03 janeiro, 2007

O ANO É NOVO, MAS O MUNDO...

Cercado das mais nobres e augustas expectativas me deparo tolamente à beira da praia do ano novo. Um oceano de oportunidades molha meus pés, a maré me beija revelando-me seus favores e a brisa desalinha meus últimos fios de cabelos, meus heróis da resistência, desejando solícita e afavelmente o melhor ano do resto da minha vida nômade. Não paro, mas penso, existo apenas dentro do coração da claridade de 15 minutos de fogos de artifício. É quando descubro uma estranha agorafobia, de estar na multidão e não ser parte dela, de estar indo quando estão voltando, de ver que resoluções se assinam, que compromissos se decretam, tudo porque ninguém mais vê que não é outro ano que chega, é apenas a noite de domingo virando aurora de segunda.

Aliás, aurora é muito. É uma manhã pra mim e tarde para todos, porque todos acordam com aquela cara de que dançaram ao som do pagode de um fauno depois do meio-dia, e aí os compromissos e resoluções estão perdidos em algum refrão da Ivete Sangalo ouvido à meia-noite, quando o funk encarna nos cadáveres ilustres do camarote vip da Coca-Cola, e Latino e Joelma vêm levar a alma dos apóstatas da mpb.

Feliz ano-novo? O ano vai ser melhor se eu for melhor e meu patrão resolver ser melhor também. E os vizinhos também. E o filho, e a filha, e a mulher, e o marido, e o estudante, e o presidente...Oops, o presidente não, que isso já é excesso de boa-vontade. Mais fácil a Britney Spears ficar de mal com a Paris Hilton! Hein? Elas romperam os laços encharcados da amizade? Então, tudo pode acontecer em 2007. Inclusive a minha felicidade pode ser eterna enquanto durar.

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