
O livro bíblico do Gênesis conta a história de um povo que, na tentativa de escapar de um novo dilúvio, começa a construir um edifício tão alto que arranharia o céu. Jeová, porém, provoca o desentendimento geral naquele canteiro de obras ao instaurar os falsos cognatos na linguagem humana: Pedro pedreiro pedia tijolo, o ajudante de pedreiro trazia água; o mestre de obras mandava buscar tubos Tigre e lhe traziam conexões Mico; a cozinha pedia alhos e o cameloboy comprava bugalhos.
Os executivos, que eram nominados CEO, já que o céu era o limite ali, anotaram em seus palm-papiros que os engenheiros não se haviam mais com o súbito aparecimento de diferentes sistemas de pesos e medidas, e as placas que informavam o recorde de dias sem acidentes
de trabalho eram retiradas tal era a sucessão de acidentes fatais e pedidos de demissões (devido à total incomunicabilidade linguística, o demissionário revelava sua intenção ao superior com uma simples deserção do local da obra, passando incontinenti pelo RH).
Os sindicatos, que já não se entendiam no monoglotismo, viram o mundo inteiro transformar-se numa de suas exasperantes plenárias. Só os religiosos adeptos da glossolalia regozijaram-se achando que aquele falar ininteligível era o derramamento do Espírito em escala mundial. Assim, o que seria a primeira maravilha do mundo ganhou logo o título irônico de "obra faraônica". É claro que o desconhecimento de faraós e a ausência de ironia (lembre-se que os hebreus da linhagem Seinfeld-Woody Allen ainda estava por nascer) fez com que o apelido não pegasse e o que ficou pra história foi outro: Babel, que significa confusão e deu origem à Babilônia, a metaconfusão.
Ninrode, o arquiteto principal, e a holding responsável pela torre incorreram em três erros: o primeiro, de engenharia: Que profundidade teriam as fundações de tamanho edifício? Já que temiam outro dilúvio não seria mais prático o investimento na engenharia naval?
O segundo erro, de cunho sociológico: na ausência de elevadores, quem seriam os explorados pra carregar as compras até o último andar? E qual o valor de uma cobertura? Prevendo também uma especulação imobiliária de níveis realmente estratosféricos, Deus evitava, causando a ruína da torre, a construção de condomínios verticais na planície de Sinear, de um shopping babilônico nos pastos verdejantes junto ao rio Eufrates e de mais andaimes pingentes que a gente teria que cair.
O terceiro, teológico: Se Deus tinha prometido antes que iria chover, quando não se conhecia a chuva, e de fato choveu, custava acreditar na nova promessa de que a humanidade não seria novamente destruída pelas águas?
Assim nasceram os idiomas e além do mais, sem Babel não haveria no Oscar a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira, ou Não-Inglesa, o que para os americanos é a mesma coisa.
Os executivos, que eram nominados CEO, já que o céu era o limite ali, anotaram em seus palm-papiros que os engenheiros não se haviam mais com o súbito aparecimento de diferentes sistemas de pesos e medidas, e as placas que informavam o recorde de dias sem acidentes
de trabalho eram retiradas tal era a sucessão de acidentes fatais e pedidos de demissões (devido à total incomunicabilidade linguística, o demissionário revelava sua intenção ao superior com uma simples deserção do local da obra, passando incontinenti pelo RH).
Os sindicatos, que já não se entendiam no monoglotismo, viram o mundo inteiro transformar-se numa de suas exasperantes plenárias. Só os religiosos adeptos da glossolalia regozijaram-se achando que aquele falar ininteligível era o derramamento do Espírito em escala mundial. Assim, o que seria a primeira maravilha do mundo ganhou logo o título irônico de "obra faraônica". É claro que o desconhecimento de faraós e a ausência de ironia (lembre-se que os hebreus da linhagem Seinfeld-Woody Allen ainda estava por nascer) fez com que o apelido não pegasse e o que ficou pra história foi outro: Babel, que significa confusão e deu origem à Babilônia, a metaconfusão.
Ninrode, o arquiteto principal, e a holding responsável pela torre incorreram em três erros: o primeiro, de engenharia: Que profundidade teriam as fundações de tamanho edifício? Já que temiam outro dilúvio não seria mais prático o investimento na engenharia naval?
O segundo erro, de cunho sociológico: na ausência de elevadores, quem seriam os explorados pra carregar as compras até o último andar? E qual o valor de uma cobertura? Prevendo também uma especulação imobiliária de níveis realmente estratosféricos, Deus evitava, causando a ruína da torre, a construção de condomínios verticais na planície de Sinear, de um shopping babilônico nos pastos verdejantes junto ao rio Eufrates e de mais andaimes pingentes que a gente teria que cair.
O terceiro, teológico: Se Deus tinha prometido antes que iria chover, quando não se conhecia a chuva, e de fato choveu, custava acreditar na nova promessa de que a humanidade não seria novamente destruída pelas águas?
Assim nasceram os idiomas e além do mais, sem Babel não haveria no Oscar a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira, ou Não-Inglesa, o que para os americanos é a mesma coisa.
PS: a reprodução acima é do quadro A Torre de Babel, de Peter Brughel, o Velho, pintada no século XVI. O pintor imaginou arcos na torre, mas os arcos eram elementos arquitetônicos da época do pintor, e não da torres ou zigurates babilônicos.
Comentários