28 maio, 2007

LADY MACBETH NA AMAZÔNIA


A cena operística está consolidada na Amazônia. Embora eu tenha vivido somente até a adolescência na cidade de Cláudio Santoro e Milton Hatoum, é com orgulho manauara que vejo mais um triunfo do Festival Amazonas de Ópera, já em sua XI edição. Este escriba embevecido mas "desmonetarizado", posto que mero professor de marré-de-si, não esteve lá e assim transcrevo artigo do blog do João Sampaio, que esteve no Teatro Amazonas.
João Sampaio - Já estou de volta de Manaus, onde assisti domingo a última récita da “Lady Macbeth” de Shostakovich – mais um triunfo da dobradinha Eliane Coelho/Luiz Fernando Malheiro (o que se diz, aliás, é que a dupla volta à ação no ano que vem com "Manon Lescaut", de Puccini). O resto do elenco também é de alto nível – Martin Mühle, Luciana Bueno, Lucas Debevec-Meyer, Marcos Paulo, Stephen Bronk, Sergio Weintraub.


Gostei da direção de Caetano Villela. A estética, o modelo, digamos assim, é aquele já usado na montagem de “A Queda da Casa de Usher”, de Phillip Glass, no Festival de Campos do Jordão - projeções misturadas aos cenários de corte moderno, ressaltando, neste caso, a opressão, a vigilância sob a qual vive Katerina, alusão clara à repressão política soviética.


Faço um único reparo, ao excesso de referências. Letras do alfabeto cirílico, figuras monstruosas, referências a Stálin e companhia - tudo isso faz sentido dentro do diálogo possível entre a história de Katerina e a vida política soviética. Mas o sobe e desce das imagens acaba, muitas vezes, tirando nossa atenção da música em alguns de seus principais momentos - e não podemos esquecer que é ela quem dá a exata dimensão da transgressão de Katerina e que permite, a partir daí, todos os diálogos possíveis. É essa, afinal, uma das principais qualidades da obra de Shostakóvitch.


Mas no final das contas não acho que isso comprometa o espetáculo, que tem fluência e momentos muito bonitos, antológicos mesmo, como a ária do primeiro ato, exemplo de que é possível utilizar os mais diferentes elementos visuais em conjunto, a serviço da música e não brigando por atenção.


(extraído do blog Pra falar de Música)

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