
E Avatar ganhou, mas não levou. Qual a explicação para os seis Oscars de Guerra ao Terror, uma pequena produção que passou quase incógnita nos EUA e superou o megasucesso Avatar, de 2 bilhões de dólares arrecadados, visto como a salvação da lavoura do cinema na batalha contra a praga do home theater e da pirataria?
Estaria Roliúdi desprezando a dinheirama em prol dos baixos custos de produção? Seria a vontade de muitos em ver um Davi cinematográfico derrubando o Golias-Avatar? Ou seria o apelo de premiar uma mulher como diretora pela primeira vez, ou vê-la derrotando o ex-marido, justamente o James Cameron produtor-diretor de Avatar?
Nada disso. Primeiro que Roliúdi é doida mas não rasga dinheiro. Os investimentos vão continuar em megafilmes, ainda que de pífias histórias.
A questão, me parece, é o medo do “filme do futuro” que Avatar representa. Nesse futuro, atores e atrizes (votantes no Oscar) são pouco necessários, valendo muito mais a tecnologia de ponta para fisgar os espectadores já dessensibilizados pelo cotidiano espetacularizado. O espectador comum já não se espanta facilmente, e só as epopeias à imagem e semelhança de Avatar podem impressioná-lo.
De fato, o baixo orçamento de Guerra ao Terror, um filme que encena a tensão vivida por desativadores de bombas do exército americano no Iraque, lhe dá uma cara de filme “real”, com atores de verdade e situações realistas. Isto é, sangue, suor e lágrimas.
Por isso, penso eu, a Academia preteriu o gigantismo computadorizado em favor dos combatentes de cara suja das areias iraquianas. De outro lado, pode estar o temor de executivos já não tão dispostos a bancar o alto risco dos filhotes de Avatar. Ou, numa perspectiva menos condescendente e sem sustos, votaram em Guerra ao Terror porque acharam que era o melhor filme e pronto. Ou todas as alternativas acima.
Mas que ninguém duvide de que a fantástica inovação visual e tecnológica de Avatar será copiada, imitada, diluída. O resto é conversa mole das comadres de blogs e jornais que vivem de fofoca e sentimentalismo.
Na véspera do Dia Internacional da Mulher, uma mulher ganhou o Oscar de melhor direção. Melhor: por um filme muito bom, segundo a crítica. Melhor ainda: uma mulher bem-educada que no discurso de agradecimento não mostrou revanchismo, feminismo, triunfalismo; só agradeceu e ressaltou a importância da equipe de filmagem.
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