02 novembro, 2010

quando a morte é uma vírgula na vida

Quando estamos mais crescidinhos e já saímos das fraldas dos porquês, as perguntas continuam simples, mas as respostas já são mais complicadas. Existia vida antes da vida na Terra? Existe vida após o fim da vida? As respostas variam conforme o sentido e a compreensão que temos da vida e da morte.

Um violoncelista demitido como Daigo Kobayashi só dá sentido à vida quando mais perto está dos mortos. De músico ele passou a “nokanshi”, alguém cuja especialidade é lavar e vestir os mortos para que a família se despeça com a dignidade que a tradição japonesa confere aos funerais.

Essa profissão não é bem vista na sociedade japonesa moderna. Até o próprio Daigo tem vergonha de seu novo emprego. Mas é nessa função que ele começará a refletir sobre a vida e a morte. Ele, que se sentia um morto entre os vivos, ao tratar dos mortos passa a enxergar a beleza dos vivos.

Daigo reconcilia-se com a música que foi obrigado a abandonar. Mas precisa ainda reconciliar-se com seu pai.

Essa é a história do filme A Partida. E você pode enxergá-lo com as lentes que quiser, assim como os personagens do filme, em que alguns vêem os preparativos dos funerais como pontos de reticência (ninguém sabe o que acontece depois da morte), outros veem a morte como um ponto final (não existe nada depois da morte) e outros creem que a morte é só uma vírgula (existe vida após a morte).

A Partida é tocante. Apesar dos (poucos) momentos melodramáticos e cenas exageradas do músico tocando em cenários naturais, a reverência e a gravidade dos funerais são tratados com respeitosa delicadeza. As cenas de reconciliação familiar me moveram às lágrimas pois me lembrou de separações e reconciliações em relação ao meu próprio pai.

Mas minha compreensão da vida e da morte é bíblica. Na Bíblia, a morte não é uma embaixada num limbo separando os passaportes de quem vai para onde. O livro de Eclesiastes diz que todos voltam ao pó, que os mortos não sabem de coisa alguma, que na sepultura não há obra nem projeto nem conhecimento.

No entanto, a morte não é um ponto final justamente porque não houve ponto final para Cristo na tumba. “Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele” (1 Tessalonicenses 4: 14). Mas isso acontecerá somente quando o próprio Cristo retornar à Terra segundo Sua própria promessa.

Na Bíblia, a morte é apenas uma vírgula na vida, Jesus diz “Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá” (João 11:25).

De tanto corrermos e de tanto procurarmos algo que nos dê prazer, só temos outra perspectiva da vida quando nos vemos diante da morte, como o personagem Daigo Kobayashi. Mas o sábio já advertia que é “melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração” (Eclesiastes 7:2).

Um comentário:

Jetro disse...

Grande Joezer, também vi o filme... bem interessante e é bom pra arejar a nossa mente dos filmes de hollywood...