12 julho, 2012

as quatro perguntas de Prometheus



O ano é 2093. A nave Prometheus parte em missão exploratória confidencial para um planeta onde estariam os criadores da raça humana. Esse remoto local - uma incrível e revolucionária descoberta - não foi  tirado de um livro. Estava inscrito em paredes de cavernas. A tradição do Gênesis está longe. Mas a figura de um criador, não. O filme segue a visão conciliatória de criacionismo com evolucionismo; seríamos fruto de um Criador organizando o acaso. Ou seja, viemos de uma “evolução acompanhada”.

Mas dar atenção só a esse ponto é perder a contundência de algumas perguntas que o filme faz. E não quero perder a chance de explorá-lo teologicamente. 

A decisão de crer

Nem todos na astronave querem fazer perguntas aos criadores, chamados de Engenheiros. A antropóloga Elizabeth Shaw está entre aqueles que estão em busca de respostas. Ela perdeu a mãe quando ainda era criança. E é na infância que ela aprende que existe um céu maravilhoso aonde a vida é eterna. Inquieta, ela pergunta ao pai: “Como você sabe que o céu é lindo?” Ele diz: “Eu não sei. Mas escolhi acreditar que é assim”. É na infância que ela aprende a ter esperança e fé. E isso será crucial para as decisões que irá tomar mais tarde.

Não há relatos bíblicos de um Deus que força a adoração ou obriga a escolha individual. Como está escrito em Deuteronômio 30:19: “[...]te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência”. São as pessoas que decidem aceitar crer ou não.


A necessidade de criação

Entre os tripulantes, há um androide [imagem acima] – robô à imagem e semelhança do homem, com uma diferença. Não tem as mesmas emoções ou sensações. Contudo, ele parece se ocupar com questões além da matéria. Em conversa com um cientista, o androide lhe pergunta: “Se você fosse o criador, por que você criaria o homem?” A resposta: “Porque sou capaz de criar”. O androide diz: “Imagine a minha decepção se eu ouvisse isso da boca de quem me projetou”.

Criar apenas pelo poder de criar não passa de demonstração de competência. O poder sem amor gera autoritarismo e medo. A Bíblia não diz que “Deus é poder”, e sim que “Deus é amor” (I João 4:8), e “o perfeito amor lança fora o medo” (I João 4:18)  

A necessidade de salvação

Os exploradores descobrem o local onde estão os Engenheiros, os quais não demonstram interesse pela humanidade.

A crença de que Deus teria criado o mundo e o ser humano e deixá-los por sua conta e risco é o que chamamos de deísmo. É verdade que o aparente silêncio de Deus diante de tanto horror e violência pode dar a impressão de que não há mais ninguém no comando. No entanto, um Deus de amor é incompatível com Sua distância definitiva dos nossos problemas. Seria como uma mãe que, depois de dar à luz, fosse embora e deixasse seu filho com uma casa mobiliada. Deus não disse: “Se virem”. Aprendi que Ele diz: “Vinde a Mim”. Fico pensando se não somos nós que deixamos os outros por sua conta e risco.

Antes de encontrar os Engenheiros, o idoso megaempresário que financiou a expedição pergunta: “Se eles nos criaram, eles podem nos salvar?” Ao tomarmos a Bíblia como explicação que dá sentido à existência humana e à ação divina, podemos entender a criação e a necessidade de salvação. Se por um homem o pecado começou (Romanos 5:12), pelo Filho do Homem, Jesus, a salvação foi dada. Assim como a Criação, a Salvação também mostra o poder e o amor de Deus. Não basta poder para criar, é preciso amor para salvar. Também não basta amor para criar, é preciso poder para salvar.


O mistério da destruição

Ao encontrarem um dos Engenheiros, os exploradores percebem que serão destruídos por ele. Elizabeth Shaw pergunta, aterrorizada: “Por que você quer nos destruir?” Não há resposta; só aniquilação. Por que Deus irá destruir o mundo? (pela Bíblia, seria a segunda vez – a primeira foi o dilúvio). Tremendo mistério, aparentemente por ser incompatível com um Deus de amor. Mesmo os escritores bíblicos não sabiam revelar o mistério da destruição: o profeta Isaías descreveu esse ato como “a estranha obra de Deus” (Is. 28:21).


Enquanto o poder sem amor é autoritarismo, o amor sem justiça é complacente em excesso. Embora seja "tardio em irar-se", Deus é descrito como "grande em poder e ao culpado não tem por inocente" (Naum 1:3). Nesse verso bíblico, estão relacionados o amor paciente, o poder imenso e a justiça necessária. 

No filme, o Engenheiro pretende destruir a raça humana completamente; não sobrarão nem oito pessoas para recomeçar. Segundo a Bíblia, Deus destruirá o mundo, a maldade e os maus com o propósito de garantir a existência e felicidade eternas de Suas criaturas em um mundo recriado.  

Agora alguém pode perguntar: Quem é bom? Quem merece ser salvo e não ser destruído? Não sei quem merece, mas penso que o amor de Deus maravilhosamente incluirá, Sua justiça sabiamente excluirá e Sua graça misericordiosamente decidirá.

Um comentário:

Daniel Freitas disse...

Rapaz, sempre digo isso, mas tô pra achar um cara que escreva tão bem quanto você Mestre Jo-Jo!!! saudades meu amigo, forte abraço! Dani Freitas from IAENE