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poemãe

Agora que as compras para o Dia das Mães têm a sublime função de debelar a crise financeira mundial, mais que uma retribuição materno-comercial esse dia torna-se um dever cívico global. Como uma pátria-mãe gentil, o governo reduz impostos e sobretaxas a fim de estimular os filhos deste solo a saírem empunhando seus cartões de crédito pelos shoppings e camelódromos.

Quantas vezes já não se cantou “mamãe, mamãe, és a rainha do lar” ou quantas serenatas já não louvaram o “avental sujo de ovo” da mulher que tudo suporta? Se antigamente o povo (não muito a contragosto, diga-se) aguentava as xaroposas canções de homenagem às mães na voz de Agnaldo Timóteo, agora ouve-se ardorosamente os mercadores berrantes das Casas Bahia.

O cancioneiro nacional idolatrava e idealizava a figura da mãe como sofredora por um filho ingrato, como provedora de todo afeto que se encerra, cujas boas chineladas de correção doem mais no seu coração do que nos fundilhos do filho rebelde. Eu também já cometi uma canção de homenagem às mães. E também rascunhei uns versos que acho um tanto melhores do que a canção. Mas não se engane: o estilo é perdoavelmente sentimental. E dá pra ser diferente com a mãe da gente, puxa vida?


POEMÃE

Essas letras ajuntadas são

Para quem cruza destemida o rio da tristeza
E desemboca esperançosa na foz da alegria.
Para quem sabe que o desespero e sua paga indigesta
É só um degrau de fé numa escadaria de festa.

Para quem se arrisca a um bom sucesso
E petisca um campo grande
Pra quem avista um porto alegre
E conquista o coração da menina sem seara
E do menino que não pára.

Mulher da chuva e do sol
Mulher da mata e do concreto
Mulher de alma que ama
Mulher que ama as almas.

Nossa mãe! Que bom que essa mulher é a minha mãe!


Antes que o tempo se vá: Os versos acima foram escritos para minha mãe Lindalva em dezembro de 2007 a pedido do IACS, um dos tantos colégios em que ela deixou suas marcas de afeto-educação-trabalho. Essa mulher-fábula, que saiu do fundo das amazonas e chegou ao chuí, não vai ficar só com esses versos nesse dia, claro. Apareça com esse papo de poema e de mãos abanando pra ver o que acontece!


Comentários

Jayme Alves disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Jayme Alves disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Jayme Alves disse…
Não é por acaso que, nas altas cortes da poesia, são raríssimos os versos dedicados a homenagear as mães. Eis um tema cuja carga emocional é tão intensa que dificilmente a qualidade estética passaria incólume por ele - imagino que por isso, dentre os grandes, foram poucos os que se aventuraram por essa espinhosa trilha.

Afortunadamente, temos na Bíblia o exemplo de uma tentativa feliz ("O Louvor da Mulher Virtuosa" - Pv 31:10-38). A propósito, parabéns pela coragem de se arriscar nessa temática, tentando, até onde é possível, evitar as armadilhas do sentimentalismo.
joêzer disse…
jayme,
se quem diz é você, então fico feliz.
bom ver vc por aqui.
Jayme Alves disse…
Joêzer,

Continuo a frequentar assiduamente o seu território virtual, mas, às vezes, falta tempo ou inspiração para deixar nele algum comentário.

Fique com Deus e até mais.

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