23 novembro, 2007

da música, aos músicos


Para quem, esse ajuntado de palavras? Para quem, esses louvores terrenos?
A quem se destina a estrofe pequena? A quem, tal destempero de versos?

Às doze notas que mal aprendi
Às mil vozes que escutei
À canção que me balança a rede
À música que, mesmo quando o timbre é amargo,
Mesmo quando a paga não recompensa,
Me faz querer possuí-la na beira do ouvido,
Na ponta dos dedos, na margem da voz

Música não existe por si
Não é um ser não-gerado
Não é uma deusa incriada

A música precisa do músico para ser.

Mas ele não diz: Haja música.
Fica ali, na indecisão,
entre o som e o silêncio,
pois quer bem a ambos

Tudo o que ele toca vira música
Mesmo que chamem de barulho

Por isso:
Aos descobridores de melodias
Aos que com notas de afeto
desatam os nós escuros da alma alheia
e me fazem sorrir numa unhappy hour

Aos desafinados de bom coração
Aos desvalidos da canção reprimida
Aos festeiros da bossa triste
Aos amuados do acorde feliz

Aos que têm escala mas não têm escola
Aos que tangem uma viola
pra chamar a moça bonita
que ainda não sabe o que é mais belo:
Se o amor, se o sorriso, se a flor
Se luiz, se chico, se heitor

Aos endividados do ritmo
Aos dólarmente abençoados
Aos que fazem da costela do som
a música que nos beija a face

A eles, meus ouvidos reverentes.
E também a todo aquele que,
vivendo de uma sonata ao luar do sertão
ou de uma samba de um real só,
preferiu ser carpinteiro de ruídos

Joêzer Mendonça

Um comentário:

aline disse...

maravilha, maravilha, maravilha!