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Mostrando postagens de Abril, 2011

música, sim. músicos, não

Todo mundo gosta de música. Já dos músicos... Nos tempos em que eu tocava em casamento, formatura e congêneres, por diversas vezes eu tive que explicar que eu não era da legião da boa-vontade, que eu não tocava por caridade. E o povo: "como assim ele cobra pra tocar em casamento?" O vestido, o bufê, as alianças, as flores, os convites, tudo isso é coisa que se paga. Mas pagar músicos?
Isso não é de hoje. Na Florença dos tempos medievais, o compositor Josquin des Prez, aclamado "príncipe dos compositores", perdeu emprego por saber quanto valia seu enorme talento. Em 1502, o duque de Ferrara contratou Heinrich Isaac em vez de Josquin graças a um relatório econômico bem conveniente: 
"Para mim [Isaac} parece mais adequado a servir Vossa senhoria, mais do que Josquin, porque é mais afável e amigável, e comporá obras novas com mais frequência. É verdade que Josquin compõe melhor, mas só compõe quando quer e não quando os outros querem, e está pedindo um salário de 20…

12 filmes e uma sentença

O cineasta Sidney Lumet, falecido há uma semana, não fazia o tipo cool queridinho dos críticos nem inventava batalhas no espaço para estourar nas bilheterias terráqueas. Diretor de dramas morais, Lumet acordava consciências adormecidas para os perigos nucleares (Limite de Segurança), a intolerância (O Homem do Prego), a ética solitária contra sistemas corrompidos (Serpico, O Veredito), os bastidores escusos da TV (Rede de Intrigas), a notoriedade midiática do crime (Um Dia de Cão).
Tribunais são a arena onde a justiça nem sempre é a vencedora. Filmes de tribunal montam cenários onde a intolerância e a justiça, os valores monetários e os valores morais digladiam. O espectador só tem a ganhar assistindo filmes como esses:

Doze Homens e uma Sentença (1957): alguém disse que júri é um grupo que se reúne para decidir quem tem o melhor advogado. Nesse filme, a estréia de Sidney Lumet no cinema, um membro do júri se manifesta contrariamente a uma decisão e tenta convencer os outros de que me…

o elefante do terror na sala do brasileiro

Quando uma tragédia violentíssima acontece, como essa ocorrida numa escola municipal do Rio de Janeiro, nós queremos encontrar um sentido, uma explicação. Nessa hora, sempre aparecem maus jornalistas tecendo conexões apressadas. No início da semana, a revista Veja fez matéria de capa sobre a presença da organização terrorista Al-Qaeda no Brasil. Estaríamos sediando prováveis homens-bomba? Nessa quinta-feira, dia 7/04, Wellington Menezes de Oliveira invade uma escola municipal na Zona Oeste do Rio de Janeiro e mata 12 crianças. A partir da revelação do conteúdo de uma carta deixada por Wellington, a cobertura midiática encontrou pano pra manga fundamentalista. A lógica conspiratória é: se a Al-Qaeda está no Brasil e se há uma chacina incomum nessas plagas, logo o atirador só pode ser um terrorista islâmico, certo? Errado. Por isso, jornalista apressado só entrega informação crua. A única relação, ao menos por enquanto, entre uma ramificação do terrorismo islâmico e um massacre de crianças …