dorsal de uma indústria cujos altos cifrões de vendagem e baixos números de pirataria chamaram a atenção da indústria musical secular.  O potencial consumidor do mercado musical evangélico chamou a atenção da Rede Globo, a partir do seu braço musical, a Som Livre. O resultado foi a produção e exibição do Festival Promessas , que contou com os nomes mais conhecidos do gospel nacional. Então, as desavenças históricas entre a Globo e os evangélicos (leia-se “entre Globo e Edir Macedo”, leia-se, Globo e Record) são coisa do passado? Não se engane. Nessa diplomacia religiosa há muito de disputa comercial. As TVs vivem de audiência e nada mais natural que a Globo veja os evangélicos não como um campo missionário, mas como seara pronta para a ceifa de lucros e dividendos. E o que faz o cristão quando se vê como um componente do jogo de mercado? Dá as costas e vai procurar sua turma? Dá uma lição nas víboras capitalistas e vai vender gele...

UFC: Ultraje Feroz do Corpo

Dois homens em uma arena chutam cabeças e esmurram fígados, e isso rende o delírio da galera. Um quer a deformação do corpo do outro, e isso rende fama e fortuna. UFC (Ultimate Fighting Championship) quer dizer mesmo é Ultraje Feroz do Corpo. Mas para que ninguém fique a pensar na degradação física e espiritual do momento, é preciso fazer dessa rinha de galos um espetáculo televisivo. A TV Globo, que se recusava a cobrir as lutas do MMA (as artes marciais mistas), gasta sua semana esportiva explicando que agora, com novas regras, as lutas são “um pouco menos violentas do que o vale-tudo”, como disse o apresentador Luís Ernesto Lacombe. A sinceridade foi logo corrigida na fala seguinte: “Mas é bem bacana”. É bem bacana, então, ver a brutalidade elevada à categoria de esporte “civilizado”. É bem bacana, então, assistir a violência de socos, pontapés e sufocamentos. É bacana ver o público se extasiar quando um homem é espancado no chão (mas agora o juiz intervém mais rápido. A...

diante do trono e da mídia

Diante do Faustão, o Diante do Trono me pareceu diferente. As músicas encolheram, ninguém falou em línguas, não teve "unção do Leão". Foi uma dica dos produtores do programa, da gravadora, foi uma percepção de Ana Paula Valadão?  Ana Paula é uma cantora carismática (em mais de um sentido). Quando respondia às perguntas do Faustão com aquela vozinha meiga nem parecia a pastora que adentra o terreno do êxtase com a mesma facilidade com que sai dele. Talvez por isso haja a crítica às performances teatralizadas da cantora. Quem não se entrega aos seus arroubos emocionados, acaba achando que ali tem muito teatro. Seria uma espécie de encenação da contrição. Olhos fechados, voz chorosa, gestos dramáticos: os DVDs do Diante do Trono estão repletos de cenas assim. Por que no Domingão do Faustão isso não aconteceu? Por que a cantora não irrompeu no "falar em línguas"? Seria para não espantar os telespectadores não-evangélicos (ou mesmo parte dos evangélicos)? Ou o tempo no...

alan kardec no país das maravilhas

Carta de R. C. Cardoso à revista Veja sobre a matéria “Espiritismo de resultados” (4/8/10): “Apesar de a novela [Escrito nas Estrelas] apresentar fatos que divergem da doutrina kardecista, é muito bom que a televisão mostre programas que tratam do espiritismo com seriedade, e não como instrumento para deboche e críticas sem fundamento”. Alguém lembra de uma novela em que o cristianismo não foi pintado com deboche? Em novelas, o padre bom é o liberalizante e o padre mau é o negociante; já o personagem evangélico é o estereótipo do fanático que vocifera a Bíblia na praça, que é ríspido com a filha enamorada, que ouve gospel em som alto e por aí vai. Conflitos familiares, veleidades conjugais, banalização do ódio, tudo isso faz parte do cardápio noveleiro que, agora e na hora da queda de audiência, sempre apela para a violência física da troca de socos e pontapés entre rivais e casais. Mas a s novelas da Rede Globo nunca foram anticristãs no passado tanto quanto são pró-espiri...

cem palavras: a TVerdade

Um veterano âncora de telejornal foi demitido devido aos baixos índices de audiência. Em sua despedida, ele faz ao vivo uma enfática denúncia dos podres do programa. Uma executiva da TV percebe o potencial de entretenimento disso e o apresentador volta com um programa reformulado onde dispara petardos furiosos contra a falta de escrúpulos das mídias e dos espectadores. Um sucesso espetacular, que não durará muito tempo. Esse o roteiro do filme Rede de Intrigas (1976). Uma das falas fuzilantes do autoproclamado "profeta da tv" é essa: O apresentador entra em cena ao vivo e, após saudar o público presente, começa: "Ai de nós. Porque 62 milhões de americanos me assistem agora. Porque menos de 3% de todos vocês lêem livros. Porque menos de 15% de vocês lêem jornais. E a única verdade que conhecem é a que passa pela televisão. Agora mesmo há uma geração inteira que nunca conheceu nada que não tenha saído da televisão. A TV é o evangelho. A revelação final. A televisão pode f...

brasileiro é tão bonzinho...

