
A distonia focal é uma doença neurológica que provoca contrações involuntárias dos músculos, ocasionando deformações na postura e nos movimentos musculares. Segundo o próprio Klein, "para tocar oboé surgiu uma dificuldade que não existia antes. Danificou-se a linha de conhecimento que montei durante 30 anos para tocar de forma precisa e afinada, para soprar da maneira correta. Já a linha de conhecimento para tocar corne inglês não foi afetada. Parece misterioso, mas a neurologia explica".
Klein revela que "quando o diagnóstico se confirmou, comecei a pensar em outras opções, como ir para a Finlândia estudar regência. Ao mesmo tempo, recebi o convite para dirigir a Oficina de Música de Curitiba e comecei lá em janeiro de 2002". O músico também diz que entre 2003 e 2004 chegou "ao fundo do poço", enfrentado um divórcio, sofrendo com tendinite, depressão e altos custos do tratamento. Ele conta que, "sem emprego, tive que voltar para o Brasil. Estava gastando 3.500 dólares por mês em tratamentos médicos. Voltei para a casa dos meus pais. Em 2004, no que seria o ponto alto da minha carreira, eu estava no fundo do poço. Fiquei no sofá da sala três meses vendo televisão. Tentava estudar, mas logo vinha a tendinite. Eu ainda conseguia tocar alguma coisa de oboé e precisava fazer a transição de carreira para a regência".
Alex Klein começou a participar de um festival no Panamá e de outro na China. Este último chama-se "Festival de Oboé Alex Klein" e reúne estudantes que chegam a viajar três dias de trem para conhecê-lo, como diz em outra reportagem. Como regente, apresenta-se no Festival de Música Saint Barts, no Caribe, além de ser o principal regente convidado do Festival Sunflower no Kansas (EUA), que reúne músicos das grandes orquestra americanas. Desde 2006, está a frente do Festival de Música de Santa Catarina e em 2007 tornou-se professor de oboé do Conservatório Oberlin, em Ohio (EUA), onde ele mesmo se graduou nos anos 1980.
Como João Carlos Martins, Klein precisou redirecionar sua carreira musical, lutando para manter-se ativo no mundo da música. Se seus planos eram de aposentar-se após 30 ou 40 anos como oboísta, paradoxalmente alguns sonhos viraram realidade após sua dolorosa saída de Chicago. Ele não é mais um instrumentista. O também grande detentor de prêmios com o oboé(como os Grammys na categoria erudita) agora está tendo chances de realizar projetos acalentados anteriormente, como dar aulas para jovens músicos e reger orquestras. "Quanto à distonia", diz ele, "as coisas estão melhorando. Lancei recentemente um CD de [música de]câmara" .
Lições de vida nem sempre são bem-vindas em nosso mundinho da crítica da razão cínica, mas Alex Klein tem superado o que poderia ter sido o fim de uma carreira com o surgimento de outra: inesperada, traumática, mas extremamente recompensadora depois que se chega al otro lado del río. Agora, de um novo ponto de vista, ele já pode dizer: "aprendi que para ultrapassar problemas precisamos saber quem somos e para que somos. São poucas as coisas que importam. A vida, na verdade, é bem simples".
Leia aqui a entrevista completa que Alex Klein concedeu à revista VivaMúsica!
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