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Mostrando postagens que correspondem à pesquisa por regina mota

REGINA MOTA: Basta Viver o Amor

Nem sempre um intérprete é capaz de revelar seus questionamentos e angústias surgidos na expectativa das escolhas musicais para uma gravação. Ainda em menor quantidade são aqueles que desnudam suas fraquezas e falhas diante da multidão. Corajosamente, Regina Mota escreve no encarte do CD que sua intenção era representar através da música seus momentos de testemunho cristão. Ela descreve suas falhas individuais, o “lado sombrio de sua alma”, ao mesmo tempo em que fala das incertezas e certezas que se alternaram até a gravação. A cantora adota o Salmo 33:3 – “cantem a Deus uma nova canção”, – como baluarte e linha norteadora deste trabalho. É possível que as escolhas musicais deste CD sejam fruto de uma experiência renovadora traduzida em inovação formal. Essa inovação formal não está presente apenas nos arranjos musicais. Há um sopro do "novo" até na disposição das informações no encarte, com o requinte de grifar o título das canções no corpo dos versos. A concepção das fotos ...

a voz na música sacra

O que a performance vocal secular tem a ver com a música cristã contemporânea? Tudo. Os cantores evangélicos não inventaram nenhum modo de cantar. Mesmo ao escolher o padrão de voz ideal para cantar determinado estilo musical, suas interpretações também estão calcadas quase inevitavelmente nas performances dos cantores seculares. Se a influência vocal é inevitável, por outro lado temos que reconhecer que o artista cristão entra com suas particularidades vocais e interpretativas, moldando sua própria maneira de cantar. Embora todo mundo conheça alguém que faça cover gospel .   A cantora Elis Regina é considerada um paradigma vocal. Entretanto, apesar da alta qualidade de muitas de suas interpretações, Elis não raro enveredava pelo caminho do canto expansivo/excessivo, “colocando” a lágrima e o riso na voz, teatralizando a canção, pois tudo convinha ao seu modo interpretativo quase sempre transbordante. Seria o oposto da interpretação mais arejada de cantoras como Nara Leão e, atu...

a voz na música sacra

Há um tipo de voz conhecido como “voz pequena” que define tanto a incapacidade de cantar em alto volume quanto a atitude consciente de cantar com economia de recursos vocais. Vou tratar aqui do segundo quesito. Desde a bossa nova, o canto sussurrado de João Gilberto tornou-se um paradigma de interpretação para a música popular brasileira. Tirando os descendentes diretos dessa maneira de cantar, como Chico Buarque, Caetano Veloso e Nara Leão, outros cantores foram profundamente influenciados pelo modo bossanovístico de emissão vocal. Roberto Carlos, por exemplo, é um dos raros cantores românticos que não se esgoelam. Mesmo nos tempos do rock da Jovem Guarda, ele cantava e dirigia “nas curvas da estrada de Santos” com a maior calma. Esse jeito mais despojado de cantar era característica de intérpretes estangeiros do naipe de Mel Tormé, Billie Holliday e Julie London. Nos últimos anos, essa tradição da voz pequena, como nota o jornalista Sérgio Martins ( Veja , 2/9/09), se ouve no canto ...

a Paixão de Cristo em 4 músicas

O gospel nacional tem abdicado de um dos temas mais decisivos do cristianismo: a cruz. Os compositores reduziram o evangelho a quatro itens: louvor, louvor, louvor e unção. O tema do Calvário foi deixado para os cineastas. Relembro aqui quatro músicas que, além de ressaltarem o momento de maior dor e coragem do Deus feito Homem de dores, nos mostram o valor da compreensão da cruz para a aceitação da fé cristã. Como devo ter omitido alguma música de sua preferência, fique à vontade para registrá-la nos comentários. Monte do Calvário (On a rugged hill, de Keith Whitford) A versão em português dessa música traduziu a aflição e a esperança que são o paradoxo da cruz. Retrata a solidão do Cristo agonizante (“Só, em agonia pereceu”), e mostra o choque dos contrastes que sintetiza o Calvário: Puro, carregou meu fardo Para libertar-me do pecar ...

Pra não dizer que não falei do novo ano

Ano novo. Vida nova? Muita gente vai pular sete ondas, vestir roupa nova e branca, rezar três Ave Marias, acender um incenso, fazer uma corrente, abrir champanhe, dar um beijo durante os fogos da TV. Com exceção do beijo (não necessariamente durante os fogos de Copacabana – prefiro os daqui da vizinhança mesmo), não consigo acreditar no resto. Se o ano novo é encarado como um ritual de passagem, que seja um ponto de partida para o auto-aperfeiçoamento e não como aquelas resoluções de segunda-feira. Toda segunda-feira tem alguém começando o regime, a malhação, a boa vontade entre os homens. Na quinta, já estão quase todos obesos, flácidos e iracundos como dantes. Resoluções que dão certo começam no minuto posterior a tomada de decisão. Carpe diem , aproveitem o dia, como dizia o professor Robin Williams em sociedade dos poetas mortos . Mas, como vivemos no país que sempre deixa para amanhã o que devia ter feito ontem... No ano que se vai, completei bravamente (ok, nem tanto) um ano sem...

A liberdade não é só uma casa grande

13 de maio de 2008: 120 anos da Lei Áurea, que alforriava os escravos mas os lançava no limbo social, onde nem eram livres realmente nem escravos propriamente. Embora houvesse abolicionistas de todas as cores e credos, muitos ainda confundiam (confundem) inteligência, cultura e religião com geografia, outorgando o bom, o belo e o justo somente a uns poucos eleitos estrangeiros. Em Os Tambores de São Luís , grande romance em que Josué Montello traça um painel da sociedade escravocrata maranhense (por opção, mas brasileira por extensão), o negro Damião é um personagem que percebe a hipocrisia da casa-grande cristã durante uma visita do bispo da capital: "Por que era escravo? E porque também eram escravos os negros que enchiam a capela? ... Deus estaria de acordo com aquela distinção? Uns livres, outros escravos? Uns sentados, outros de pé? No entanto, ali na fazenda, os brancos constituíam a maioria privilegiada, que oprimia a multidão de negros, sem lhes dar direito a nada, nem me...

melhores livros, músicas e filmes de 2014

Em 2014, encerrei meu doutorado, publiquei um livro e lancei a "pedra fundamental" do meu projeto musical. Entre pesquisar pra escrever e pesquisar pra dar aulas, entre não ouvir para compor e ouvir para aprender, tive tempo pra ver filmes. Alguns deles, me fizeram considerar melhor a arte, a profissão e a profissão de fé. Obs: nem tudo o que li, ouvi e assisti foi lançado em 2014, mas só deu pra ter acesso neste ano que se vai. Livros Os jesuítas e a música no Brasil colonial (Marcos Holler / Ed. Unicamp) – A atuação pedagógico-musical dos padres da Companhia de Jesus entre indígenas e os recém-chegados europeus é fartamente documentada com cartas e outros textos redigidos ainda no século 16. Tecendo a trama entre religião, arte e cultura, o autor busca explicações para entender porque os nativos aceitaram a cultura musical de seus colonizadores. Os Irmãos Karamázov (Fiódor Dostoiévski / Editora 34) – Depois de mais de 20 anos, voltei a ler essa obra-prima...