17 novembro, 2011

vida de ateu é uma dureza. ou não?

A colunista da revista Época Eliane Brum publicou uma história em que uma ateia entra no táxi de um evangélico. O leitor percebe que a passageira é muito bem-informada, em contraste com o taxista que é devidamente um "ignorante fundamentalista". Enquanto a passageira reflete sobre o caráter mercantil do neopentecostalismo, algo que é bastante estudado nos círculos acadêmicos, e com o que muito protestante concorda, o taxista apresenta uma fala bem simplória.

Não se trata de uma história surreal. Mesmo os chavões proselitistas do taxista são costumeiramente ouvidos por aí. Os diálogos poderiam acontecer numa rua perto de você. Mas nesse texto, vejo que Eliane Brum dá a entender que ser ateu num Brasil evangélico é uma dureza.

Ser ateu no Brasil é mesmo difícil? Só se para o ateu é difícil conviver com pessoas com visões de mundo diferentes. Talvez seja mais difícil para um cristão moderado conviver com este Brasil de um evangelicalismo cada vez mais estridente. Mas ser um ateu é praticamente uma moleza. É o que diz Gravataí Merengue. Para ele, a história de Eliane Brum é de um queixume que representa um ateísmo que não saiu da adolescência. E olha que o Gravataí Merengue também é ateu.

Nessa toada de mal-explicar Deus numa corrida de táxi, aproveito também para sugerir alguns enredos para histórias ateias edificantes que denunciam a selvageria da militância religiosa e o cambalacho evangélico. Por exemplo, Richard Dawkins entra num ônibus lotado com um grupo de crentes cantando "1, 2, 3, Jesus é nosso rei". Ou: o ateísta Christopher Hitchens está num navio naufragando e disputa o único colete salva-vidas que resta com Edir Macedo.

Acho que o texto de Eliane Brum já deve ter recebido comentários nada cristãos de confessos evangélicos. Mas experimente a jornalista descrever a nada mole vida de um jornalista tucano inteligente num país de taxistas petistas e verá o que é bom pra fundamentalismo.  

Então, que tal uma história em que uma jornalista cristã muito bem-informada entra no táxi de um ateu de argumentos simplistas? O jornalista Michelson Borges se deu ao trabalho e contou uma história assim. Pode não ser fácil encontrar uma cristã com domínio de tantas referências apologéticas e científicas, mas para mim a história ilustra bem duas coisas: a falácia das oposições simplistas do tipo ateu esclarecido vs. crente ignorante que vigora na grande mídia; como os cristãos precisam estar sempre bem preparados para dar o testemunho de sua fé, se assim lhe pedirem.

Leia as histórias, confira os argumentos e chegue às suas conclusões:
A dura vida dos ateus no Brasil evangélico, de Eliane Brum
A vida fácil dos ateus,  por Gravataí Merengue
A dura vida de uma cristã "fundamentalista", por Michelson Borges

5 comentários:

Eduardo disse...

a coluna da Eliane apenas tras a tona uma coisa que muita gente prefere esconder ou fingir que não existe. Os Evangelicos estão crescendo no Brasil, e por DEUS, como eles em sua grande maioria são burros, alienados e retardados!!! Evangelico por exemplo, Adora dizer que ateismo é coisa do Diabo, PQP!!!! se um ateu não crê em Deus pq vai crêr no Diabo????? sem falar que ADORAM encher o saco de TODO MUNDO, alugando casinhas pra torrar a paciencia dos vizinhos, fazer barulho (q eles chamam de culto) no meio da rua, perturbar as pessoas dentro dos Transportes, etc.. etc...

Eduardo disse...

ah, e a burrice não é exclusividade só de evangélico. veja por exemplo, um trecho de um artigo escrito no MinistérioCACP que fala exatamente da Coluna da Eliane.

Se Deus não existisse, as igrejas seriam o maior laboratório de comprovação da inexistência dEle, pois elas anunciam Sua existência. As pessoas que para lá se dirigem com o objetivo de encontrar Deus, se concluíssem que isto não fosse verdade, sairiam das igrejas afirmando que Deus não existe ao serem frustradas no desejo de conhecê-Lo.

GENTE!!!! que argumentação mais estupida é essa?!?!?! Eu já li muita baboseira escrita por gente religiosa, mas essa ai, tá entre o Top 5, fácil, fácil. Vou apenas citar a India, pra mostrar o quanto essa baboseira da CACP é ridicula, lá na India milhoes de pessoas entram em Templos pra rezar, fazer oferendas sabe pra quem? Pra Brahma, pra Shiva, Mitra etc.. etc... lá eles tb encontram conforto e sentem a "presença" Deles (Shiva, etc... ) Ou seja, Então os deuses Hindus tb existem, não é? na Grécia antiga, as pessoas tb faziam rezas e oferendas a Afrodite, Poseidon. Então eles tb existem ou existiram, não é? Se as pessoas acham q Deus está dentro da Igrejinha delas, isso é problema delas, cada esquizofrenico no seu galho, agora, quando as pessoas se acham no direito de se meter na minha vida, me encher o saco ou simplesmente usar sua religião pra foder a nossa sociedade, isso é problema MEU!

joêzer disse...

é verdade, Eduardo. numa sociedade laica, a opinião religiosa sobre qualquer assunto pode se manifestar livremente, mas nunca impor-se como única e exclusiva. Sobre a ignorância de parte dos evangélicos (inclusive em assuntos de defesa da fé), infelizmente não é novidade. A ascensão numérica dos neopentecostais, que aparecem muito mais na mídia, obscureceu bastante o trabalho de outras denominações cristãs, em especial aquelas do protestantismo tradicional.
para a grande mídia, convenhamos, tem interessado muito mais os escândalos financeiros e o mercantilismo gospel do que outras facetas de transformação social ativadas por várias igrejas.
Quanto ao barulho, é intolerável, seja uma igreja ou uma rave (às vezes pode ser a mesma coisa, tipo uma rave gospel).
Paz e tolerância.
Abraço

Ângelo Bernardes disse...

Achei válida e bem intencionada a tentativa do Michelson. Mas, com todo o respeito, acho que ele quis tanto "reagir" ao conto de Eliane que acabou criando algo mais estereotipado do que ela.

joêzer disse...

Pelo conhecimento de teologia e ciência, acho que a jornalista da história do Michelson é um "alter ego" ficcional do próprio Michelson. É como se ele estivesse respondendo às questões do taxista, mesmo que o diálogo não tenha ficado, digamos, realista.
grato por sua leitura, Ângelo.