27 agosto, 2013

Ensinar é coisa de inconformado

Ensinar é coisa de inconformado

Já disseram por aí que ensinar é formar
É formação
Formar a ação
Fomentar a ação e a reflexão
Formar o docente (de forma decente)
Jamais formatar o docente
Isso, sim, (e o salário) é indecente

Por mim, basta informar,
Diz o professor deformado
É sonhar demais querer transformar?
Pergunta o professor inconformado

E não vos conformeis com esse século...

Quero ver formar sem formalizar
Unidade, conte comigo
Uniforme, não
Se formar não é uniformizar
Então vamos multiformizar?

Nem multi nem maxiformizar
É desformizar, é antiformizar
É fazer tudo nos inconformes

Ensinar é trabalho pra inconformado
Ensinar é tirar da forma
Ou o ensino sai da forma
Ou nossa prática vai ficar no formol

E não vos conformeis com as práticas desse século...

by Joêzer Mendonça


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Escrevi essas linhas minutos antes de participar como mediador na mesa-redonda "Formação docente e Ensino Musical na Contemporaneidade", evento na PUCPR (26.8.13). 

21 agosto, 2013

qual a sua desculpa para ter medo?


Dá pra desculpar quem tem medo de ladrão, inseto nojento ou medo de não passar no vestibular. E claro, ter medo da morte é natural e conserva os dentes. Outra coisa natural é ter medo da polícia de hoje. Aliás, reparou que só os inocentes têm medo da polícia?

Mas tem gente que leva uma vida baseada no medo.


É gente com fobia do sol, fobia de carne vermelha, fobia de salada, fobia de unha pintada, fobia de gay, fobia de muçulmano, fobia de americano, fobia de presidente negro, fobia de papa argentino, fobia de papa alemão, fobia de igreja evangélica, fobia de galinha preta, fobia de religião, fobia do fim do mundo, fobia da Globo, fobia do PT, fobia de conspiração, fobia de que tudo aquilo em que acredita não passe de uma grande ilusão, fobia de filosofia, fobia de alegria, fobia de ser feliz com o que se tem!

13 agosto, 2013

por que ouvimos sempre as mesmas músicas?

Estudo mostra que as pessoas ouvem sempre as mesmas músicas 

[Iara Biderman, Folha de S. Paulo, 12.8.13]

A opção de ouvir toda e qualquer música nova está a um toque na tela. E você vai sempre escolher aquelas mesmas velhas canções.

Quem crava qual será a sua seleção são os autores de um estudo feito na Universidade de Washington sobre o poder da familiaridade na escolha musical.

A pesquisa foi feita com mais de 900 universitários, autodeclarados apreciadores de novos sons. Pelo menos foi isso o que disseram em questionários prévios. Curiosamente, o lado B dos participantes apareceu quando foram confrontados com escolhas reais entre pares de músicas. A maioria optou por aquelas que tinha ouvido mais vezes.

Ouvir sempre a mesma música não é falta de opção ou imaginação. Segundo o coordenador do laboratório de neuromarketing da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, Carlos Augustos Costa, é coisa da sua cabeça.

"O cérebro não gosta de nada complicado. Se você ouve um som novo, tem de parar para entender, mas se a música tem padrões familiares, é sopa no mel: você decide imediatamente ouvi-la."

Familiar é um padrão musical que a pessoa sabe reconhecer ou um estilo associado a memórias positivas.

"A música que você já conhece tem um valor emocional enorme. Cada vez que você a ouve, a associa a uma sensação de prazer e, quanto mais ouve, mais reforça essa associação", diz a neurocientista e colunista da Folha Suzana Herculano-Houzel.

O compositor Arrigo Barnabé, que desde a década de 1980 faz experimentações em música, diz ter a esperança que as novas plataformas ajudem a mudar o disco. "Hoje, com a internet e o YouTube, vejo as pessoas mais interessados em ouvir novidades. Mas há a tendência de a pessoa buscar o conforto, o que já conhece bem."

A causa do fenômeno é mais material do que neuroemocional, na opinião do pesquisador e crítico musical José Ramos Tinhorão. "A produção de música popular obedece as regras do capitalismo, com uma grande quantidade de produtos iguais sendo jogada no mercado. Isso começa a cansar e as pessoas sentem saudades das músicas antigas", afirma.

As músicas megarrepetidas nas rádios teriam então, segundo ele, efeito contrário. 

Mas não funciona assim. "De tanto ouvirem, as pessoas acabam se familiarizando e não sabem mais se gostam ou não. Mas criam fidelidade", diz Rifka Smith, diretora da Radiodelicatassen, empresa de planejamento de produtos radiofônicos.

A repetição funciona até um limite. Grande parte do prazer da música é a oportunidade que ela dá ao cérebro de antecipar como será a próxima frase musical, segundo Herculano-Houzel.

Na música conhecida, a pessoa antecipa o prazer e é recompensada ouvindo o que já esperava. Vai querer repetir a experiência. "Mas, quando o cérebro já tem a certeza absoluta do que virá, perde a graça", diz a neurocientista. É a brecha para seu cérebro ouvir algo de novo.


Mas o poder das velhas músicas continua, afirma o professor de marketing Morgan Ward, autor do estudo americano. "Quando as pessoas estão prontas para uma mudança, não querem uma revolução. A maioria dos novos estilos musicais é só uma atualização do que veio antes", disse Ward à Folha.



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Como foi feita a pesquisa

Os pesquisadores da Washington University fizeram três rodadas de testes. A idade média dos participantes era de 23 anos
1) 386 pessoas classificaram o grau de familiaridade com 24 músicas; depois receberam uma lista com 12 pares das classificadas e tiveram 15 minutos para escolher a preferida em cada dupla
2) 244 pessoas escolheram para ouvir 16 músicas em uma lista de 32; depois, classificaram o grau de familiaridade com cada música
3) 276 pessoas receberam uma atividade cognitiva leve (memorizar quatro palavras) ou mais pesada (20 palavras) para realizar e tiveram que escolher qual estação de rádio queriam ouvir: se a de músicas novas ou a das 'dez mais'