10 março, 2009

everybody loves ronaldo

Imagine o seguinte roteiro:

Terceira cirurgia no joelho, mais de um ano em trabalho de recuperação, especialistas falando em todas as mídias que um certo atleta está acabado para o esporte. Esse é só o mote. Vamos para as emocionantes cenas finais.

Esse atleta amado por uns e criticado por alguns, longe do melhor da forma espetacular de outros tempos, esse quase ex-jogador entra em campo no meio de um clássico. Pra criar mais suspense, seu time está perdendo para o maior rival.

Pois é só entrar em campo e ele já desfere um chute de longa distância: a bola caprichosamente beija o travessão e vai para fora. Foco na torcida, que se acende e pula entusiasmada. Corta para o locutor surpreso, mas garantindo um proverbial “eu já sabia”.

A partida está acabando. Close no suor do esforço do craque, flashback do treinamento duro para conseguir voltar a jogar. Então, no último minuto do jogo, a bola é lançada para dentro da pequena área. Câmera lenta, close no rosto crispado desse atleta. Corta para o zagueiro adversário que sobe para cabecear a bola e não acha nada. O tempo se arrasta como nos bons melodramas do ramo. O atleta sobe e cabeceia.

Silêncio. Não se ouve grito de torcida, de locutor, até a trilha sonora para. A bola entra, é gol. Corta para a corrida do atleta em direção à torcida enlouquecida, seus companheiros correm para comemorar com ele. Close no sorriso do tipo “ele-é-o-cara” do técnico. Jogo empatado. Quem ganha é o craque de volta a sua profissão de vencedor. The end. Sobem os créditos com música triunfal.

Você sabe que estou a falar de Ronaldo e sua volta aos gramados de futebol. Se o que contei fosse um roteiro de um filme, alguém diria: “Que final forçado! Isso não acontece na vida real!” Mas quem viu as tantas vezes em que Michael Jordan resolveu partidas e deu títulos ao time do Chicago Bulls com o cronômetro quase zerado, sabe do que estou falando.

Ronaldo e seus erros fora de campo o revelam como um fenômeno demasiadamente humano. Mas, talvez pelo seu jeitão discreto diante das câmeras, talvez pela sua fala pausada meio infantil, talvez por ter acostumado um país a apreciar suas proezas desde meninote, Ronaldo é mimado pelos brasileiros, sempre prontos a perdoá-lo e torcer por ele, como que a espera de novos feitos.

A vida da gente, entre a ascenção e a queda e uma nova subida, daria um filme. O melhor é que, não importa o roteiro mais surpreendente que se escreva, o roteiro da vida real continua insuperável.
Para outras incríveis histórias que o esporte conta, leia "a esperança é uma bola na área".

Imagem via sergeicartoons.

3 comentários:

André R. S. Gonçalves disse...

ele é o cara... e ponto! e não sou corintiano!
é emocionante ver o que está acontecendo
e chega de emoção ;)
shalom

joêzer disse...

parece inacreditável, mas olha o craque aí de novo.

coisasdestavida disse...

Imagine eu que sou corintiana???
É muita emoção, escrevi sobre ele no blog, ele tem uma força de vontade muito grande e isso admiro muito.
Concordo com você, fora de campo não é lá dos melhores...mas quem é perfeito? Eu só sei que ta sendo emocionante! E o meu Timão ou sei lá timinho, só tem a ganhar.

Um abraço,

Lídia