25 setembro, 2015

happy birthday to you agora é free

Após 80 anos, encerrou-se um capítulo da batalha pela posse do copyright da canção “Parabéns pra Você”. No dia 22 de setembro, um juiz federal da corte de Los Angeles considerou inválido o copyright que desde 1988 estava sob controle da companhia Warner/Chappel, que lucrava uma média de 2 milhões de dólares anuais com os royalties da famosa “Happy Birthday to You”.

Até agora, os produtores de filmes e programas de TV que queriam economizar um trocado substituíam Happy Birthday por uma canção que ninguém canta em festinha de aniversário: “Fulano é bom companheiro... [For he’s a jolly good fellow...].

O juiz declarou que o copyright, original de 1935, só vale para o arranjo de piano que está nessa partitura, mas não vale para a melodia, visto que Happy Birthday to You emprestou a melodia da canção “Good Morning to All”, que está em domínio público. Essa canção foi composta em 1875 por duas irmãs professoras primárias do Estado do Arkansas para a entrada dos seus aluninhos na escola.

As irmãs Mildred e Patricia Hill só registraram a canção em 1893. Em 1924, a melodia foi publicada com a letra que se tornou o maior sucesso popular de todos os tempos: Happy Birthday to You. Mas Jessica Hill, irmã das professoras, brigou na justiça pela posse dos direitos autorais e venceu a disputa.

A indústria fonográfica não deixaria uma música tão popular circular por aí sem rentabilidade. Então, em 1935 a Summy Company registrou uma versão da música que atribuía a autoria de Happy Birthday ao compositor Preston Ware Orem e à senhora R. R. Forman.

A questão é que não se sabe de quem seria a verdadeira autoria da letra. Embora as irmãs Hill tenham publicado sua canção no livro Song Stories for Kindergarten, em 1893, e que a letra Happy Birthday to You tenha sido publicada com a melodia de Good Morning to All só em 1912, há quem defenda que a letra já existia anteriormente.

No Brasil, a letra de Parabéns a Você é de autoria de Bertha Homem de Mello, que venceu 5 mil concorrentes num concurso nacional organizado pela Rádio Tupi (RJ), em 1942, para escolher a melhor versão de Happy Birthday to You. Bertha faleceu em 1999, aos 97 anos, e sua filha é a herdeira dos direitos autorais.

Aliás, em diversos Estados brasileiros o Parabéns a Você tem uma segunda parte.
No Maranhão:

Hoje é dia de festa
Pra alegrar nossas almas
“a/o fulana/o” faz anos
Uma salva de palmas

Quando fui trabalhar por alguns anos em São Luís, eu achava estranha essa segunda parte. Depois que fui morar em outra cidade, achava estranho ninguém cantar a segunda parte.

Em outros lugares se canta ironicamente uma segunda parte:

A (nome) faz anos
O azar é só dela
Cada dia que passa
Ela fica mais velha

Só não vale dizer que o “para-rá-tim-bum” que se canta ao final é uma expressão de convocação de demônios. Trata-se apenas uma onomatopeia antiga que imita a percussão no final da apresentação de uma fanfarra.

Enfim, parabéns a quem não precisa mais pagar pela canção americana mais famosa no mundo, que ganhou até uma versão para orquestra do compositor russo Igor Stravinski, que escreveu a peça “Greeting Prelude” usando Happy Birthday to You como base para homenagear o maestro Pierre Monteux. Stravinski disse posteriormente que não sabia que a canção era protegida pela lei do copyright: “Achei que essa música estava na categoria das músicas folclóricas”.

Segundo o crítico de música Alex Ross, Stravinski não foi processado, talvez por ter usado somente a melodia, sem a letra.

01 setembro, 2015

causa de morte de músicos em cada estilo musical

Alguém se deu o trabalho de fazer um quadro comparativo das "causa mortis" de músicos por gênero musical. De fato , trata-se de pesquisa conduzida pela professora Dianna Kenny, da Universidade de Sidney, que investiga as causas de morte precoce de músicos. 

Nesse quadro, músicos do gospel têm taxas menores de morte por câncer ou ataque do coração do que as dos músicos de blues, jazz, pop e country, mas músicos desses estilos morrem menos por assassinato do que os músicos gospel.

30% dos músicos de jazz e blues morreram por problemas cardíacos ou câncer, o que certamente foi causado pelo estilo de vida e não pela música que tocavam. Nesses estilos, há menos mortes por suicídio do que no punk (11%) e no metal (19%). Mais do que o dobro de suicídios no rock e no rap. Já no rap, as taxas de morte por câncer e problemas cardíacos é muito menor do que as taxas observadas em todos os outros estilos.

Um analista descuidado lê isso e vai recomendar a audição de uma dose diária de rap para diminuir as taxas de colesterol. Já vejo a manchete: "Hip Hop ajuda no combate ao câncer". Mas, lembre que as taxas de morte por assassinato de artistas do rap são as maiores entre todos os gêneros (mais de 50%).

Antes que o mesmo analista descuidado aponte o rap como causa de homicídio ("Hip hop mata mais que câncer" seria sua manchete), vamos lembrar que, se rappers morrem menos de ataque cardíaco, provavelmente seja porque eles morrem jovens. E não é por causa do estilo musical, mas, entre outros motivos, por problemas surgidos pelo tom crítico de suas letras ou por conflitos que envolvem  sua condição social de origem em locais urbanos de forte risco social.


Um estilo musical não é capaz de retardar ou apressar a morte de um músico. Mas o estilo de vida e as condições sociais e psicológicas de um artista podem estar na sua própria causa mortis. Roger Daltrey (da banda The Who) cantava nos anos 60 que esperava morrer antes de envelhecer ("I hope I die before I get old" - letra de My Generation). Bem, ao contrário de outros roqueiros de sua geração, Roger Daltrey já passou dos 70 anos de idade, contrariando as expectativas de sua própria música.