26 outubro, 2011

o falso profeta e o sangue negro

Uma paulada no falso profeta que se mete em negociatas e outra no negociante que prediz falsamente que a riqueza do petróleo será de todos. Isto é Sangue Negro, a história de um homem movendo montanhas pra encontrar petróleo e de um religioso atrás de almas e dólares.

O império do automóvel, do petróleo e dos computadores foi construído por empreendedores que, sem eira nem beira, e por seus próprios méritos espalharam a riqueza mundo afora. Eles seriam os self-made-men, um mito do capitalismo norte-americano. O mito está menos na impressionante persistência do empreendedorismo e mais na distribuição da riqueza. As megaempresas foram erguidas à custa de muita exploração de mão-de-obra, de chantagens, subornos e acordos espúrios entre governos e indústrias. Um enriquece muito, alguns enriquecem bastante e muitos não enriquecem nada.

Como eu disse, trata-se de um mito, mas não tem nada de conto de fadas. Muito sangue correu. Aliás, o título original do filme Sangue Negro é There Will Be Blood (“Haverá sangue”, em bom português, “vai ter sangue”).

O grande embate na história se dá entre o caçador de petróleo Daniel Plainview e um caçador de almas, o pastor Eli Sunday.
Daniel Plainview, visionário e perfeccionista como todo mítico empreendedor, compra a baixo custo a terra (onde há petróleo não explorado) de pequenos proprietários com falsas promessas de prosperidade. Eli Sunday, manipulador como todo falso profeta, mantém sua congregação à base de encenações de milagres e exorcismos.

Plainview precisa da confiança da congregação do pastor; o pastor negocia porcentagens e comissões em troca do batismo do empreendedor. O perfurador Plainview tem na indústria a sua religião, sua transcendência perdida. O pregador Eli Sunday  faz da religião a sua indústria. O capitalismo “social” passa longe da visão de Plainview. O cristianismo “puro e simples” não faz parte do trabalho de Sunday.

O pacto simbólico entre capital e religião tem como consequência o derramamento de sangue. Mas nesse caso, o sangue não serve como remissão de crimes e pecados. De fato, o sangue é negro como o petróleo cobiçado. Por causa de falsos profetas, mais interessados em comissões do que em conversões, a religião é a maior perdedora.

Um comentário:

aurea disse...

Hoje em dia vale tudo,trapacear,mentir ,explorar;;;;menos falar e viver o evangelho verdadeiro de CRISTO.Francamente o meio evangélico está um caus .O amor já se foi a muito tempo .Bem !!é a palavra se cumprindo né !!!. então??? Paz.