26 fevereiro, 2007

Ó, Seu Oscar!


Um mês de férias do blog e meu séquito de 6 leitores já estava se habituando a uma vida sem estas linhas invisíveis do Word. Mas, depois de arrumar a casa e a cabeça, volto aos bancos escolares com a mesma impaciência pra fazer trabalho na biblioteca dos tempos do ginasial (esta palavra desjuvenece a gente uns 30 anos).

Passada a tormenta que é a adaptação escolar, voltei à vida fácil de caçador de mitos globais, destruidor de ídolos sarados, escoteiramente sempre alerta a toda inutilidade pretensiosa e prestando um desserviço ao tempo do leitor ao ir corajosamente aonde todos estão olhando alguma coisa.

E o que muita gente não olhou e não perdeu nada por isso foi a cerimônia do Oscar. Enquanto não mudarem a chamada para algo tipo a balada do Oscar, a rave do Oscar ou o barraco do Oscar, vai ser essa aporrinhação hipnótica que me deixa insone no começo e arrependido no fim. Onde eu estou com a cabeça que não paro de assistir ano após ano essa, argh, cerimônia que vai se tornando cada vez mais interminável?
É um sentimento semelhante que tenho em relação à seleção brasileira de futebol. Nos tempos de Zico e Sócrates era uma epifania. Nos tempos de Zagallo e Taffarel, já era masoquismo. Agora, ver o Dunga de novo no comando da seleção, com penteado de Predador e camisa do Sidney Magal aí já demais.

Voltando ao Oscar, o melhor foi ver os cineastas americanos mais criativos dos anos 70, Spielberg, George Lucas, Francis Coppola e Scorsese trocando figurinhas no palco e na platéia com os durões mais sensíveis de todas as épocas, Jack Nicholson e Clint Eastwood; o balé de corpos formando desenhos inacreditáveis; a quase american idol Jennifer Hudson dizer uma semana antes que não iria à cerimônia do Oscar porque iria a uma cerimônia na igreja, pra na hora cair em pecado ao vivo; e a cara de desconsolado do favorito Eddie Murphy ao não ouvir seu nome chamado (ele esqueceu que comediante só entra no palco do Oscar pra ler teleprompter de piada ruim).

Mas é claro que a Celine Dion tinha que estragar tudo. O pessoal da academia vai homenagear Ennio Morricone, o maior músico do cinema, e em vez de obrigar a Madeleine Peyroux a cantar, deixaram o empresário da Celine saber primeiro. Celine Dion é a Forrest Gump do pop romântico: suas canções tem QI de samambaia, mas a mulher está sempre na hora certa com as pessoas certas.
Duvida? Motivo 1: mataram o Leo di Caprio no Titanic mas Celine e aquela flautinha sobrevivem até hoje. Motivo 2 a 100: Celine é a reencarnação de Barbra Streisand, é só ouvir o xarope vocal e olhar o nariz, mas está de vocalise presente em todas as festas.

No domingo da, argh, cerimônia, ainda me esfalfei num rafting, me cansei numa longa viagem de volta noite adentro, porém meus instintos mais primitivos de ex-cinéfilo voltaram à carga. Mas prometo que vou procurar tratamento já. Vou pegar sem medo um dos meus livros de mestrado e como antítodo talvez eu veja um dos filmes indicados ao Oscar.