29 julho, 2011

o louvor não vai te salvar

Há uma questão extramusical associada à canção cristã contemporânea de Louvor & Adoração: sua relação com a demonstração de sinais exteriores de emoção e consagração.
O desejo de fugir do culto estático e “morto” leva alguns a dizer que precisamos do culto extático e “vivo”. A questão é que isso pode conduzir à ideia de que quem não fecha os olhos, levanta as mãos e fala chorando por cinco minutos não está consagrado. É o mesmo argumento defendido por aqueles que “falam em línguas”.
Então, quer dizer que as pessoas que não reagem com alto teor emocional perderam a comunhão com Deus? Será que só a forma musical da adoração contemporânea é capaz de produzir alegria e interação nas igrejas? O pastor Paul Basden comenta que a adoração carismática tem a tendência a exaltar as “manifestações externas e visíveis do Espírito acima do trabalho interno e silencioso dele”.
Robert Webber, professor e escritor de livros sobre adoração, avalia que “o lado performático da adoração contemporânea tende a levar-nos para dentro do campo das obras e para fora do campo da graça”.
Certo tipo de adoração e de adorador usa a música (de qualquer estilo) para convencer a Deus do quanto ele é autêntico e bom. Mas Deus sabe o quanto de autopromoção e vaidade espiritual vai em cada coração. O louvor permeado de gemidos e choros pode ser um clamor pessoal sincero, mas também pode expressar apenas uma tendência a teatralizar a contrição. Às vezes, isso desemboca na ideia de que isso, sim, é “dom profético”.
Se nossa justiça é trapo de imundície, se nossas boas obras ainda são indignas da suprema obra de Deus, por que alguém deveria crer que exclusivamente a sua música vai ser aceita por Deus? Depois da salvação pelas obras, chegou a salvação pelo louvor. 
Nossa música de adoração pode nos lembrar da magnificência de Deus e da alegria de sermos salvos. Mas ela não é capaz de nos tornar mais merecedores da salvação. E dependendo do contexto e de como ela é dirigida,  ela é capaz até de nos distrair da salvação. Felizmente, o justo viverá pela fé e não por sua aparentemente boa música.

4 comentários:

Adolpho Galindo disse...

Cara, parabéns pelo seu blog. Seus posts são mto relevantes, interessantes e bem escritos.


É bonito ver a sinceridade de alguns cantores e artistas pentecostais. mas como vc bem disse o louvor não é uma ferramenta de salvação. Aliás pode ser um modo de perdição, como pudemos ver essa semana na história de nadabe e Abiú em Deuteronômio 10:10. Deus abomina a mistura entre o santo e o profano e é isso o que mtos tem feito ultimamente através da música.

Q Deus nos abençoe e nos guie para darmos um perfeito louvor: puro e sincero

Adolpho Galindo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Evandro Costa de Oliveira disse...

Pois é. Esse tipo de ação esconde (se é que esconde) idéias malignas muito sutis.

Lembrando, que adoração não 'é louvor', 'cantar', 'igreja' etc. Adoração significa ter Deus no coração.

joêzer disse...

adolpho, grato pela gentileza.

evandro, muito bem lembrado: adoração não é "música".