29 junho, 2014

façam o que quiserem mas não mexam no meu culto

O formalismo tem engessado não só a doxologia dos cultos, mas também a noção do que é um culto a Deus. Enquanto, num extremo, para uns o culto não difere de uma ida ao shopping ("posso chegar ou sair na hora que eu quiser"), no outro extremo, estão aqueles que não concordam com a mudança de um jota ou um til em sua concepção de culto enquanto céu e terra não passarem ("não mexam no meu culto").

Estes últimos às vezes parecem ter um slogan semelhante ao daquela franquia de hambúrgueres: façam o quiserem, mas não mexam no meu quarterão!

Misericórdia quero, e não sacrifícios: este deveria ser o slogan de nossas vidas de crentes com tolerância zero. Deveríamos estar num estágio mais maduro de nossa vida cristã para que não houvesse contenda ou constrangimento indevido por causa de meia dúzia de canções que não estão nos hinários. Mas temos escolhido criticar negativamente em vez de orientar positivamente.

O cisco do tradicionalismo impede que se enxergue que as faixas etárias (infância, adolescência e juventude) possuem modos de expressar a fé e a adoração que são diferentes dos modos de expressão religiosa de gente que se diz crescida.

O acolhimento das atividades religiosas dos componentes de outras faixas etárias que não a nossa, porém, não deve ser uma justificativa para o rebaixamento da beleza ou da dignidade tradicional do culto. Também não quer dizer que, na ânsia de atrairmos os mais jovens, vale usar qualquer estratégia irrefletida e todo gênero musical.


Mas, quantos de nós, ao discordar do penteado, do vestuário, da voz, do instrumento musical, em vez de nos dirigirmos correndo para a saída mais próxima, fomos até ao cantor, à cantora, à banda para conversarmos sobre nossos pontos de vista? Se não vamos até lá talvez estamos achando que aqueles irmãos inferiores estão muito abaixo do nosso degrau de santidade para que dispensemos a eles um tempo que será muito mais bem utilizado para abraçar o irmão amado em que me comprazo e/ou para preparar o bendito almoço do santo dia.

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