28 junho, 2013

o cinema e o povo nas ruas: sete filmes

Temos acompanhado lances históricos aparentemente inéditos no Brasil. É a primeira vez que a população em massa sai às ruas para exigir mudanças estruturais na forma de governar o país. A Inconfidência foi uma ação da elite intelectual e econômica; a Independência foi uma ação da corte contra si mesma; a República, uma ação militar. A massa popular em ação simultânea no país inteiro, só agora.

Muitos cineastas se envolveram com questões sociais e disseram "luz, câmera, revolução". Aqui estão sete filmes que traduziram o espírito da revolução popular no meio da rua:

A Batalha de Argel, 1966, de Gillo Pontecorvo. Quem luta: os líderes da resistência da Argélia. Motivo: obter independência da França. Resultado: filmado com tamanha eficácia e realismo que o filme foi banido da França e proibido pela ditadura brasileira por vários anos e por razões óbvias.

O Encouraçado Potemkin, 1925, de Serguei Eisenstein. Quem luta: os marinheiros russos. Motivo: o tratamento desumano que recebem da hierarquia militar. Resultado: este é o pai de todos os filmes revolucionários. Sua técnica de montagem virou parâmetro para o cinema que veio depois dele.

Terra e liberdade, 1996, de Ken Loach. Quem luta: jovens espanhóis e estrangeiros. Motivo: a ditadura do general Franco nos anos 30. Resultado: uma ode ao ardor revolucionário e ao desejo de mudança.

Malcolm X, 1992, de Spike Lee. Quem luta: ativistas afro-americanos. Motivo: igualdade de direitos civis e luta contra o racismo. Resultado: se Martin Luther King, que pregava a revolução pacífica, foi assassinado, que fim poderia ter Malcolm X, que defendia o olho por olho?

Germinal, 1993, de Claude Berri. Quem luta: os trabalhadores franceses das minas de carvão no final do século 19. Motivo: melhores condições de trabalho e de salário. Resultado: seu protesto incendeia o ânimo das classes populares brutalizadas pela elite local.

Gandhi, 1982, de Richard Attenborough. Quem luta: o Mahatma e o povo indiano. Motivo: a saída dos ingleses da Índia. Resultado: o filme ficou um tanto longo, mas não é capaz de tirar a inspiração da liderança de Gandhi.

Spartacus, 1960, de Stanley Kubrick. Quem luta: os escravos de Roma Antiga. Motivo: adivinha? Resultado: um épico que romanceia um pouco a história, mas nada diminui a emoção de ouvir todos os escravos dizendo “Eu sou Spartacus”.

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