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Mostrando postagens de Julho, 2012

Música no ouvido dos outros

Alvíssaras. A utilização de aparelhos sonoros dentro de ônibus coletivos será proibida em Campinas. A lei entra em vigor daqui a 60 dias. A lei inclui entre os aparelhos sonoros proibidos: iPods, mp3 e mp4, discman e até o velho walkman. Os telefones celulares transformados em infratores aparelhos sonoros deverão ser coibidos.

Todo aparelho será permitido desde que seu usuário utilize os fones de ouvido. Os ônibus terão cartazes afixados em seu interior alertando as pessoas sobre as regras. Quem descumprir a lei, será advertido. Se persistir, o sem-noção indivíduo poderá ser retirado do veículo. As sanções estão previstas em um decreto de 3/10/1941, que regula "a perturbação do trabalho ou do sossego alheios" e as penas vão de multa a prisão de 15 dias a 3 anos.

O que era uma simples questão de educação agora é assunto policial. Mas logo outras cidades devem seguir o exemplo de Campinas.

Segundo o dicionário Nota na Pauta, escutar música no ônibus sem fone de ouvido é o at…

violência e celebridade: a culpa é do Batman?

Um mascarado entrou armado num cinema nos Estados Unidos e atirou matando 12 pessoas. O assassino James Holmes, 24 anos, ainda não explicou o que o levou a cometer essa atrocidade. Nem precisou. Já prenderam o “suspeito de sempre”: a mídia.
O massacre aconteceu em um cinema em Aurora, no Estado do Colorado, que exibia o filme Batman, o Cavaleiro das Trevas Ressurge. Uma reação imediata é dizer que filmes de ação e violência gratuita como esse induzem as pessoas a cometer atos de violência.
Mas podemos dizer que a trilogia Batman incita a violência? Se você também assistiu ao menos os dois primeiros filmes, nós vamos concordar em um ponto: Batman não é um filme pró-violência; na verdade, é um filme sobre a violência.
Batman é um herói traumatizado por ter presenciado o assassinato dos pais na infância. Talvez por isso, sua linha moral é bem clara: ele defende a retidão enquanto seus oponentes são ladrões e assassinos; os valores morais e sociais defendidos por Batman triunfam no final,…

a idade é só um número?

Todo quarentão que conheci dizia que, depois dos 40, é só ladeira. Eu não posso me conformar com isso. Tudo bem de  vez em quando fingir com as roupas a idade que está nas minhas células. Mas, “não vos conformeis com esse século de quarentões metidos a garotões!” 
O que já dá para vislumbrar é que o avançar da idade ensina no mínimo duas coisas:
1) A memória começa a nos trair de tal forma que passamos o restante da vida a contar as mesmas histórias para as mesmas pessoas. E pior, com o mesmo entusiasmo da primeira vez.
2) As pessoas confundem decadência física com sabedoria. Passar por sábio quando se envelhece é fácil. Difícil é dar bom conselho quando se tem idade para dar mau exemplo.

as quatro perguntas de Prometheus

O ano é 2093. A nave Prometheus parte em missão exploratória confidencial para um planeta onde estariam os criadores da raça humana. Esse remoto local - uma incrível e revolucionária descoberta - não foi  tirado de um livro. Estava inscrito em paredes de cavernas. A tradição do Gênesis está longe. Mas a figura de um criador, não. O filme segue a visão conciliatória de criacionismo com evolucionismo; seríamos fruto de um Criador organizando o acaso. Ou seja, viemos de uma “evolução acompanhada”.

Mas dar atenção só a esse ponto é perder a contundência de algumas perguntas que o filme faz. E não quero perder a chance de explorá-lo teologicamente. 
A decisão de crer
Nem todos na astronave querem fazer perguntas aos criadores, chamados de Engenheiros. A antropóloga Elizabeth Shaw está entre aqueles que estão em busca de respostas. Ela perdeu a mãe quando ainda era criança. E é na infância que ela aprende que existe um céu maravilhoso aonde a vida é eterna. Inquieta, ela pergunta ao pai: “C…

como ler os números da religião do censo 2010

Os católicos estão diminuindo, os evangélicos aumentaram e os que se declaram sem religião crescem espantosamente. Essa é a primeira impressão que se tem ao olhar os novos dados do IBGE sobre a configuração religiosa no Brasil. Falando em números: o percentual de católicos diminui (de 89,9%, em 1980, para 64,6%, em 2010), o de evangélicos cresceu consideravelmente (de 6,6%, em 1980, para 22,2%, em 2010) e os “sem religião” aumentaram (de 1,9% para 8% no mesmo período).

É preciso avaliar esses números por meio da análise do contexto econômico, social e religioso. Para facilitar a leitura desses dados, vou dividi-los em três partes: católicos, evangélicos e o grupo sem religião (não quer dizer necessariamente ateu).
1) A questão católica: no período 1991-2000, o censo do IBGE conferiu que o catolicismo havia diminuído percentualmente (de 83,8% para 73,8%), mas havia aumentado numericamente passando de 121,8 milhões de membros para 125 milhões. Nos dados do censo 2010, registrou-se um núm…