Osama Bin Laden, o vilão globalizado, foi morto por Barack Obama, o xerife globalizado. Osama, que elegeu a civilização judaico-cristã-ocidental como alvo preferencial de sua fúria homicida, teria sido morto com um tiro na cabeça e jogado ao mar após os rituais islâmicos. Fica meio difícil de acreditar nessa reverência súbita, contando que militar americano só dá tratamento religioso à bandeira americana.
A Casa Branca decidiu não mostrar nenhuma foto do corpo estendido no chão. Só que, sem turbante e sem documento, o povo fica descrente. Mas sejamos francos. Do jeito que as pessoas amam uma teoriazinha da conspiração, mesmo que os soldados tivessem filmado a ação espetacular, muita gente veria apenas uma bem editada encenação hollywoodiana, e colocariam as imagens na mesma seção histórica sob suspeita onde estariam os passos do homem na lua.
Não é que a civilização judaico-cristã-ocidental esteja reclamando da morte de Osama. Mas a porção Tomé-ocidental se acostumou a ver para crer.
Nem eu tampouco reclamo da civilização judaico-cristã-ocidental: muito pelo contrário, amo muito tudo isso. A gente só se queixa quando tem muita conversa de “guerra civilizatória” e pouca demonstração de “paz judaico-cristã”.
Perseguido em todas as cavernas da Ásia, Osama vagava de esconderijo em esconderijo como um fantasma do homem mais perigoso do mundo. Agora é provável que sua morte reúna órfãos ansiosos para dar continuidade a essa história de retaliação sem fim.

A população norte-americana, que foi quem realmente sentiu o ataque do 11 de setembro, nem quis saber se os soldados atiraram primeiro e perguntaram depois ou se Osama reagiu ao ataque. Comemorou como se marcassem um gol decisivo na copa do mundo de caça aos terroristas . Não por acaso, alguém celebrou com um cartaz onde se lia o placar Obama 1 x 0 Osama.
Se Osama morre, Obama renasce. E Barack andava em apuros. Já tinha americano duvidando da autenticidade de sua certidão de nascimento de novo (olha o bloco da conspiração aí, gente!). O congresso não o apoiava, a economia cambaleava, o eleitorado chiava. Agora, a aprovação popular de Obama está em alta de novo. E muito pode a popularidade de um presidente.
Para a Casa Branca, uma guerra custa caro. Mas ver americanos eufóricos gritando “Iuessei”, não tem preço.
Comentários
E diz que o Obama mudou o slogan para: "YES, WE BANG! Nós matamos o Bin! Votem em mim"
Parabéns, mais uma vez, pelo maravilhoso blog...
provavelmente o Capitão Obama ainda vai ter muito trabalho.