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os filmes de 2011

Mais lentos e reflexivos, mais ágeis e divertidos, mais recentes, mais antigos, que comovem com sinceridade, que fazem sorrir sem vulgaridade: esses são os melhores filmes que assisti em 2011. 


Meia Noite em Paris, de Woody Allen – Uma fábula sobre o tempo, sobre o modo como idealizamos o passado, sobre o consumismo alienante contra a contemplação da beleza da arte e da vida. E ainda é romântico e engraçado onde as novas comédias americanas só são vulgares.

O Palhaço, de Selton Mello – Que palhaços escondem sua melancolia todos sabemos. Que essa melancolia vá aos poucos dando lugar à ternura, ao amor entre pai e filho, à reconciliação consigo mesmo, tudo isso sem perder a piada (e sem deixar de ser “censura livre”) é uma proeza.

Homens e Deuses, de Xavier Beauvois – A história dos monges ameaçados por terroristas islâmicos na Argélia não é contada como um filme de ação, mas de reflexão. Apesar da morte anunciada, aqueles homens não perdem a fé em Deus, buscam a fraternidade entre os homens e enxergam a beleza divina numa paisagem, numa ceia simples, numa música de Tchaikovski.

Inverno da Alma, de Debra Granik – Numa América miserável cuja face é pouco vista no cinema, uma adolescente terá que virar adulta bem cedo ao lidar com a pobreza extrema, com a ameaça de perder a casa, com o cuidado dos irmãos mais novos, com as tentações da corrupção. Uma jóia de espírito nobre e raro.

A Árvore da Vida, de Terrence Mallick – O que é o homem diminuto diante do universo infinito? Por que ser bom, se Deus nem sempre parece bondoso? Devemos viver a vida pela carne ou pela graça? Sem a menor pressa, este filme nos faz essas perguntas ao mostrar cenas da criação do mundo e cenas da criação dos filhos, momentos de busca pelo detalhe e de encontro com o transcendente.

Passagem para a Índia (1984), de David Lean – Uma viagem ao interior da Índia colonizada pelos ingleses é capaz de revelar o preconceito atrás da fachada de civilidade. Uma história de bondade e humildade contada por um gigante da narrativa como David Lean é imperdível.

O Veredito (1982), de Sidney Lumet – O grande Paul Newman interpreta um advogado decadente que precisa vencer uma batalha jurídica e a batalha contra seu alcoolismo. É ótimo assistir Paul Newman no tribunal e é fascinante ver um homem erguendo-se do seu vício.

Luz de Inverno (1962), de Ingmar Bergman – Um pastor não consegue confortar sua igreja porque está perdendo sua fé e ainda é rude com quem lhe dá afeto. Quando encontra alguém que não questiona a existência de Deus e nem lamenta a própria deficiência física, mas lhe diz que Cristo sofreu muito mais por causa da solidão da cruz, o pastor volta a sua fé. Lento, austero, mas repleto de descobertas e revelações espirituais.

Ladrões de Bicicletas (1949), de Vittorio de Sica – Na Itália empobrecida do pós-guerra, pai e filho percorrem as ruas em busca do homem que roubou sua bicicleta, sem a qual perderá seu emprego. Um dos filmes mais tocantes que já vi em sua simplicidade de narrativa e grandeza de sentimentos.

*****
Mais:
As músicas de 2011
Os livros de 2011

Comentários

Meia noite em Paris é fantástico. Eu acrescentaria "Em um mundo melhor" de Susane Bier.
joêzer disse…
Não deu pra assistir "Em um mundo melhor", que é sempre bem recomendado. Boa indicação, Ãngelo.
confesso que achei o 'meia noite em Paris' beeeem fraquinho... fiquei achando que Woody poderia ter encontrado um elenco mais a altura. não achei que os personagens foram bem desenvolvidos
ganhou cinco estrelas nas minhas avaliações imdb ;)
joêzer disse…
mr. andré,
bons tempos em q woody era o protagonista e tinha Diane Keaton ou então Mia Farrow, Dianne Wiest, Michael Caine, Max von Sidow (elenco de Hannah and her Sisters).

No início, achei que ia ser mais um clichê sobre a cidade de Paris ou os tipos franceses (como aconteceu com os espanhóis em Vicky Barcelona).

Mas Woody ironiza o repertório simbólico de clichês que existe sobre a "feérica" Paris dos anos 1920.

Sua reflexão sobre o modo como idealizamos o passado é sensacional, inclusive com aquele final em que o personagem central percebe que, apesar de identificar-se com o passado parisiense e não com o materialismo americano da família de sua esposa, viver o presente é libertador.

Gostei tb por causa de alguns episódios, como a conversa sobre rinocerontes com Dalí, Buñuel e Man Ray e o trecho em que ele sugere para um jovem Luis Buñuel o enredo de uma festa da qual os convidados não conseguem sair, sendo que este é o enredo do filme O Anjo Exterminador, dirigido por Buñuel em 62.

Sobre o desenvolvimento dos personagens, não sei se vc fala de todos, mas quanto aos personagens do passado parisiense, penso que são todos deliberadamente estereotipados e não personagens reais. Hemingway, Eliot, Fizgerald e esposa, Picasso, Dalí, Josephine Baker e outros tantos são reunidos num mesmo local apenas, penso eu, como um ideia que o personagem central tem desses artistas. Por isso também, o personagem percebe que o passado é um clichê idealizado.

abraço
caro Joêzer,
também curti a conversa com os estereótipos... foi o que me divertiu no filme e me levou a assistir até o final.
no entanto, Owen Wilson foi absurdamente fraco como protagonista principal, como ele comumente é.
me pareceu um sonho me moloque reunir todos aqueles personagens em um mesmo filme, legal, mas longe de ser o Woody que admiro e temo (pois sempre saio pra baixo dos bons filmes dele).
grande abraço pra você, meu caro
lmmc disse…
ah, andré...vai catar coquinho...hahaha!!!

assisti meia noite em paris 2 dias antes de conhecer esta província, e quando voltei, assisti novamente :)

eu adicionaria a essa lista (ou sugeriria) "a festa de babette"....!!!!!!!

:)
joêzer disse…
estou com você e com o woody, laura.

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