21 março, 2010

cem palavras: revoluções

Revolução costumava ser uma palavra doce como mel que logo amargava como fel. Não custa lembrar que até o golpe militar tupiniquim de 1964 exibia-se vistosamente aos 31 de março de cada ano com o lustroso nome de Dia da Revolução. Os oficiais de caserna apropriaram-se do termo para, em nome da liberdade, tolher liberdades.

Assim, ninguém era livre para falar em liberdade. Se ainda hoje vigorasse oficialmente a ditadura, aquela canção que diz “O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade...” seria censurada ainda no berçário das composições bregomânticas.

Havendo revolução, logo há contrarrevolução. E os contrarrevolucionários não queriam outra coisa que não fosse outra tal liberdade. Eles queriam instaurar seu reino marxista de paz e amor do mesmo jeito que os militares chegaram ao governo: na base da força.

No governo dos “revolucionários de direita”, a oposição era reprimida e todos eram ensinados a cantar os versos “esse é um país que vai pra frente”. No país do contragolpe dos “revolucionários de esquerda”, a oposição é sempre reprimida e todos seriam ensinados a cantar “somos 90 milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção comunista". Seleção essa com Fidel no gol, trancando tudo, Stalin no meio de campo prendendo a bola e vários jogadores e, na vanguarda, o atacante matador Che.

Que outros falem:

O entusiasmo inicia as revoluções, o delírio as acompanha e o arrependimento as segue (Nicholas Chamfort).

As três frases abaixo são de Nelson Rodrigues:

Eu amo a juventude como tal. O que eu abomino é o jovem idiota, o jovem inepto, que escreve nas paredes "É proibido proibir" e carrega cartazes de Lenin, Mao, Guevara e Fidel, autores de proibições mais brutais.

Ah, os nossos libertários! Bem os conheço, bem os conheço. Querem a própria liberdade! A dos outros, não. Que se dane a liberdade alheia. Berram contra todos os regimes de força, mas cada qual tem no bolso a sua ditadura.

Quando os amigos deixam de jantar com os amigos [por causa da ideologia], é porque o país está maduro para a carnificina.



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