Pular para o conteúdo principal

cem palavras: revoluções

Revolução costumava ser uma palavra doce como mel que logo amargava como fel. Não custa lembrar que até o golpe militar tupiniquim de 1964 exibia-se vistosamente aos 31 de março de cada ano com o lustroso nome de Dia da Revolução. Os oficiais de caserna apropriaram-se do termo para, em nome da liberdade, tolher liberdades.

Assim, ninguém era livre para falar em liberdade. Se ainda hoje vigorasse oficialmente a ditadura, aquela canção que diz “O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade...” seria censurada ainda no berçário das composições bregomânticas.

Havendo revolução, logo há contrarrevolução. E os contrarrevolucionários não queriam outra coisa que não fosse outra tal liberdade. Eles queriam instaurar seu reino marxista de paz e amor do mesmo jeito que os militares chegaram ao governo: na base da força.

No governo dos “revolucionários de direita”, a oposição era reprimida e todos eram ensinados a cantar os versos “esse é um país que vai pra frente”. No país do contragolpe dos “revolucionários de esquerda”, a oposição é sempre reprimida e todos seriam ensinados a cantar “somos 90 milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção comunista". Seleção essa com Fidel no gol, trancando tudo, Stalin no meio de campo prendendo a bola e vários jogadores e, na vanguarda, o atacante matador Che.

Que outros falem:

O entusiasmo inicia as revoluções, o delírio as acompanha e o arrependimento as segue (Nicholas Chamfort).

As três frases abaixo são de Nelson Rodrigues:

Eu amo a juventude como tal. O que eu abomino é o jovem idiota, o jovem inepto, que escreve nas paredes "É proibido proibir" e carrega cartazes de Lenin, Mao, Guevara e Fidel, autores de proibições mais brutais.

Ah, os nossos libertários! Bem os conheço, bem os conheço. Querem a própria liberdade! A dos outros, não. Que se dane a liberdade alheia. Berram contra todos os regimes de força, mas cada qual tem no bolso a sua ditadura.

Quando os amigos deixam de jantar com os amigos [por causa da ideologia], é porque o país está maduro para a carnificina.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Lutero e a Reforma da música - parte 1

Andreas Karlstadt acaba de publicar em Wittenberg um panfleto com 53 tópicos condenando a liturgia católica, rejeitando seu formato, seu idioma e sua música inacessível ao canto congregacional. Isso foi manchete em março de 1522. Naquele ano, Martinho Lutero, após seu exílio no castelo de Wartburg, voltava para Wittenberg, onde em 31 de outubro de 1517 ele publicara suas 95 Teses. Isso continua sendo manchete há 499 anos. Esperava-se que o Dr. Lutero, o reformador protestante, apoiasse Karlstadt. Mas ao chegar na cidade, Lutero profere uma série de oito sermões com o intuito de corrigir a reforma litúrgica radical de Karlstadt. A reforma luterana deveria ser mais cautelosa e mais conservadora devido 1) à necessidade de reformar o ensino bíblico antes de modificar o ritual e 2) ao apreço de Lutero pelo canto tradicional polifônico. As proposições reformadoras de Lutero cuidaram de preservar o aparato cerimonial da missa católica, cuja música, linguagem e ornamentações possuíam alto valor …

uma imagem que vale mil canções: história da música dos adventistas

A história da música adventista no Brasil passa obrigatoriamente pelos músicos nessa foto, tirada num encontro de músicos no Rio de Janeiro: 1ª fila, da esq. para direita: Mário Jorge Lima, Williams Costa Junior, Jader Santos 2ª fila: Evaldo Vicente, Valdecir Lima, Lineu Soares, Flávio Santos 3ª fila, à direita: Alexandre Reichert Filho
[Não conheço o trabalho de Wilson Almeida e Horly de Oliveira, na 3ª fila, da esquerda para direita. Por isso, vou mencionar somente os demais músicos].
No final dos anos 1970 e início dos anos 80, tendo como epicentro o Instituto Adventista de Ensino (hoje, UNASP-SP), eles viabilizaram uma mudança de paradigma sacro-musical que impactou a estrutura musical e poética tradicional e mobilizou um novo modelo de prática musical para as igrejas adventistas no Brasil.

Trata-se de uma foto carregada de capital simbólico, visto que reúne uma geração espetacular de letristas, maestros, instrumentistas, compositores e arranjadores que deram novos rumos à música…

quando a teologia canta