
Nesse ano, o lobby das cervejas fez um escarcéu dizendo que queriam acabar com "a liberdade do consumidor" e com "a liberdade de expressão" pois as cervejarias não poderiam mais anunciar seus produtos. E não é que agora e na hora da sua morte as danadas invocam até a Santa Madre Liberdade de Expressão, ela mesma, que de defensora dos ideais iluministas passou agora para o lado ambev da Força?
Acontece que o projeto de lei pretendia restringir a veiculação de propagandas de bebida alcóolicas no rádio e na TV entre as 6h e as 21 h. Os anunciantes e as emissoras saíram então de braços dados vociferando contra a suposta censura e o cerceamento da escolha do consumidor, este sim, o grande responsável pela (des)ordem nas estradas e pelo progresso do faturamento das cervejarias. Enfim, o lobby funcionou, o projeto de lei foi engavetado e tudo parece que vai acabar em pizza com rodada de cerveja pra todo mundo, êêê!
Coincidência? O investimento dos fabricantes de cerveja em publicidade saltou de 180,4 milhões em 2000 para 961,7 milhões em 2007, segundo o Ibope. Dos 513 parlamentares, 87 têm concessões de rádio e televisão e/ou receberam doações de campanha da indústria de bebidas e de comunicação. 33 deputados eleitos receberam 2.130.120 milhões das fábricas de cerveja em sua campanha eleitoral.
Uma pesquisa apontou que das 16 regras estabelecidas pelo Conar, conselho de auto-regulamentação publicitária, 12 foram desrespeitadas pois "têm apelo imperativo ao consumo, despertam a atenção de crianças e adolescentes, mostram pessoas que aparentam ter menos de 25 anos, exploram o erotismo, não são veiculadas apenas em programas de TV destinados ao público adulto e mostram a cerveja relacionada ao sucesso profissional, social ou sexual".
A saída para alguns fabricantes e publicitários espertos foi relacionar o "brahmeiro" ao brasileiro trabalhador que não desiste nunca. Vide a letrinha do jingle. O brahmeiro é incansável ("acorda cedo, vai trabalhar, ralou para conquistar o que tem"), honra pai e mãe (tudo o que sabe deve aos pais), é honesto (tem nome limpo), é um homem de família (sente-se um rei em casa), celebra a vida e a amizade ("a vida não tem graça sem ter os amigos e o que celebrar"), que lindo, tão lindo e limpo que parece um comercial de banco.
O brahmeiro não é mais do jeitinho brasileiro (é do batente e da luta). Agora pertence à categoria dos guerreiros brasileiros e ninguém segura esse país.
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