04 dezembro, 2006

QUEM COM MENUDO FERE, COM RBD SERÁ FERIDO


A invenção da adolescência: um tema propício para encontros de pais e mestres.
Talvez pior que uma sonífera palestra sobre a invenção da adolescência seja a invenção dos filmes para adolescentes. Foi a sensação que eu tive ao final do filme High School Musical, ou melhor, Rebeldes Americanos com Roupas Mais Comportadas.
Na máquina de videopôker que é a TV e o cinema americanos, a aposta deu certo e eis que surge mais uma franquia. Série que vira cd que vira dvd que vira roupa que vira acessório que vira eterna rolagem da dívida dos pais. Os roteiristas e produtores de um seriado desses ou são adolescentes que desconhecem o termo "orçamento doméstico" ou são pais adultos que precisam inventar um seriado que lhes aumente a receita para que eles possam quitar as despesas que seus filhos fazem ao assistir alguma série adolescente por aí.

Mas não perca os cabelos, pai muquirana! Calma, mãe descabelada! Como vocês ouviram muito Pluct-Plact-Zum e Menudo, agora estão sendo punidos até a quinta geração com Rouge, Rebeldes (o RBD da foto ao lado) e outros congêneres amexicanizados.

O piloto da série High School Musical encerra em seu glorioso roteiro tudo o que um adolescente sempre quer ser na escola mas nunca será por que sua vida não tem uma trilha sonora tão kistch. É claro que ninguém vai levar muito a sério estes enredos com meninos e meninas que descobrem uma voz especial, um talento especial, ao tempo em que desabrocham para as dores dos amores escolares. Quando digo "ninguém" quero dizer nosotros adultos, um bando de zé-ninguéns e vilões no mundo encantado dos teens.

Em relação à história do piloto da série, é óbvio que o casal central vai se desentender, é óbvio que na hora de cantar no teste ela vai amarelar, é evidente que ele vai dar aquela força dizendo "olhe pra mim e cante", é lógico que no palco só tem uma pianista acompanhando a música deles e de repente o playback surge do nada com toda sorte de instrumentos, é claro que o casal coadjuvante que vai perder o duelo musical é bem melhor que o par central, mas na hora que o par central começar a cantar vai lotar o auditório, vão enquadrar rostinhos zero km com aquele ar surpreso e encantado, a vetusta professora vai se entusiasmar em plena sessão de teste e ele, o garoto loirinho e mocinho, vai fazer o último ponto no último minuto na última partida do campeonato de basquete.

O filme é tão enjoativo quanto o último parágrafo aí em cima. Mas não tão enjoativo quanto qualquer filme da Xuxa (que história é essa de anunciar os Xuxa Pictures com um tal de "a nossa rainha"?). Estes filmes, sim, são tão ruins, que devem até engordar.

4 comentários:

sutil como uma curva disse...

PUTZ, HAHAHAHHAHAHAHAHA!

Anônimo disse...

putz! putz! putz!
isso mesmo... três putz!
agora não tenho desculpa.
devo confessar que um dia, em anos muito remotos, ainda não chegava aos dez ano de idade e tentava dançar o "não se reprima, não se reprima", sem sucesso, é claro, mas com a sala cheia de irmãos e primos e amigos doidos para fazer o cover "amexicanizado"

está muito bom o texto... rsrs

Raulison! - http://raulisonpoetadorock.spaces.live.com/

lídia disse...

aqui em casa a briga é feia: minha irmã no rbd, meu irmão no lsjack. agora lendo seu texto não posso mais brigar com eles poruqe meu passado me condena.

Anônimo disse...

é KITSCH