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os Arautos do Rei e o segredo da relevância

Os Arautos do Rei são um quarteto vocal masculino que está em atividade há mais de 50 anos. Como um grupo consegue por meio século sem perder a força e a relevância? Me atrevo a dizer que há, pelo menos, duas explicações plausíveis para a bem-sucedida longevidade do quarteto: a manutenção da ética da missão cristã e a capacidade de atualização da estética da música cristã. No caso dos Arautos do Rei, essas características tem sido interdependentes. Isto é, as inovações musicais têm auxiliado o quarteto a se reposicionar culturalmente em meio à passagem das gerações. Com isso, ele mantém a relevância de sua mensagem teológica e o sentido de sua missão evangelizadora. Alguns creem que o texto sagrado e imutável deve ser cantado com melodias compostas em algum passado distante. Para estes, é como se o tempo, e não a atitude de adoração e a prática do louvor, consagrasse a música. Ora, a passagem do tempo nos dá uma falsa perspectiva a respeito de coisas e eventos....

Ariano Suassuna é que sabia das coisas

Ler Ariano Suassuna é se ver representado facilmente: "O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso". Não sei você, mas eu vivo num rodízio dos três. Eu, que não consigo ficar em fila sem um livro na mão, gosto dessa: "Quem gosta de ler não morre só". Essa frase aqui é minha selfie: "Dizem que todas as pessoas têm um lado bonito. Então acho que sou um cír culo". P.S: nacionalista até à medula, Suassuna repreenderia o uso de "selfie". Quem já ouviu Stevie Wonder, Dave Brubeck e George Gershwin, não vai discordar dessa: "Madonna e Michael Jackson são muito limitados. É ofensivo dizer que representam a cultura americana". E como resistir a essa frase?: "Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver". adeus, Ariano. 

o messianismo na pátria de chuteiras

O Brasil republicano nunca escondeu uma queda pela monarquia. Na música, o povo precisa coroar o rei da voz, o rei das multidões, a rainha do rádio, ou simplesmente, o Rei. No futebol, se há o Rei Pelé, temos o manto sagrado, a camisa “amarelinha”. Boa parte do povo brasileiro vê sua seleção de futebol como uma família real com direitos permanentes e mundiais sobre o trono. Nossa seleção seria a única e genuína proprietária do cetro. Assim, quando vencemos um torneio, o mundo se ajoelha bendizendo as glórias imorredouras do país do futebol. Se perdemos, fomos vítimas de maquinações ocultas de usurpadores, ou então, apenas autorizamos a vitória temporária dos adversários. Como não conseguimos vencer nossas mazelas sociais e econômicas e ainda somos vassalos dos feudos financeiros globais, nosso futebol representa nossa esperança de fazer frente aos países mais desenvolvidos mas sem pentacampeonato mundial. Entram em campo, então, os salvadores da pátria. Da pátria d...

a melhor música popular vs. a melhor música clássica

Se o jogo hoje fosse Latino vs. Beethoven, a gente perdia feio. Mas se fosse Chico Buarque vs. Scorpions, aí a gente ganhava de goleada. Brasil e Alemanha podiam disputar uma partida da Melhor Música Popular vs. a Melhor Música Clássica. Se bem que o futebol da Alemanha anda mais sem graça do que “Pour Elise” no caminhão do gás, e o Brasil... Bem, agora que o país da bossa nova é mais famoso pela coreografia de “Ai se eu te pego”, então ninguém merece ver um jogo desses.

façam o que quiserem mas não mexam no meu culto

O formalismo tem engessado não só a doxologia dos cultos, mas também a noção do que é um culto a Deus. Enquanto, num extremo, para uns o culto não difere de uma ida ao shopping ("posso chegar ou sair na hora que eu quiser"), no outro extremo, estão aqueles que não concordam com a mudança de um jota ou um til em sua concepção de culto enquanto céu e terra não passarem ("não mexam no meu culto"). Estes últimos às vezes parecem ter um slogan semelhante ao daquela franquia de hambúrgueres: façam o quiserem, mas não mexam no meu quarterão! Misericórdia quero, e não sacrifícios: este deveria ser o slogan de nossas vidas de crentes com tolerância zero. Deveríamos estar num estágio mais maduro de nossa vida cristã para que não houvesse contenda ou constrangimento indevido por causa de meia dúzia de canções que não estão nos hinários. Mas temos escolhido criticar negativamente em vez de orientar positivamente. O cisco do tradicionalismo impede que se enxergue qu...

a culpa é das estrelas, das pessoas ou do John Green?

"A culpa, caro Brutus, não está em nossas estrelas, Mas em nós mesmos, que somos subordinados" (Shakespeare, "Júlio César", ato I, cena 2) Viu só? A culpa não é das estrelas! Placar parcial: Shakespeare 1 x 0 John Green Mas, no intervalo do jogo, você vê que alguns personagens do livro/filme não escolheram contrair câncer. Por isso, John Green põe a culpa no destino ou na sorte justamente pelo fato de que nem sempre temos o controle remoto nas mãos. Além disso, Green não discorda de Shakespeare, pois, deixa evidente que, em relação ao câncer, um indivíduo pode adoecer ao escolher, por exemplo, continuar fumando. Um dos hábitos mais arraigados dos seres humanos é colocar a culpa nos outros, nos políticos, em Deus, na vida, no diabo. E assim vamos nos desresponsabilizando pelos nossos atos, quando poderíamos refletir o quanto as coincidências, o acaso, a providência divina realmente interferem no nosso saldo final. Se tudo fosse controlado e determinado...

não me chamem para torcer contra o Brasil na Copa

Vejo pessoas de bom coração conclamando a nação para que torça contra a seleção brasileira na Copa do Mundo. O nobre objetivo dessa convocação é dar um recado aos políticos de que essa Copa não nos interessa, a menos que hospitais, escolas e policiamento fossem de padrão FIFA. Mas por essa lógica, se eu já existisse em 1970, eu deveria ter torcido contra Rivelino, Jairzinho, Tostão e Pelé para que o povo brasileiro abrisse os olhos e visse a sanguinolência da ditadura militar. Peço desculpas, mas não vou engrossar o coro dos contrários. Não me levem a mal. Não sou torcedor de soltar fogos, não choro nem quando meu time perde nem quando ganha. Também não comprei ingressos para a Copa, nem mesmo pra assistir o clássico das mil e uma noites insones Irã x Nigéria, que será aqui no quintal de casa. Quase não sou um torcedor, sou um espectador que gosta de ver um bom espetáculo (seja um filme, um concerto ou uma partida esportiva). Mas não vou deixar que a arrogância da FIF...