19 dezembro, 2016

Steven Spielberg, 70 anos: os 10 melhores filmes

Steven Spielberg acaba de completar 70 anos de idade. Soa estranho que o cineasta que melhor soube mexer com nossas fantasias e medos infantis já seja um ancião. É verdade que ele deixou um pouco suas criaturas fantásticas e seus caçadores de aventuras indestrutíveis e preferiu dar aula de História. Alguns preferem seus ETs, dinossauros e Indiana Jones; outros gostam mais de seus filmes sobre escravidão e II Guerra Mundial. Eu prefiro os bons filmes que ele faz, porque para mim importa sua incrível capacidade de contar histórias, sejam reais ou sobrenaturais.

Seus prós são muitos

- até seus filmes medianos têm enquadramentos incríveis 
- dirige atores infantis como ninguém: ele dirigiu uma Drew Barrymore garotinha em ET e um Christian Bale pré-Batman e pré-adolescente em Império do Sol
- chamou John Williams para compor as trilhas dos seus filmes
- os efeitos visuais de seus filmes servem à trama e não ao exibicionismo tecnológico
- tem pleno domínio na filmagem de cenas de ação ou suspense: os 20 minutos iniciais de Resgate do Soldado Ryan, os três primeiros Indiana Jones, as explosões em Munique

Mas é humano e tem problemas

- escorrega para o dramalhão na parte final de vários de seus filmes: quando a gente já entendeu que é pra chorar, ele prolonga demais a cena e manda aumentar a música.

*****

Nos seus filmes históricos, ele parte do painel amplo de uma tragédia coletiva para chegar ao drama individual de pessoas arrastadas pelo turbilhão da História: em Soldado Ryan, ele não fala de combate, e sim de caráter; em Amistad, é a dignidade do escravizado.


Nos filmes de fantasia, ele se nivela ao mundo infantil: em ET, sua câmera está quase sempre na altura das crianças protagonistas; em Contatos Imediatos, os adultos são docemente infantis. Spielberg também fica com a pureza da resposta e da fantasia das crianças.

Um top 10 possível dentro de uma filmografia tão boa:


10. Prenda-me se for capaz


Não se divirta se for capaz.

9. Minority Report


Continua atualíssimo.


8. O Resgate do Soldado Ryan


A bandeira americana tremulando quase atrapalha. Mas o que é importa é a nobreza de atitudes.


7. Munique


O olho por olho israel-palestina cega todo mundo.


6. Império do Sol


Filmaço dolorido e otimista.

5. A Lista de Schindler


Sem palavras. Toquem a trilha.


4. Contatos Imediatos do 3º Grau


Spielberg revela ser um adulto genialmente infantil.



3. E.T., o extraterrestre


Terno, divertido e extraordinário.


2. Os Caçadores da Arca Perdida


A obra-prima dos filmes escapistas.


1. Tubarão


Spielberg, 28 anos, na boca do seu tubarão que revolucionou o cinema. Depois dele, ritmo, música, suspense e até o marketing nunca mais foram os mesmos.


2 comentários:

Eusper Pereira disse...

Olá Joêzer!
Filmes são produto do avanço da química no século XIX e mais recentemente, do avanço da tecnologia digital. Mas, não são apenas isto. Estão repletos de tecnologia da chamada "engenharia do consentimento". O filme, o resgate do soldado rayan - isso mesmo, em tudo em minúsculo - é uma poderoso arma cognitiva contra a fé cristã. Assisti pequenos trechos, porque o estômago mal suportou alguns minutos de exposição crua de materialismo repugnante e violentamente anticristão.Relevante, entretanto é o ápice da história. Entrei em contato com o trecho do filme através de um amigo. O homem - ryan - tipicamente uma vítima, da guerra, do estado, da vida, é reconhecido pelas testemunhas como "merecedor' do sacrifício do pelotão que foi em seu resgate. Esse pelotão era formado por 11 homens. Ao morrer, o líder do pelotão pronuncia suas últimas palavras: "mereça". As testemunhas, que o confirmam merecedor, são os membros de sua bela família. A inteligência bruta, sutil e maligna dos roteiristas e produtores do filme sugerem que esta família, nem existiria. Enfim, encerro aqui o comentário. A análise, não sou especialista no assunto, pode ser extensa. Não, não sou um taliban, fundamentalista, primitivista. Saudações cordiais. Excelente o seu blog.

http://www.ip.usp.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=1927:v3n1a09-a-engenharia-do-consentimento&catid=340&Itemid=91

Joêzer Mendonça disse...

Olá, Eusper,
o início do filme é brutal mesmo, como são as guerras. Também achei mais relevante o fim da história e a questão de fazer merecer o resgate e a sobrevivência. Obrigado pelo comentário e pela sugestão de leitura do link.