Pular para o conteúdo principal

o primário e o universitário


Sem mais, meritíssimo.

*****

Já andei escrevendo sobre o assunto:

Todo mundo odeia o Michel Teló

Mestres, inventores e diluidores

Comentários

Cristiane disse…
Verdade!!
Author disse…
Amigo Joêzer e demais leitores,

Aprendam, de uma vez por todas, como deve ser a receita perfeita para a composição um bom e legítimo "Sertanejo do Jardim da Infância". São três passos bem simples:

1. Para a letra das estrofes, pegue uma meia dúzia (quando muito) de sentenças versando invariavelmente sobre os temas "sexo", "balada", "bebedeira", "pegação" e "sem-vergonhices" (esse é só um eufemismo para não se usar o termo mais chulo) em geral. Para este item, ainda, é importante que não se demonstre a mínima consideração para com as regras básicas de expressão em Língua Portuguesa, tais como concordância, coesão, coerência etc. (afinal de contas, a chamada "licença poética" legitima a adoção dos mais absurdos descalabros linguísticos...);

2. No refrão, preferencialmente, acrescente algumas sílabas soltas, desconexas e sem qualquer sentido inteligível. Eis aqui algumas boas sugestões: "ai-ai-ai", "tchu-tchá-tchá", "tchê-tchererê-tchê-tchê","lê-lê-lê", "bará-bará-bará, berê-berê-berê" etc.

3. Encaixe tudo isso dentro de uma sequência melódica e harmônica de três ou, no máximo, quatro acordes repetida à exaustão. Se porventura lhe falta criatividade e/ou competência artística para imaginar algo diferente, não tem problema algum. A "fórmula mágica" já vem pronta, basta tocar as cifras: Am - F - C - G.

Pronto, aí está. É sucesso garantido! Afinal, as dezenas de canções que ouvimos todos os dias, e que seguem à risca este padrão, não me deixam mentir sobre o assunto.

Um abração,

Marcus

P.S.: Ops, foi mal mesmo! Acho que agora eu "me ferrei", porque os cantores e compositores do "Jardim da Infância" vão ficar muito "bravinhos" e mandar os seus irmãos maiores me pegarem na saída da escola (afinal, revelei publicamente o segredo deles na Internet)...
joêzer disse…
Muito bom, Vinicius.

A sequência de acordes é essa mesma. Assim como o rock dos anos 50 era "G - C7 - G - D7 - G", a dos Platters e outros românticos era "C-Am-F-G". Inclusive a cadência mais usada pelo pop-sertanejo também está no refrão de "TAke On me", do A-ha, no Let it be (Beatles), Forever Young, Poker Face, Down Under e trocentos outros hits.
Ô sequenciazinha batida (e inesgotável), sô! rs

Author disse…
Caro Joêzer e amigos,

Volto com a difícil missão de informar-lhes que, infelizmente, parece que o nosso velho amigo "Sertanejo do Jardim da Infância" conseguiu a incrível façanha de piorar o que já estava péssimo, e acaba de "desgraduar-se" um pouquinho mais, ladeira abaixo, atingindo o nível de "Rol do Berço": Gugu, dadá, buá, buá...

Para entenderem do que se trata, deem só uma "espiadinha" neste vídeo que apareceu recentemente no YouTube. São cenas constrangedoras, admita-se, então aconselha-se a que façam isso somente se forem suficientemente fortes, capazes de tolerar as debilidades alheias e de lidar bem com situações que exponham seres humanos ao extremo do ridículo ou da falta de senso:

http://youtu.be/EoIqEaS52NQ

Puxa vida, e isso tinha que acontecer logo agora, quando eu estava começando a me sentir culpado pelo sarcasmo que usei no meu comentário anterior!

Como já dizia algum "velho deitado" por aí: "A música popular era muito melhor quando o tal sertanejo universitário era apenas um caipira que ia à cavalo pra faculdade."

É pra rir ou pra chorar, hein?!

Um abração,

Marcus

Postagens mais visitadas deste blog

o mito da música que transforma a água

" Música bonita gera cristais de gelo bonitos e música feia gera cristais de gelo feios ". E que tal essa frase? " Palavras boas e positivas geram cristais de gelo bonitos e simétricos ". O autor dessa teoria é o fotógrafo japonês Masaru Emoto (falecido em 2014). Parece difícil alguém com o ensino médio completo acreditar nisso, mas não só existe gente grande acreditando como tem gente usando essas conclusões em palestras sobre música sacra! O experimento de Masaru Emoto consistiu em tocar várias músicas próximo a recipientes com água. Em seguida, a água foi congelada e, com um microscópio, Emoto analisou as moléculas de água. Os cristais de água que "ouviram" música clássica ficaram bonitos e simétricos, ao passo que os cristais de água que "ouviram" música pop eram feios. Não bastasse, Emoto também testou a água falando com ela durante um mês. Ele dizia palavras amorosas e positivas para um recipiente e palavras de ódio e negativas par...

paula fernandes e os espíritos compositores

A cantora Paula Fernandes disse em um recente programa de TV que seu processo de composição é, segundo suas palavras, “altamente intuitivo, pra não dizer mediúnico”. Foi a senha para o desapontamento de alguns admiradores da cantora.  Embora suas músicas falem de um amor casto e monogâmico, muitos fãs evangélicos já estão providenciando o tradicional "vou jogar fora no lixo" dos CDs de Paula Fernandes. Parece que a apologia do amor fiel só é bem-vinda quando dita por um conselheiro cristão. Paula foi ao programa Show Business , de João Dória Jr., e se declarou espírita.  Falou ainda que não tem preconceito religioso, “mesmo porque Deus é um só”. Em seguida, ela disse que não compõe sozinha, que às vezes, nas letras de suas canções, ela lê “palavras que não sabe o significado”. O que a cantora quis dizer com "palavras que não sei o significado"? Fiz uma breve varredura nas suas letras e, verificando que o nível léxico dos versos não é de nenhu...

Bob Dylan e a religião

O cantor e compositor Bob Dylan completou 80 anos de idade e está recebendo as devidas lembranças. O cantor não é admirado pela sua voz ou pelos seus solos de guitarra. Suas músicas não falam dos temas românticos rotineiros, seu show não tem coreografias esfuziantes e é capaz de este que vos escreve ter um ataque de sonolência ao ouvi-lo por mais de 20 minutos. Mas Bob Dylan é um dos compositores mais celebrados por pessoas que valorizam poesia - o que motivou a Academia Sueca a lhe outorgar um prêmio Nobel de Literatura. De fato, sem entrar na velha discussão "letra de música é poesia?", as letras das canções de Dylan possuem lirismo e força, fugindo do tratamento comum/vulgar dos temas políticos, sociais e existenciais. No início de sua carreira musical, Dylan era visto pelos fãs e pela crítica como o substituto do cantor Woody Guthrie, célebre pelo seu ativismo social e pela simplicidade de sua música. Assim como Guthrie, o jovem Bob Dylan empunhava apenas seu violão e ent...