03 junho, 2011

quem é o "mundo"?

"Mundo" não são pessoas. São ações e valores imorais, amorais e egoístas, são atitudes contrárias ao reino  de amor e justiça de Deus. Cristãos, dos mais simples aos mais eruditos, convivem diariamente com pessoas não-cristãs e sabem que, entre estas, existem pessoas de grande caráter e nobreza de alma. 

Se perguntarem a um pastor ou a minha vó Maria  se não existem pessoas boas fora da igreja, é provável que ambos digam que pessoas boas e más existem em todo lugar. Minha vó acrescentará, com sua fé simples e sem maiores digressões metafísicas, que é bem capaz, meu filho, que existam mais pessoas realmente boas fora da igreja do que dentro (mas ela de forma alguma recomendará que alguém abandone a fé, a igreja por causa disso).

Claro que tem gente que não sabe externar um pensamento mais equilibrado e acaba criando um apartheid espiritual mesmo. Lutar contra essa forma de segregação tem sido um engajamento de muito bom cristão. Quantas vezes ouvi sermões que apontavam para si e para os próprios membros da igreja, convocando-nos a sair da letargia, da falsa moral, do absurdo senso de exclusivismo de salvação. Em diversos blogs de cristãos, também percebo esse chamamento à vida cristã mais sincera, diligente e respeitosa.

Sempre houve homens e mulheres que, sem autoproclamar-se santos e perfeitos, chamavam os cristãos de suas épocas a viverem um vida de santidade diante de Deus e dos homens. O apóstolo Paulo identificava sérios problemas na igreja cristã primitiva - e não apenas de ordem doutrinária, mas sobretudo de ordem espiritual e moral. Embora entendesse que fora chamado para corrigir e orientar, declarava-se "o menor dos santos" e admitia uma luta contra "um espinho na carne".

Sem dúvida, o estelionato da fé e o autoritarismo notados no meio religioso contribuíram para que os não-cristãos vejam a igreja cristã como uma organização dinheirista, hipócrita, moralista e desprovida de soluções para o mundo moderno. Isso também leva pessoas a generalizar  a atitude excludente e a soberba como marcas do cristianismo.

Contudo, veja que há políticos corruptos, mas não se pensa (é, alguns pensam) em fechar o Congresso ou extinguir o sistema democrático. O melhor, optamos, seria mudar as pessoas que usam o sistema, reformá-lo judiciosamente e fiscalizá-lo com atenção.

Ninguém nega que há falsos pastores e leigos preconceituosos. No entanto, nem sempre os não-cristãos se dispõem a constatar que há líderes que procuram promover o pensamento justo e membros que vivem o cristianismo de forma sã, embora passíveis de incorrer em erros que atribuem ao que chamam de "mundo".

O cristão deve olhar esse mesmo mundo de uma forma bilateral: por um lado, ele vê a si mesmo com humildade, pois sabe que ainda é igual ao mundo, no sentido de que todos pecaram e carecem da graça de Deus. Por outro lado, ele vê que já é diferente do mundo, pois se tornou um representante do amor e da salvação de Deus que renuncia ao "mundo" mas demonstra um genuíno amor pelas pessoas.

Assim, ele estará cumprindo o desejo da oração de Jesus: "Pai, não peço que os tire do MUNDO, mas que os livre do MAL".


Um comentário:

Anônimo disse...

sensato, reflexivo.

edson