12 agosto, 2014

robin williams e a sociedade dos professores mortos

Todos os dias, milhares de professores entram nas salas de aula, fazem a chamada, abrem o livro didático na página 171, viram as costas para os estudantes e prescrevem na lousa seu pacto com a mediocridade.

São professores mortos de uma aula morta. Não aproveitam a oportunidade para fermentar ideias de grandeza na mente de seus alunos. Ao apequenar sua aula, o professor-zumbi subestima seu papel social.

Eu ainda ouço vozes: “Carpe diem, aproveite o dia, faça de sua vida algo extraordinário”. É a voz do ator Robin Williams, artista de vastos recursos cômicos e dramáticos, e que, infelizmente, acabou de entrar para a sociedade dos grandes atores mortos.

O professor John Keating (interpretado por Robin Williams em Sociedade dos Poetas Mortos) não dá aulas no sentido formal e solene do termo. O que ele faz é tentar inocular nos estudantes o germe da curiosidade e do protagonismo da própria vida. 

Para isso, ele rasga o formalismo das tradições e, em vez de fazer os alunos decorarem estilos e conceitos literários, ele desvela a beleza da poesia. Há um brilho nos olhos do professor Keating quando ele fala de poesia, “porque poesia não é para compreender e sim para incorporar”, como escreveu o poeta Manoel de Barros.

Nascido de pai e mãe apaixonados pela docência e pela leitura, eu não poderia ser outra coisa a não ser um professor que há décadas vive um tórrido caso de amor com aulas e livros. E quando estive desanimado com a profissão que escolhi (ou foi ela que me escolheu?), aparece um professor como John Keating vivido por um Robin Williams cheio de fervor nos olhos. Viu só? Às vezes, a culpa é das estrelas... de Hollywood.

Outro professor inspirador é o educador musical Murray Schafer (este, de carne e osso e muitas ideias). Ele disse que, ao contrário do que se costuma dizer, para aprender não é preciso talento e sensibilidade, mas coragem e curiosidade

Em outras palavras, eu digo que é preciso coragem pra experimentar e fazer da vida algo extraordinário; curiosidade para sair da gaiola e voar além das certezas dos livros e dos professores mortos. 

No filme, seja por medo de sair da gaiola ou por preguiça, nem todos os alunos sobem nas carteiras como o professor Keating. E você? É curioso para descobrir o que não está nos manuais? Você quer ser o protagonista de sua profissão?

Ou, como perguntaria o personagem-título David Copperfield no livro de Charles Dickens, "você será o herói da sua própria vida ou esse papel será desempenhado por outro?" 

Aprenda a lição dos poetas mortos e entre para a sociedade dos professores e artistas vivos e que deixam viver. Ouça as vozes, carpe diem, aproveite o dia, vá ser grande.


P.S.: lembre que, no the end, o prof. Keating foi demitido. Mas uma demissão não é o fim.

Um comentário:

George Gonsalves disse...

Muito bom. Precisamos de homens de paixão pelo que fazem, para a glória de Deus.