Nos tempos da TV à lenha havia um programa humorístico em que uma personagem gringa suspirava e repetia um bordão aos abobalhados admiradores: “Brasileiro é tão bonzinho...” O piloto Fernando Alonso e o pessoal da Ferrari devem ter pensado algo assim na hora em que Felipe Massa “deixou-se” ultrapassar pelo companheiro de equipe. Aliás, a Ferrari já se valeu do vergonhoso expediente de “pedir” que um piloto que esteja à frente na pista mas atrás nos pontos permita que o colega de equipe o ultrapasse. Foi assim com Michael Schumacher e Rubens Barrichello, lembra? Brasileiro é tão bonzinho... Jean Charles foi confundido com um terrorista e foi morto a tiros pela polícia londrina numa estação de metrô. Investigações iniciadas, indenizações concedidas, e mais nada. Fosse um súdito da coroa inglesa, fosse um cidadão norte-americano, fosse um turista do G-7 e o negócio não tinha ficado na base do incidente diplomático. Mas apesar do nome francês, Jean Charles era brasileiro, e brasileiro ...

perdido no bosque da ciência do bem e do mal

Em entrevista ao programa Fantástico , o jogador Adriano, disse que seus erros na vida particular se devem a sua insistência em dar ouvidos a uma voz, que chamou de "diabinho", que lhe sopra coisas agradáveis e erradas, em vez de escutar um "anjinho" que lhe recomenda o certo. Sem culpar o tal diabinho, ele admitiu publicamente que não aprova as coisas prazerosas e ruins que acaba fazendo. Adriano, meu caro, você não é o único a viver nessa polarização consciente entre o bem e o mal. Somos eu, você, a torcida do Flamengo e toda a humanidade. Inclua a Patrícia Poeta, que abre as portas do Fantástico para as celebridades apanhadas em pecado expiarem sua culpa e abrirem o coração como a um jornalista. Continue lendo

tempos modernos: modo de usar

Quantos espectadores que veem o título Tempos Modernos , em vez de lembrar-se da telenovela global homônima, saberão que se trata também de uma obra-prima de Charles Chaplin? E quantos (menos ainda, certamente) que assistem a Viver a Vida sabem que esse é também o título de um admirável filme de 1962 do francês Jean-Luc Godard? Ninguém é menos feliz por não saber de uma coisa ou de outra. Conheço gente mais feliz e mais saudável que não lembra nem do título de todos os filmes que assistiu quanto mais dos nomes dos diretores. A questão é outra. É notar como uma mensagem dotada de significado próprio pode ser tomada apenas em sua configuração superficial quando adaptada para outro meio ou para outro formato, revelando-se uma mensagem de segunda potência. “Mensagem de segunda potência” é como Umberto Eco denomina o resultado das produções da mídia que tomam uma referência particular e moldam-na de acordo com uma nova significação, geralmente com uma função consolatória e distant...

a casinha de bonecas do Bial

Janeiro é o tempo das dietas e chuvas de verão. Até que as águas de março rolem por baixo da ponte, muito big brother vai despontar para o anonimato, como o cro-magnon Kleber Bambam, ou alterar o nome de guerra, como Grazi Massafera, agora Gra zz i com dois "Z", de zapear de canal, de zero talent ou de zzzz. Pra mim tanto fazz como tanto fezz . Eles e elas suportarão vergonhas e vexames estoicamente. Mesmo porque vexame, inibição e senso de ridículo são vocábulos ausentes do idioma dos moradores da casinha de bonecas do Bial. Pedro Bial, que trocou as acelaradas reportagens internacionais pelo piloto automático de mestre de cerimônias da encenação da realidade (esta é a tradução certa de reality show), revelou-se o anfitrião da casa de bonecas perfeito para narrar as fantásticas peripécias de acasalamento de anônimos, para alcovitar as estrepolias eróticas de desocupados, para realizar-se como Guia deste inferno dantesco que assola o verão. E paro por aqui, que estes adjetivo...

é fantástico: as entrevistas didáticas de patrícia poeta

Cada país tem a entrevista do Fantástico que merece. Primeiro, foi a mãe da menina Isabela, Ana Carolina Oliveira, uma mãe cuja postura serena diante da tragédia do assassinato da filha (os acusados eram o próprio pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta) era vista como frieza. As pessoas esperam que uma mãe chore desbragadamente, e se ela não chora, chamem as fantásticas e manipuladoras entrevistas para conseguir o feito. A coincidente data da entrevista? O dia das mães. A entrevistadora? A jornalista Patrícia Poeta. Quando Ana Carolina começava a embargar a voz, a câmera avançava até os olhos lacrimejantes da mãe a fim de compartilharmos sua dor mais de perto. Ao mesmo tempo, a entrevistadora não deixava a entrevista acabar e dizia, em off, “Respira fundo”, ou tocava os joelhos da mãe. Apoio emocional de mãe para mãe? Recurso profissional para que a entrevistada não desistisse de falar? O close numa girafinha de brinquedo, lembrança da filha vitimada, a câmera que filma a entrevistadora ...

