Nos últimos dias de sua vida, Tom Jobim pedia a sua irmã Helena para que lesse o Salmo 23, aquele do “O Senhor é meu pastor e nada me faltará...”. Olhando a obra musical de Tom, o que não falta é música que parece ter a centelha da arte mais divina. Sua combinação de melodia enganosamente simples com harmonização rigorosamente complexa trouxe à música popular brasileira um sabor diferente, um jeito diferente, uma nova bossa. Até o advento de “Ai seu eu te pego” , hit do Michel Teló, a canção brasileira mais conhecida no exterior era “Garota de Ipanema” . Assobie essa canção e perceba como a melodia sobe e desce sem esforço, como o desenho de ondas. Pode ter sido um achado genial involuntário, mas vindo de Tom, quem pode duvidar de que o balanço do mar e da garota que passa foram inscritos delicadamente na melodia sinuosa? E a melodia de “Desafinado” , difícil e bela como a harmonia? E "Corcovado" , em que a melancolia inicial de “Um cantinho, um violão” que de...
Música, mídia, cultura.