21 março, 2011

o blog em modo off

Caso meus 8 e 1/2 leitores tenham percebido que o blog está devagar quase parando, é isso mesmo. As atividades do doutorado estão esgotando meu par de neurônios: preparar artigos e entregar introdução da tese, principalmente. O que o ser humano não faz por um punhado de créditos. E como inventei de aceitar uma missão de escrever música e arranjos para coral, até o tempo para postar alguns miúdos aqui no blog escapuliu.
Acho que voltaremos com nossa programação normal ali por meados de abril.

Enquanto isso, tem umas fábulas menores e antigas no blog:

sobre a difícil arte de entregar uma monografia

14 março, 2011

o cristianismo censurado


"Abolir as raízes cristãs da sociedade europeia é um atentado cultural mas é também alinhar com a perseguição que se abate sobre os cristãos que são hoje as maiores vítimas das perseguições do Mundo".  É o que conclui o artigo de Zita Seabra no Jornal de Notícias , de Portugal, sobre a censura ao cristianismo no continente que já foi famoso por ser cristão [Mantive a ortografia original]

"A Comissão Europeia mandou imprimir três milhões de agendas para oferecer a outros tantos alunos e professores de escolas dos países que compõem a União Europeia. Esta agenda, cheia de informações, teve este ano uma importante novidade: a referência no calendário anual das festas religiosas de diversas religiões, excluindo as datas de referência do cristianismo. Nem Natal, nem Páscoa! O dia 25 de Dezembro é tão-só o dia 25 de Dezembro.

"Numa Europa berço da civilização ocidental, filha directa do cristianismo, ensina-se às crianças as datas referência, esquecendo as cristãs, apagando as suas origens, base da sua cultura e da sua matriz genética, definidora e diferenciadora, formadora do conjunto cultural do velho continente. Um espanto. Protestaram diversos países como a Itália, a Polónia, o vice-ministro francês, entre outros, e a Comissão Europeia decidiu publicar oito milhões de erratas para distribuir às escolas que tinham recebido as agendas.

"É evidente que os responsáveis pelo facto não o fizeram por esquecimento. Ninguém se esquece que dia 25 de Dezembro não é um dia qualquer do calendário, e nenhum europeu se lembra dos dias festivos dos muçulmanos ou dos budistas e não se recorda dos dias que lhe marcam o seu próprio calendário. É óbvio que se tratou de um apagar deliberado do cristianismo, o que é em si mesmo o sinal da mais brutal intolerância como é, igualmente, um sinal de obscurantismo e de ignorância. É, sobretudo, um profundo gesto de hostilidade para com os cristãos.

"Muitas vezes, na história da Europa, se tentou apagar as referências ao cristianismo. Os jacobinos franceses tentaram substituir o calendário gregoriano e impor o "Calendário Revolucionário Francês", mudando assim a nomenclatura dos dias e obviamente os feriados católicos e a referência ao nascimento de Cristo. 

"Abolir as referências cristãs na Europa é fazer esquecer que na origem de muito do que de melhor existe na civilização ocidental tem origem no cristianismo. Na Igreja Católica nasceu a sistematização das primeiras universidades, os primeiros hospitais, os livros que permitiram salvaguardar o essencial da cultura clássica, as misericórdias, a assistência social e um inquestionável património artístico.

"Abolir as raízes cristãs da sociedade europeia é um atentado cultural mas é também alinhar com a perseguição que se abate hoje sobre os cristãos que são hoje as maiores vítimas das perseguições do Mundo. No Parlamento Europeu foi recordado que 75% das perseguições religiosas que hoje acontecem são contra cristãos. No Iraque, no Egipto, na Índia, na Nigéria, nas Filipinas, no Irão, em Chipre ou na China, recordam só alguns casos dramáticos recentes. 

Alguns silêncios escandalosos de autoridades e organizações humanitárias tão prontos a falar de outras perseguições raia o escândalo. Quantas vezes o silêncio cala a denúncia e a hostilidade substitui a solidariedade com as vítimas?"

03 março, 2011

atrás do trio elétrico vai até quem renasceu

Nesse carnaval, a Igreja Batista Missionária da Independência não vai retirar-se das grandes cidades. Ao contrário, vai atrás do trio elétrico também. Mas do trio elétrico gospel, fique bem entendido. Quase mil "foliões de Jesus" vão sair no bloco Sal da Terra, com direito a abadá e muitos louvores de exaltasamba, digo, de exaltação.

A micareta "santa" descobriu que, para chegar junto da moçada de sensibilidade carnavalesca, é preciso usar as mesmas músicas que levam a galera a tirar o pé do chão! É só por uma letra santificada pra ter muita unção e... olha o carnacrente aí, geeente!

Já a escola de samba Pérola Negra, de São Paulo, vai adotar um tom até certo ponto reverente em relação aos símbolos e personagens bíblicos. É o que dizem os diretores da escola, que proibiram nudez e garantem que todo mundo vai estar vestido com figurinos de época. Com cinco carros alegóricos e 23 alas, serão representadas passagens da história de Abraão. E a letra do samba-enredo (confira aqui) é mais respeitosa e correta que muito axé-gospel por aí - inclusive, estaria sendo cantada em alguns cultos da Igreja Renascer.

No carnaval 2009, a sensação/controvérsia da vez foi a cantora Jake e sua canção Pó pará com pó. A moça sacudia a moçada na avenida com seu axé de letra edificante. A canção pretendia ser um instrumento de evangelismo e de combate às drogas (“pó pará cum pó aí”, traduzindo, pode ir parando de cheirar pó... aí). A cantora alertava que, em vez de cocaína, o melhor é tomar “uma overdose de Jesus” e, numa inesquecível metáfora, “injetar na veia o sangue que correu na cruz”. Onde estava essa música na hora em que Jimi Hendrix mais precisava dela?

Há uns 15 anos, a banda secular Asa de Águia cantava que “na casa do Senhor não existe Satanás, xô Satanás”. A canção, que satirizava as célebres sessões de descarrego e exorcismo de algumas igrejas, podia ser cantada por um grupo de axé gospel no carnaval, já que a letra "divertida" teria o mesmo efeito "divertido" sobre os foliões. Eventos de entretenimento de massa como micaretas e carnavais não são criados para estimular a reflexão crítica ou para promover mudanças de hábito.

Nesse vídeo do Carnatal, Ivete Sangalo e Jake cantam e sacolejam num trio elétrico. Dá pra perceber como as cantoras (mais os humoristas do Pânico na TV), o lugar, o espírito de brincadeira, estavam todos "contribuindo" para o nível de conscientização social, já tão alto e expressivo na letra da canção, né? 

Tragicômico é saber que podia ter gente se animando com pó ao som do pó pará com pó! Mas há um pessoal tão bem-intencionado que acredita que sua música terá força espiritual em meio a tanta folia e badalação.