Vivendo el gospel loco

Coluna de Daniel Castro, na Folha de São Paulo : "As novelas da Record Os Mutantes e Chamas da Vida trazem em suas trilhas sonoras músicas de Mikefoxx, misterioso cantor de pop. Mikefoxx é a identidade secreta de Moisés Macedo (foto via PalavradeVida) , filho caçula do bispo Edir Macedo, dono da Record e líder da Igreja Universal. "Moisés só é conhecido como cantor gospel, mercado em que se apresenta como Moysés. Está prestes a lançar seu terceiro CD pela gravadora da igreja. "Diretor musical da Record, Marcio Antonucci sustenta que Moisés não é obrigado a cantar gospel, embora demonstre gostar mais de pop - no primeiro CD religioso, gravou uma versão evangélica de hit do Aerosmith. Diz que ele só não assina como Moysés porque acha Mikefoxx mais comercial . Ele tem uma banda de rock nos Estados Unidos e usa o nome de Mikefoxx , conta. "Em Os Mutantes , Moysés, ou Mikefoxx, emplacou "Amor de Sedução", baba com pegada trance que lembra o tecnopop de FM do ...

Globo e Record: a novela da vida irreal

O mais recente capítulo da disputa via satélite entre Globo e Record foi ao ar na semana passada. Como de costume, uma das redes de televisão sentiu-se ofendida e, machucada em seu ego continental, partiu para o contra-ataque. O conflito entre ambos as redes começa em tom jornalístico, mas no fim das contas, toma feitio de folhetim. Mas o que foi que aconteceu mesmo? Na novela Duas Caras , da Globo, há um núcleo evangélico do “mal” (segundo o autor da novela, há outro núcleo, o do “bem”). Pois este grupo de crentes, liderados por uma fanática, se insurgiu num dos capítulos contra um triângulo amoroso formado por um homossexual, uma ex-drogada e um garçom. A tal evangélica, liderando a turba, fez soar as trombetas de Jericó, invadiu uma casa, atirou pedra na ex-drogada como se não tivesse pecados, depredou uma cama, ameaçou matar uma grávida que carregaria a própria besta do Apocalipse. Enfim, foi um Baal-nos-acuda, um cruzamento de A Profecia com As Bruxas de Salem . A reação da Recor...

A Muralha

Em tempos de BBBoçais na TV, o Canal Futura está reapresentando a minissérie A Muralha . A minissérie aborda diversas facetas do Brasil-Colônia, como o trabalho dos jesuítas, a escravidão indígena, a incipiente luta contra o autoritarismo português, a corrupção dos oficiais instituídos pela metrópole, a luta das mulheres que ficavam em casa enquanto os maridos saíam para desbravar as matas. Importa dizer que o programa que exibe a minissérie se chama “Faixa Comentada”, e antes de cada segmento apresentado há uma entrevista com os atores, cenógrafos, roteiristas e diretores da obra. Mas também há entrevistas com especialistas acadêmicos, professores e historiadores, como Eduardo Bueno, sobre costumes culturais e práticas comerciais e religiosas da época, o que acaba sendo bastante esclarecedor. A reconstituição dos lugares do período colonial, situado no local de estabelecimento do que viria a ser a futura cidade de São Paulo, é cuidadosa, sendo que a taba dos índios foi construída por...

O NACIONAL E O POPULAR N'A PEDRA DO REINO

A 3ª parte da microssérie A Pedra do Reino , exibida nesta quinta-feira, mostrou com quantos paus Ariano Suassuna constrói sua idéia de nacional-popular. Vale lembrar que a ideologia do nacional-popular , que está baseada na proposta da afirmação de uma “autêntica” identidade nacional, já foi de caráter folclorista ou mais politizado. Para Mário de Andrade, a música do folclore, e nunca a música popular de massa, era a autêntica expressão de um povo. Para Villa-Lobos, a música erudita nacional só era autêntica se embebida de folclore (noves-fora o talento de Villa, a Paris dos anos 30 que o aplaudiu adorava um ‘exotismo índio’). O venerável José Ramos Tinhorão deixa claro que só o batuque dos iletrados da virada do século 19 para o 20 é autêntico. Para o CPC dos anos 60, só o baião politizado salva. Para o Cinema Novo, só o sertão e a colagem são legítimos. E para Suassuna? Em A Pedra do Reino , dois personagens vão duelar: um, é fidalgo ibérico conservador; o outro, é tapuia-negro-com...